segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Ride.



Ride | Waves - BBC Recordings | Ignition | CD

Esse CD foi uma das maiores surpresas dos últimos anos. O que nem deveria ser afinal estamos falando de Ride. E pensar que eu fiquei pensando mil vezes se deveria ou não comprá-lo, afinal já tinha quase todas as músicas em suas versões originais. Pois afirmo que não deveria sequer ter vacilado. O CD é excelente e valeu cada centavo. Hoje em dia é o disco que mais ouço de Ride – e eu ouço bastante, pode apostar.

Algumas versões são até superiores do que as originais, como é o caso das canções de “Carnival of Light”. Outras se não são melhores, são tão boas quanto – o que felizmente é o caso da maioria das músicas desse disco. Ainda tem cover de Pale Saints e um encarte cheio das impressões de cada um sobre as ‘BBC sessions’, além de fotos exclusivas.

E nesse arquivo que botei on-line você encontrará uma pastinha com três canções que só não entraram na versão final do CD para não ultrapassar os 74 minutos. Quem divulgou essas músicas foi o próprio manager da banda. Encontrei-as no site de torrents OiNK e quase caí pra trás, pois nem sabia da existência das mesmas. Enjoy it!

brincando de deus.



brincando de deus | Better When You Love (Me) | Self Records | CD

Solicitaram que eu fizesse upload desse disco na Poplist mailing-list e nem pensei duas vezes, afinal não é sempre que surge alguém interessado em conhecer um dos meus discos nacionais prediletos. Esse é o primeiro álbum do brincando de deus, banda de Salvador, BA, da qual eu tenho enorme carinho (inclusive já trouxe a banda duas vezes para fazer shows em São Paulo). "Better When You Love (Me)" foi lançado em 96 e pode ter certeza que marcou época.

Eu ouvi muito esse disco durante os anos 90, mas muito mesmo. Fui ouvir agora e pude perceber que ele envelheceu muito bem. O som é shoegaze pop, com destaques para os frágeis e melancólicos vocais de Messias e a precisão milimétrica do baterista. E o disco é cheio de hits, perfeito do começo ao fim (só tem uma música que eu não gosto). Não deixa nada a dever para qualquer artista semelhante inglês ou norte-americano da época. Inclusive arrisco dizer que são melhores que a maioria. Ouça e veja se não estou certo. Tanto é que a gravadora Quiddity de Michigan, USA, lançou esse compacto abaixo com duas músicas desse disco. Esse 7" foi muito elogiado e comentado na indiepop-list na época.



Abaixo você fica com o clip da música que está presente no lado A desse single, a perfeita e triste "An Evening Out". É de chorar de tão boa.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Popsong # 4: Strawberry Alarm Clock.


Essa pérola de psychedelic pop pertence ao debut álbum "Incense and Peppermints", de 67, um clássico cheio de canções no mesmo estilo. Inclusive foi uma dificuldade escolher uma só, pois temos a faixa título, "Tomorrow" e tantas outras que são tão boas quando "Sit With The Guru". Apesar de ter durado pouco, o Strawberry Alarm Clock é uma de minhas bandas prediletas dos 60s e recomendo para qualquer um que goste de él Records, Saint Etienne, Biff Bang Pow!, The Sea Urchins e bandas afins. Se alguém quiser, posso botar o disco inteiro no blog.

Popsong # 4: Strawberry Alarm Clock, "Sit With The Guru".






terça-feira, 2 de outubro de 2007

Popsong # 3: Snowblind.


Lançado em 2002, "Easy Girl" do Snowblind é o melhor single daquele ano e um dos melhores de toda a década até o momento. Teve uma época que eu ouvia essa música umas dez vezes por dia, uma obsessão! Mas não tinha como ser diferente, é uma canção pop perfeita, grandiosa e dançante, além de ter ótimas referências. O twee.net os descreve perfeitamente: early Postarcard (Aztec Camera / Orange Juice) com vintage New Order. Eu ainda acrescentaria Saint Etienne. Snowblind é uma dupla de Manchester que apareceu e sumiu como um raio: fora esse single, lançaram outro, um disco (ambos ótimos) e pronto. Uma carreira perfeita. Curiosidade: toda vez que eu tocava essa música no finado Atari Club a pista ficava cheia e não raramente alguém perguntava o que era.

Popsong # 3: Snowblind, "Easy Girl"

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Girlfrendo.


Girlfrendo | Surprise! Surprise! It's Girlfrendo | Bambini | CD

Durante o espetacular show do Love Is All na Invasão Sueca @ Studio SP, uma outra banda não saia da minha cabeça: Girlfrendo. Chegando em casa fui pesquisar e qual não foi minha surpresa ao descobrir que uma banda surgiu das cinzas da outra. Inclusive considerei uma falha enorme não saber disso antes, mas a verdade é que eu nunca fui muito com a cara do disco e singles do Love Is All (mas mudei de opinião depois do show).

Teve uma época entre 97 e 98 que o Girlfrendo era a banda mais legal e cool do mundo. Eu mesmo lutei bastante para adquirir os tão falados singles 7” da banda e infelizmente nunca consegui nenhum até hoje... mas felizmente o disco, lançado em 98, eu consegui. E ouvia ele sem parar! Certamente um dos melhores daquele ano, cheio de popsongs deliciosas que soavam como uma mistura da sonoridade él de Would-Be-Goods e Bad Dream Fancy Dress com a atitude riot grrrl de Huggy Bear e Heavenly.

Uma pena que depois desse disco a banda desandou e só lançou chatices. Teve mais um single em 99 e um segundo disco em 2001. Dispensáveis. Tanto que a própria banda resolveu botar um ponto final, descontente com a própria sonoridade (daí surgiu o Love Is All), muito provavelmente por causa da saída de uma das vocalistas. O grande triunfo do Girlfrendo nesse disco é o dueto tresloucado de duas vocalistas chamadas J. Pepita Frendo e Safari, além de algumas participações vocais de Golden Boy. É muito divertido, um discão de swedish P!O!P! - e o arquivo conta com os encartes.



Popsong # 2: Buffalo Springfield.


"I am a Child" está no terceiro e último disco do Buffalo Springfield, de 1968, o "Last Time Around", que muitos consideram o pior da banda. E essa canção está perdida no meio do lado B do vinil. Então espero que vocês peguem essa música, ouçam e pensem junto comigo: "nossa, se isso é considerado o pior da banda, então imagina o melhor". Mas é lógico que a maioria de vocês já conhecem tudo de Buffalo Springfield e também vão sacar que essa pérola em particular brilha muito mais pelo fato de ser composição de Neil Young, cantada pelo próprio. Um clássico e que eu só fui conhecer recentemente. Antes só tinha o primeiro disco da banda - discografia básica.

Popsong # 2: Buffalo Springfield, "I'm a Child".


sexta-feira, 28 de setembro de 2007

The Hermit Crabs.


Finalmente hoje encontrei o disco do Hermit Crabs, nova banda de Glasgow contratada pela Matinée Records. E pude confirmar que eles realmente são ótimos. Já vi dois shows deles, o primeiro no Buffalo Bar em Londres, abrindo pro Strange Idols. O segundo foi no festival IndieTracks, aonde tirei essa foto acima. É indiepop puro e ao vivo fica ainda melhor, a menina do violino dá um toque todo especial. As músicas mais upbeat são o grande destaque.

Eu pensei em colocar o disco aqui, mas como ele acabou de ser lançado por uma gravadora que admiro bastante, decidi que não é justo. Vai contra os princípios desse blog, então quem quiser ouvir vai ter procurar em outros lugares. Ficaria muito chateado se o Jimmy da Matinée deixasse um comentário aqui, pedindo para tirar o link. Isso ia acabar com meu dia. Mas que o disco é ótimo, isso é. Vale a pena dar uma procurada. Na Pop Polar tem. ;-)

Enfim, ouça duas músicas deles no MySpace, a "Friend's Folk Festival" e "Feel Good Factor". São duas das minhas prediletas da banda.

http://www.myspace.com/thehermitcrabsband

No You Tube tem um bom vídeo deles ao vivo, dá pra ter uma idéia de como foi o show. Tava lendo ums coisas e descobri que o Francis MacDonald é fã e inclusive produziu algumas músicas da banda. Faz sentido. :-)





Popsong # 1: Treebound Story.


Atendendo ao pedido que o Tiago deixou nos comentários, vou postar a canção “Swimming in the Heart of Jane” do Treebound Story. Eu ia enviar direto pro e-mail dele, mas quando ouvi a música de novo pela 3ª vez seguida, resolvi que valia a pena postá-la aqui pra todo mundo que não conhece ouvir tamanha pérola indiepop.

Quem postou essa música originalmente foi o excelente blog Lost & Found (infelizmente meio abandonado). Aqui você encontra uma pequena história sobre a banda. É tudo o que eu sei sobre eles. Um verdadeiro tesouro perdido, e agora parcialmente (re)encontrado. Queria ouvir mais coisa deles.

Ah, aproveitei e criei a seção "Popsong", aonde vou postar algumas dessas belezas. Quando chegar na vigésima vai dar pra montar uma bela compilação. ;-)

Popsong # 1: Treebond Story, “Swimming in the Heart of Jane”



terça-feira, 25 de setembro de 2007

Versus.


Versus | The Stars Are Insane | Teenbeat | CD

Por falar em Nova Iorque (veja post anterior), vou postar um dos meus discos nova-iorquinos prediletos dos anos 90, o primeiro do Versus, intitulado “The Stars Are Insane”, de 1994. Incrível a freqüência com que pego esse CD na estante pra ouvir por aí. E é um disquinho subestimado, já que pouco ouço falar dele entre os “iniciados” (curtiram o termo? Hehe).

O som é bem típico das bandas da redondeza, como referência cito dois discos irmãos, dois clássicos de NY, o “Painful” do Yo La Tengo e o “Goo” do Sonic Youth. Já deu pra sacar, né? Então acrescente duetos vocais femininos e masculinos e certa apatia típica da geração X (quem é da época vai lembrar). Guitar pop clássico e excelente. As cinco músicas que abrem o disco são de chorar, em especial “River”.

Atualização: dá para ouvir "River" aqui.



The Pains Of Being Pure At Heart.


The Pains Of Being Pure At Heart | The Pains Of Being Pure At Heart | Painbow | CD-EP


Outra banda bem nova que me impressionou bastante foi
The Pains of Being Pure at Heart. Dica do camarada Cláudio, do blog Anorak in Summer. Pense numa mistura das músicas mais agitadas do Field Mice, Black Tambourine, The Pastels e "Paint a Rainbow" do My Bloody Valentine (essa última roubei do próprio My Space da banda - vê se pode!). Com essas referências, não tinha como não ser no mínimo ótimo. Nossa sorte é que as duas primeiras músicas do EP são ESPETACULARES. O restante se torna mais do mesmo, é verdade, mas quem precisa delas se você pode voltar pro começo e ouvir as duas primeiras DE NOVO? Depois de fazer isso umas SETENTA vezes num período de uma semana e tiver enjoado, passe a ouvir as outras três músicas restantes do EP. Inevitavelmente você irá começar a pensar em colocar a banda no centro do tão desejado pódio das grandes revelações de 2007. Cheguei a falar que são de Nova Iorque? Nem parece.



Wooden Shjips.


Visitando o blog do Kid Vinil (há mais de 15 anos sempre uma boa fonte de ótimas descobertas, comecei a acompanhá-lo na época do rádio, hehe) descobri o Wooden Shjips e pirei. Uma que me lembrou os ensaios da banda que eu tocava em meados dos anos 90, a Comespace. Outra que fazia um tempão que eu não ouvia uma banda tão FRITA e competente ao mesmo tempo. O som é uma mistura de Neu! com Spacemen 3, sendo bem simplista. Também lembra algo do Loop e do Suicide. É uma loucura e eu não consigo mais parar de ouvir! Pegue toda a discografia da banda e tire suas próprias conclusões. Recomendo começar a ouvir o recém-lançado LP de estréia e depois ir pros dois 7"s e 10". Boa viagem.

Wooden Shjips - Wooden Shjips 10'' (2006)
Wooden Shjips - Dance, California 7'' (2006)
Wooden Shjips - Sol '07 7'' (Holy Mountain, 2007)
Wooden Shjips - Wooden Shjips LP (2007)

Ah sim, não posso deixar de citar o vídeo-clip!
É outra coisa FRITA, rock psicodélico nervoso, o resultado de anos usando drogas pesadas! Veja aqui (a menina dançando a partir dos 1:38 é *algo*, haha) .




segunda-feira, 17 de setembro de 2007

The Sunny Street.


Foi com grande surpresa que ao visitar o fotolog da Dani encontrei o tão procurado link para as duas demos do The Sunny Street, nova banda de Londres que também vi ao vivo em julho, enquanto visitava a cidade (a foto acima é do show, que foi no Windmill, quem tirou foi meu irmão Marcio).

O som é bastante influenciado pela Sarah Records, mais precisamente pela gravadora irmã norte-americana, a Sunday, que nos anos 90 lançou Proctors, Mrs. Kipling, Confetti, todas com um som muito semelhante ao The Sunny Street, na verdade um casal. No show o garoto tocava violão e soltava as batidas num iPod Nano (isso mesmo!) enquanto a garota só cantava com uma voz melancólica e belíssima. Mal posso esperar por um lançamento oficial, enquanto isso não acontece, ouço as demos EPs sem parar.

They Hurt You Everyday CDr-EP (01-06) e Rainy Hearts CDr-EP (07-12).


http://www.myspace.com/thesunnystreet (ouça "Comedians", minha predileta)

PS.: Os dois são originalmente da França, mas atualmente moram em Londres.



domingo, 16 de setembro de 2007

The Parallelograms.


Vou começar a postar sobre umas bandas bem novas por aqui, para não parecer que só ouço coisa velha. Oras, eu também ouço coisas novas que copiam as coisas velhas! Rs! Em Londres eu vi uma banda chamada The Parallelograms, ainda nem lançaram nada, mas têm umas demos no My Space que são completamente viciantes. Sempre dou umas ouvidinhas! O som é bem C86 numa linha Shop Assistants com Beat Happening. No show teve cover do Talulah Gosh e o guitarrista tocou com uma guitarra da Hello Kitty, o que na hora achei um exagero twee, hoje acho super engraçado. A vocalista também é a twee girl mais exagerada do mundo, ela não parava de sorrir durante um segundo sequer, não sei como conseguia. Segue o link pro MySpace deles e tire suas próprias conclusões. É de longe a tosqueira mais adorável de 2007.

http://www.myspace.com/theparallelograms


The Waltones.


The Waltones | You've Gotta Hand It to 'Em- Very Best of the Waltones | Cherry Red | CD

Banda simpática dos mid 80s, de Manchester, UK. Tem alguns bons hits jangle P!O!P!, enquanto outras canções são um pouco sem graça. No arquivo tem o encarte todo escaneado (umas 16 páginas). Esse relançamentio engloba quase toda a discografia da banda. Pra quem gosta do estilo (como eu), é um prato cheio.

sábado, 15 de setembro de 2007

Grimsby Fishmarket.

Só fui conseguir ouvir essa excelente compilação esse ano, apesar dela ter sido lançada originalmente em K7 na Suécia no começo dos 90s. Já tinha ouvido falar dela, é famosa no meio, mas era praticamente impossível de ser encontrada até nos dias de hoje, na maravilhosa época dos torrents especializados.

O que dizer? É uma das melhores compilações de indiepop que já ouvi na vida. E olha que eu já ouvi coisa pra caramba. Modéstia a parte, tenho um conhecimento vasto nessa área. E o que essa compilação tem de tão especial? Uma é que ela está cheia de pequenos tesouros P!O!P!, de bandas que nunca ouvi falar. A maioria são inglesas, suecas e japonesas. Pérolas é o que não falta por aqui, meu amigo. Noventa minutos cheio delas.

E das bandas que já conhecia estão clássicos irretocáveis e atemporais. Sei que posso ouvir quantas vezes quiser e nunca vou enjoar. Outro dia me peguei dançando sozinho pela enésima vez a música do Happydeadmen, prediletos aqui do quarto. Ouça e me diga se ela é ou não completamente irresistível e viciante. E ainda tem música inédita dos Orchids, um clássico do Stereolab, outro do Blueboy, uma canção rara do Brighter e tudo numa qualidade de som MUITO BOA. Nem parece que tiraram de uma K7, aliás desconfio que riparam diretamente da master.

De vez em quando rola por aqui um distanciamento do indiepop, caio numas reflexões de que a cena atual está fraca e me pego ouvindo outros estilos de música. Mas não adianta. Sempre volto pro meu porto seguro. E são discos e compilações como esta que me fazem voltar com energia renovada.

Pegue ela aqui.





quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Monograph.

Monograph | Lorelei | Shinkansen | CD

Imagine uma mistura da primeira fase do Teenage Fanclub com o Guided By Voices circa “Bee Thousand”. É mais ou menos isso o som do Monograph, minha banda predileta da Shinkansen (ex-Sarah Records). Depois de três compactos belíssimos (pretendo postá-los brevemente), surge esse clássico álbum que encabeçou o meu top 99. Infelizmente esse foi o único... depois a banda mudou o nome para Pacific Radio, lançou um mini-álbum e sumiu do mapa.


terça-feira, 11 de setembro de 2007

Clientele.

Um dos melhores shows da minha vida foi o do Clientele no Nambucca (acima foto que eu tirei), há uns dois anos atrás. Esse é um pub alternativo que fica na zona norte de Londres (na famosa Holloway Road), coincidentemente o bairro aonde o pessoal do Clientele reside. O show foi gratuito e eles estavam tocando entre amigos, o que serviu para aumentar ainda mais o clima intimista.

Aos primeiros acordes da banda eu percebi que estava realizando um sonho. Imagina ver o Clientele nessas condições? Meu queixo chegava no joelho. Logo de cara uma das coisas que mais me impressionou foi que a banda toca exatamente como nos discos, conseguem manter toda aquela suavidade etérea característica que só quem ouviu sabe o que quero dizer. É indescritível. Arrepiava até a alma.

Para manter essa suavidade a banda usa de alguns artifícios. O guitarrista e vocalista Alistair não usa palhetas em nenhum momento. Toca e sola a guitarra elétrica com o dedo. O baterista em nenhum momento bate na bateria com força e o vocal é aquela coisa aveludada igual ao que se ouve nos discos. Encontrei no You Tube um vídeo ao vivo para o último single deles e dá para ter uma noção do que foi o show.

The Clientele - Bookshop Casanova (ao vivo em estúdio)

Em seguida veja também o vídeo que eles fizeram para essa música. Simplesmente um dos melhores do ano. Mostra de modo perfeito a solidão dos cafés ingleses, as pessoas até querendo se juntar uma com as outras, mas sem coragem ou mesmo motivação. Melhor ficar sozinho. Adoro Clientele. O álbum deles certamente estará presente no meu top 10 2007.

The Clientele - Bookshop Casanova (vídeo-clip)



segunda-feira, 10 de setembro de 2007

The Autumn Leaves.


The Autumn Leaves | Treats and Treasures | Grimsey | CD

Quando esse disco saiu em 1997 eu já era fanático pela banda, graças ao compacto de "You Didn't Say a Word", lançado dois anos antes e que eu ouvia igual a um maníaco e colocava em todas as mix tapes da época. Então foi com grande expectativa que eu esperei o disquinho chegar pelo correio e quando finalmente pude ouvir não fiquei nem um pouco decepcionado. Apesar de não ter nenhum hit do nível da supra citada, o disco apresenta belos momentos de psicodelia paisley underground que nos remete tanto aos Byrds como ao The Church. Altamente recomendado. Ainda hoje ouço com grande empolgação.


sábado, 16 de junho de 2007

Movietone.

Em meados dos anos 80, a cidade inglesa Bristol nos presenteou com uma cena de bandas que seguiam para lados mais obscuros da música pop: tinha o noise lo-fi do Flying Saucer Attack, o drum’n’bass desconstruído do Third Eye Foundation, o folk minimalista do Empress e o slowcore espacial do Movietone. Vale dizer que todas essas bandas compartilhavam membros entre si.

No momento vamos falar do Movietone, banda que começou em 94 e já lançou quatro álbuns magníficos. O último, “The Sand and The Stars”, é de 2003 e sem dúvida é o mais elaborado e pretensioso, com inclusão de instrumentos como banjo e trompetes, sem nunca perder a eterna melancolia da qual a banda está mergulhada até o pescoço. A música “Ocean Song” é a minha predileta desse disco.

Resolvi colocar o Movietone aqui depois de ver que eles são uma das coisas que mais ouço recentemente, segundo meu Last.fm.

Ouça aqui: http://mog.com/gcustodio.

PS.: Ainda essa semana eu vou fazer novamente o upload dos álbuns solicitados na caixa de comentários.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Novidades

Publicado originalmente no Fotolog: http://www.fotolog.com/esquizofrenia

Ontem eu tinha escrito um puta texto explicando pq eu adoro sites como o Last.fm ou Mog, mas essa merda do Fotolog (site que eu odeio e só continuo pq alguns de meus amigos estão por aqui - paciência que eu não tive com o Orkut, por exemplo) apagou tudo quando fui tentar editar/corrigir uma palavra que tinha escrito errado.

Mas enfim... criei uma conta no Mog: http://mog.com/gcustodio

Vou postar uma música todo dia, pelo menos até enjoar do site, hehe. A de ontem foi "Plainsong" do Seefeel, acho que hoje vai ter uma do Movietone. Segue textinho:

"No meio dos anos 90 a gravadora Too Pure certamente era uma das melhores, senão a melhor. Isso ficou comprovado quando ela lançou a compilação “Pop (Do We Not Like That?)” e mostrou para o mundo uma seleção com o que existia de melhor em seu catálogo, todas bandas impecáveis (e em começo de carreira): Stereolab, PJ Harvey, Pram, Laika, Mouse on Mars e outros nomes menos expressivos. Mas uma das melhores músicas dessa coleta com certeza é “Plainsong” do grande, mas muito grande Seefeel.

Imagine uma banda que misturasse a música ambiente e dançante do Orbital com as experiências guitarrísticas do My Bloody Valentine, além de um vocal feminino etéreo, remanescente do Cocteau Twins. É mais ou menos por aí. Passados quase quinze anos, o Seefeel retorna às manchetes com o relançamento de “Quique”, o primeiro álbum, de 1993, em versão entendida e remasterizada. Foi um prazer imenso (re)ouvir todas essas canções que continuam soando novas e brilhantes até mesmo em 2007."

E tem minha conta no Last.fm tbm: http://www.lastfm.pt/user/gcustodio

Ficou bem mais fácil fazer o Top 2007, é só pegar o que mais ouvi nos charts (e eu mudei o modo como ouço música hoje em dia, liguei meu som no micro e tudo que ouço no meu quarto - tirando os discos de vinis - aparece no site. Só falta sincronizar com o i-Pod, aí vai ficar completo).

De acordo com o Last.fm:

1. LSD and the Search for God, "EP"
2. The Orchids, "Good to be a Stranger"
3. The Lodger, "Grown Ups"
4. Deerhunter, "Cryptograms"
5. Clientele, "God Save the Clientele"

E é isso mesmo. Pelo andar da carruagem, acho que dentro de poucos dias vai entrar tbm a coleta "Box of Dub" da Soul Jazz entre os mais ouvidos. :-)

E é isso. Tô meio sem tempo (e saco) de atualizar esse fotolog (e o blog) com discos novos, mas definitivamente não abandonei nenhum dos dois. Aguardem.

Gilberto

terça-feira, 17 de abril de 2007

Tamba Trio

Tamba Trio | Tamba Trio | Philips | CD

Lançado em 1962, esse raro álbum só agora foi reeditado em CD (e somente no Japão). É um dos grandes clássicos da bossa nova de pegada dançante e grooviada, bastante próxima do que é costume se chamar de samba jazz. Boa parte das canções são instrumentais e bastante próximas do acid jazz. O Tamba Trio foi banda de apoio de grandes estandartes da música brasileira, mas nesse, que é o primeiro álbum, eles estavam apenas começando. Liderado pelo pianista Luiz Eça, o Tamba Trio é um dos muitos trios de jazz que se apresentavam nos míticos bares do beco das garrafas em Copacabana no final dos anos 50 e começo dos 60. Os gringos adoram esse disco, “the sound is stunning, the playing is tight, and the tracks groove like nothing you could imagine!”.

192 kbps com encarte.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Lô Borges

Lô Borges | Lô Borges | EMI Odeon | CD

Uma das coisas que mais gosto na música brasileira de antigamente são os diversos movimentos musicais que, além de facilitar a vida dos críticos, serviam de aglutinadores de grandes talentos. Temos a Tropicália, Bossa Nova, Jovem Guarda, Black Rio e diversos outros. Mas o melhor movimento é indiscutivelmente o Clube da Esquina, formado por músicos de Minas Gerais. É impressionante a quantidade de bons discos que são associados ao movimento. E de todos esses discos, meu predileto é o primeiro do Lô Borges, lançado em 1972.

O mundo tomou conhecimento desse então garoto, na época com apenas 20 anos de idade, ao ver o nome dele em destaque na contracapa do clássico “Clube da Esquina” de Milton Nascimento. O nome em destaque indicava uma parceria com o mestre. Mas o mais impressionante é que no mesmo ano ele lança um disco solo com as “sobras”, com as canções que não entraram no “Clube da Esquina” (que já é um álbum extenso, na época lançado em vinil duplo). Fala sério, vai ter talento assim lá pras bandas de Belo Horizonte. Esse disco solo, com 15 faixas, algumas instrumentais (como a minha predileta, “Toda Essa Água”, que fecha o disco), todas muito boas, é facilmente um dos meus 5 discos nacionais predileto de todos os tempos.

Poderia ficar tecendo elogios para cada uma das canções presentes nesse álbum, mas prefiro apenas dizer que se você tem algum apreço por folk inglês dos anos 60 tipo Fairport Convention, a fase psicodélica dos Beatles, o pós-rock de Chicago como Sea and Cake, mestres hippongas tipo Fleetwood Mac e o coletivo Elephant 6, não deixe de ouvir essa obra-prima, que ao meu ver é subestimada até hoje (no Brasil, porque fora do país é bastante conceituado). Para quem quiser se aprofundar sobre o movimento mineiro, indico o livro “Os Sonhos Não Envelhecem” do Márcio Borges e o site Museu Clube da Esquina.

(192 kbps com contracapa)

quinta-feira, 22 de março de 2007

The Sea and Cake

The Sea and Cake | The Biz | Thrill Jockey | CD

No meio dos anos 90 toda pessoa com o mínimo de bom gosto musical virou as anteninhas para a cidade de Chicago, nos EUA. Eram de lá as bandas mais inventivas e legais da época. O epicentro do que se convencionou rotular de pós-rock. A melhor dessas bandas era obviamente o Tortoise, que eu adorava e ainda ouço direto. O mais interessante era que os integrantes do Tortoise tinham várias outras bandas. Todas sensacionais, como é o caso do Sea and Cake, que contava com o mestre John McEntire na bateria. Mas o grande triunfo era a dupla de guitarristas Sam Prekop e Archer Prewitt, do Shrimp Boat e Coctails, respectivamente.

Esse “The Biz” é o 3º disco da banda, lançado em 1995. É o melhor. Nos dois primeiros a banda tinha uma pegada matemática, meio que calculada, o que não deixava de ser deliciosa – tem até o rótulo math rock, adoro. Mas foi em “The Biz” que eles se soltaram mais e o que se ouve é uma bela e sossegada mistura de indie rock, jazz e psicodelia. Destaco “The Kiss”, canção maravilhosa responsável pelo meu fascínio por essa banda. Costumava botar ela em quase toda mix-tape da época. Outra predileta é “Escort”, que lembra bastante o patrimônio local Slint. Enfim, é um disco e tanto. Prediletos da casa. No Brasil foi lançado o 5º disco da banda, “Oui”. É um bom disco, mas não tanto quanto “The Biz”, que cresce a cada audição – até hoje!

(192 kbps com encarte e contracapa)


terça-feira, 20 de março de 2007

Tobin Sprout

Tobin Sprout | Moonflower Plastic | Matador | CD

Todo mundo sabe que só foi o Tobin Sprout sair do Guided By Voices que a banda entrou num declínio vergonhoso. Ou não sabe? Isso foi em 96, quando o GBV lançou o último de uma série de grandes álbuns, o ótimo “Under the Bushes Under the Stars”. O sucesso subiu à cabeça do Robert Pollard e ele demitiu toda a banda para contratar músicos mais competentes. Desfeita uma amizade de anos, o guitarrista Tobin Sprout resolveu sair em carreira solo, e no mesmo ano já lançou o bom álbum de estréia “Carnival Boy”. Mas foi no ano seguinte, em 1997, que surgiu o que, em minha opinião, é o grande clássico de Tobin (até mesmo entre os discos do GBV): “Moonflower Plastic (Welcome to My Wigwam)”.

Deixando um pouco de lado as tosquices extremas de sua ex-banda, assumindo todos os instrumentos e com ajuda de uma bateria eletrônica, Tobin Sprout provou muitas coisas com esse álbum. Uma que ele era muito mais que uma mera sombra de Robert Pollard. Outra que ele tem uma bela e doce voz, perfeita para suas canções melancólicas e cheia de melodias brilhantes. Ouça a upbeat “Beast of Souls” ou mesmo “Exit Planes” e entenda o que estou falando. Na verdade o disco inteiro é excelente, não tem nenhum momento fraco. Minha predileta é “Angels Hang Their Socks on the Moon” e seu maravilhoso piano.

Indico para fãs de East River Pipe, os momentos mais melódicos do Sebadoh, Neutral Milk Hotel e, óbvio, o grande Guided By Voices, que como ficou claro, tem bastante a mão de Tobin. Vale dizer que ele também é um pintor de renome nos EUA. A capa, encarte e contracapa são obras do próprio (versão digipack, todas devidamente escaneadas e incluídas no arquivo). Aliás, essas pinturas são tão ou mais brilhantes que a própria música, veja mais no site dele.

(192 kbps com encarte e contracapa)

segunda-feira, 19 de março de 2007

The Pooh Sticks


The Pooh Sticks | Million Seller | Zoo | CD

Essa divertida e bem humorada banda gaulesa surgiu já no final da Class of 86 (em meados de 87) se auto-intitulando como a pior banda indiepop de todos os tempos. A gravadora Fierce se empolgou com a idéia de lançar o pior single de indiepop de todos os tempos e chamou a banda para gravar algo para o selo. Em 1993 conseguiram um contrato com a gravadora norte-americana Zoo, um dos tentáculos da BMG, para o lançamento do 3º disco, ironicamente intitulado de “Million Seller” e com o figurassa vocalista Hue Willians na capa, em cima de um disco de ouro.

Eu (e a maioria dos críticos norte-americanos) acho esse o melhor álbum da banda. Já os antigos fãs os acusaram de vendidos. Em todo caso, “Million Seller” foi totalmente ofuscado pela onda grunge que ainda reinava entre a garotada. Uma injustiça das grandes. O pop puro e viciante presente em todas as canções é certeza de provocar um sorriso de felicidade em qualquer fã do bom guitar pop. É um álbum alegre, com gosto de verão e vento no rosto, levanta o ânimo de qualquer um! Esse álbum fez com que eles fossem inclusos numa cena “power pop” criada pela imprensa norte-americana da época, que reunia bandas como Redd Kross, Posies, Jellyfish, Material Issue, Teenage Fanclub, Velvet Crush... realmente, é por aí.

“Million Seller” ainda contém uma das canções mais perfeitas de todos os tempos, com apenas 1:48 de duração, “The World Is Turning On” tem refrão grudendo, um dos melhores solos de guitarra que já ouvi, dedilhados de violão, tudo se encaixando perfeitamente, é o que eu costumo chamar de canção pop perfeita, e poucas bandas conseguem fazer esse tipo de coisa tão bem! Como se não bastasse, o álbum conta com vários outros destaques, como “Sugar Baby”, “Rainbow Rider”, “That Was The Greatest Song” etc etc etc e ave!, como eu gosto desse disco. Depois de ouvi-lo inúmeras vezes decidi comprar tudo que encontrasse da banda. Quando completei a coleção escrevi um super artigo para meu fanzine, o Esquizofrenia, publicado na edição # 10, uns 6 anos atrás.

(192 kbps com scan do encarte e suas ótimas fotos)


sexta-feira, 16 de março de 2007

Quarteto Bossamba

Quarteto Bossamba | Quarteto Bossamba | Discos Som/Maior | CD

“A música instrumental, seja de que categoria for, tem o dom de prender mais a atenção de quem a ouve, “catalisando” sensações mais vividas e realçando melhor contornos melódicos.” – texto extraído da contracapa.

A Discos Som/Maior foi um selo que existiu nos anos 60 especializado em música instrumental brasileira. Recentemente a Som Livre relançou boa parte do catálogo desse selo em CD pela primeira vez, com as capas e contracapas originais restauradas e um som remasterizado. São ao todo 7 CDs, dos quais esse Quarteto Bossamba foi o que mais me agradou.

Essa é a 1ª banda do famoso tecladista Walter Wanderley. Mas quem o acompanha nesse quarteto é um mistério até hoje não resolvido. Na contracapa está escrito: “E quem são os músicos? Não podemos responder, pois cada qual pertence a um selo diferente, e por razões óbvias de contrato não nos é dado divulgar seus nomes. São, todos eles, artistas de grande prestígio, a quem somente o anonimato, conservado neste LP, conseguiu reunir”.

O grande destaque do disco, lançado em 1965, é a versão do quarteto para “Canto de Ossanha”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Uma que considero essa uma das grandes canções da nossa música, outra que a versão, com o acréscimo de um órgão delicioso do Walter Wanderley, ficou irresistível, simplesmente arrasadora. E o disco ainda guarda outras grandes surpresas, confira. Todo esse mistério, sofisticação e bom gosto me lembram bastante a él Records.

quinta-feira, 15 de março de 2007

BMX Bandits

BMX Bandits | Life Goes On | Creation | CD

Em 1993 o Reino Unido nos brindava com tantos discos bons, boa parte deles inclusive da própria Creation, que esse clássico do BMX Bandits passou despercebido. E mesmo até hoje, só os mais atentos tiveram a sorte de descobrir esse verdadeiro tesouro. Oriundos de Glasgow, Escócia, os BMX Bandits surgiram em meados dos anos 80, ao mesmo tempo que o Teenage Fanclub, inclusive compartilhando membros entre si. Esse é o 4º disco da banda e disparado o melhor. Cheio de canções calmas, aveludadas e influenciadas pelo soft rock e folk dos anos 60, o álbum transcende épocas e soa tão bem hoje quanto na época. Violões, instrumentos de sopro, melodias perfeitas e letras fofinhas. O povo do Belle and Sebastian deve ter ouvido bastante esse disco. Inclusive lembro até hoje o meu comentário quando ouvi o B&S pela primeira vez: “nossa, parece o BMX Bandits com o Nick Drake cantando”.

O encarte é uma curtição a parte: várias fotos das duas meninas da capa esfregando bolo uma na outra. Ah sim, já ia esquecendo: quando o Francis MacDonald fez os shows do Nice Man em São Paulo, ele tocou “Serious Drugs”, presente nesse disco do BMX, atendendo pedidos ensandecidos de um doido da platéia: eu mesmo. Hehe!

quarta-feira, 14 de março de 2007

Always

Always | Thames Valley Leather Club and Other Stories | él / Cherry Red | CD

“It's a classic él Records release from the late '80s - art-pop-influenced, incredibly English, and darn good” – All Music Guide.

Always é uma “banda-de-um-homem-só” – o Kevin Wright - e esse CD é o relançamento do debut álbum de 88 com os dois EPs 12”s do período de bônus, todos (re)lançados pela legendária él Records. Esse é o meu álbum predileto da gravadora e ao ouvir fica fácil descobrir o porquê. Tem momentos de puro esplendor pop, assim como tímidos experimentalismos sonoros, mas o que mais cativa é o clima que predomina tudo: uma coisa cinemática, mais especificamente do gênero policial europeu. É trilha sonora perfeita para livros de literatura noir norte-americana dos anos 50. Dirigir a noite por bairros industriais meio abandonados com Always tocando causa frios na espinha de qualquer um. Acho que deu pra sacar o clima. Não é pop ensolarado, apesar de ter alguns momentos que chega perto. Indico para fãs de Felt, The Monochrome Set, Momus e The Railway Children.

A él Records sempre foi famosa por caprichar nas capas e encartes e com esse CD não poderia deixar de ser diferente. Mike Alway é o homem por trás da gravadora e da él Graphic. No arquivo você encontra o belíssimo encarte desse disco em alta resolução. Deleite-se. E numa coincidência típica de casais com gosto musical parecidos, a Ms. Tambourine colocou ontem os raríssimos singles do James Dean Driving Experience, que são difíceis de achar até em mp3. Está tudo organizado cronologicamente em pastinhas e tudo mais. Um achado!

(192 kbps com encarte)



terça-feira, 13 de março de 2007

The Hummingbirds.

The Hummingbirds | Love BUZZ | rooArt | CD

Oriundos da longínqua Austrália, os Hummingbirds são uma das melhores bandas de jangle guitar pop do final dos anos 80. Inclusive acredito que “Love BUZZ” é o álbum definitivo do estilo, já que o forte dessas bandas eram os singles, levando em conta o ano de lançamento: 1989 – aqui eles acertaram um álbum inteiro! Seja como for, é um disco e tanto. As harmonias vocais, divididas entre um garoto e uma garota, são de arrepiar, assim como os diversos hits de P!O!P! upbeat presentes no disco. Quase toda música é um acerto que deverá agradar em cheio fãs do The Chills, Close Lobsters e The Replacements. Depois a banda lançou mais um álbum que não chega a sombra do debut e acabou logo em seguida. Mas esse disco é um clássico, um dos definitivos do jingle jangle.


quarta-feira, 7 de março de 2007

Milkyway

Milkyway | In Love EP | Annika | CD-EP

Essa é uma continuação do post de ontem, portanto se você ainda não pegou o disco do Fine!, faça isso já, pois está correndo o risco de perder um dos clássicos recentes do indiepop. No disco tem uma música que é meio atípica do restante do álbum, pois é um dance europop que, em minha opinião, marca o ponto baixo num disco cheio de pontos altos. O produtor dessa faixa mais dançante é Guille Milkyway, o homem por trás do La Casa Azul, uma banda formada por membros imaginários que, como o Fine!, vem da fantástica Barcelona, Espanha. Em 2003 ele lançou esse EPzinho solo por uma micro gravadora local, a Annika. É um disquinho e tanto! Soa bastante como La Casa Azul, talvez um pouco mais dançante, mais ensolarado, perfeito para fãs de 60’s bubblegum, shibuya-kei e eurodisco. Um mini-clássico! Quem sabe no futuro coloco algum disco no La Casa Azul aqui. ;-)

(192 kbps com capa e contracapa em alta resolução)


terça-feira, 6 de março de 2007

Fine!

Fine! | Now That we’re Alone | Strange Ones | CD

Imagine uma banda que junte os melhores momentos do álbum “Life” dos Cardigans com o apelo cool do Style Council. Junte a isso referências ao indiepop suecos dos anos 90, de Eggstone e Acid House Kings, e pronto, você está perto do que é o som do Fine!, uma banda de Barcelona, Espanha, que em 2000 lançou um dos melhores debuts do indiepop de todos os tempos, mas que infelizmente permanece como uma das maiores obscuridades do estilo.

Lançado por uma pequena gravadora de Barcelona e distribuído somente para o mercado local, a música do Fine! ficou restrita a poucos sortudos, já que quase não existe informação sobre eles na Internet, muito menos locais aonde o disco é vendido. Aliado a isso, tem o nome comum, que dificulta a busca dos mp3s. O que é uma pena, já que eles certamente mereciam reconhecimento maior. A banda hoje em dia nem existe mais.

Esse disco é cheio de hits e um dos mais brilhantes é justamente a penúltima música, a única cantada em espanhol. Essa música se junta à última para criar um dos momentos mais sublimes de tempos recentes. Um final em grande estilo. Outros prediletos da casa são “He Smiles Sometimes”, “Philippe” e “Summer Revisited” (essa quase um tributo aos Cardigans). Não gosto de duas ou três músicas do disco, mas isso eu deixo para vocês decidirem. Por último, já viram o filme “Albergue Espanhol”, filmado em Barcelona? A música do Fine! tem tudo a ver com o filme, na minha opinião.

Ah sim, a banda lançou mais um 2º álbum, que nunca ouvi, apesar da vontade! Deles eu tenho mais um EP, caso alguém curta mesmo a banda, posso disponibilizar aqui no futuro.

(192 kbps com encarte)

segunda-feira, 5 de março de 2007

The Rain Parade

The Rain Parade | Emergency Third Rail Power Trip/Explosions in the Glass Palace | Restless | CD

A música pop é cheia dos movimentos que juntam bandas de uma mesma época, de um mesmo espaço geográfico e com um estilo de som parecido. O Paisley Underground aconteceu em Los Angeles no começo da década de 80 e reunia bandas que tocavam um psychedelic pop altamente influenciado por The Byrds, Velvet Underground e Big Star. Talvez o Rain Parade era a mais revivalista de todas as bandas do Paisley Undeground, que também incluía Dream Syndicate, The Bangles, Three O'Clock e Plasticland (que, pasme!, teve um LP lançado no Brasil na época).

Esse CD reúne o 1º e 2º álbuns da banda, os únicos que lançaram, respectivamente em 83 e 84. É um disquinho excelente. Dizem as más línguas que Alan McGee ficou tão abismado com o som do Rain Parade que sua banda Biff Bang Pow! nada mais é que uma tentativa de tributo aos mestres. Realmente, a semelhança entre as duas bandas é óbvia, assim como a superioridade dos norte-americanos. A influência do Rain Parade pode ser notada em diversos estandartes do indiepop inglês dos anos 80, como no The Loft e até mesmo no Television Personalities.

Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o Paisley Underground, no Wikipedia tem um ótimo artigo: http://en.wikipedia.org/wiki/Paisley_Underground. Quem quiser ir mais a fundo, a edição # 50 da ótima revista norte-americana Magnet dedica diversas páginas sobre o assunto (incluindo diversas fotos). Você pode adquiri-la no próprio site da revista. Uma última coisa: em São Paulo encontramos o Continental Combo, uma banda declaradamente influenciada pelo movimento.

(192 kbps com encarte)



sexta-feira, 2 de março de 2007

The Boo Radleys

The Boo Radleys | Giant Steps | Creation | CD

Estou ensaiando alguns dias para colocar esse disco aqui, pois ele me deixa sem palavras. É um álbum espetacular. Acredito que ele seja meio subestimado, apesar de que já o vi em várias listas dos melhores dez álbuns da Creation. Penso que deveriam falar mais dele por aí.

Lançado em 1993, é o terceiro disco da banda e marca uma melhora significativa em relação aos anteriores. Antes os Boo Radleys eram considerados uma banda do 2º escalão do movimento shoegazer, mas com “Giant Steps”, como a próprio nome já diz, eles conseguiram evoluir para além do shoegazer, incorporando diversas influências que vão do psicodelismo ao dub, com direito a deliciosos flertes com o mais puro esplendor pop.

Depois desse álbum a banda se rendeu definitivamente ao pop, com “Wake Up!”, de 1995, em minha opinião o último grande álbum da banda. Depois disso lançaram mais dois discos insignificantes e debandaram-se. Não conheço a carreira solo dos integrantes. Enfim, recomendo bastante esse álbum, que é um dos que mais ouvi na vida.

(192 kbps com encarte)


terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Shoestrings

Shoestrings | Wishing on Planes | Le Grand Magistery | CD

Shoestrings é um casal do interior de Michigan, EUA. Mario e sua esposa Rose, como podem ser visto na capa do único álbum, “Wishing on Planes”, lançado em 1996 (há mais de dez anos!). Enquanto ela toca os sintetizadores e faz alguns vocais, Mario é responsável por todo o resto. Duos apoiados por uma bateria eletrônica são marca registradas do indiepop, algo bastante comum, o que torna os Shoestrings especiais é o fato de eles serem um dos melhores. Esse disco é um clássico do estilo.

Na contracapa encontramos um pequeno texto escrito pelo Keith do Blueboy, aonde ele cita uma canção da fase Factory do The Wake e o disco-solo do Ben Watt. São algumas das referências que ouvimos - inclusive o próprio Blueboy. Ainda acrescentaria algo de Section 25 e Brighter. Ou seja, o que temos nesse álbum são 13 canções melancólicas, de certa forma climáticas, sempre com ótimas melodias pop. Fora esse disco eles lançaram um ótimo single 7” pela Sunday e algumas faixas em compilações de indiepop da época. E só. Nunca mais ouvi falar deles e na Internet não existe muita coisa.


domingo, 25 de fevereiro de 2007

The Jasmine Minks

The Jasmine Minks | The Revenge Of... | Rev-Ola | CD

Uma das primeiras bandas da Creation, lançaram seis discos e alguns clássicos singles. Esse disco reúne o melhor dos Jasmine Minks, priorizando as belíssimas canções do começo de carreira, que aconteceu lá pelos meados dos anos 80. O som deles esbarra no jangle pop dos Go-Betweens, no paisley underground do Rain Parade, no psicodelismo do Love e levemente no mod revival do The Jam. É difícil eleger algum destaque, já que temos 24 canções, a maioria delas muito boas. Mas muito mesmo! Em nenhum momento elas soam datadas, muito pelo contrário, a medida que envelhecem parecem se tornar ainda melhores, é o tipo de música que cresce com o decorrer de seguidas audições. Gosto cada vez mais dessa banda e olha que já os ouço por algum tempo.

Quem curtir esse álbum, recomendo comprar o CD, que vem com um encarte dobrável imenso (totalmente aberto mede quase duas folhas de sulfite A4) com diversas fotos, flyers e textos de Alistair Flitchett e Kevin Pearce (ambos do e-zine Tangents). O encarte não cabe no meu scanner, por isso não inclui o mesmo no arquivo com as músicas. E mesmo porque esse disco continua em catálogo e recomendo fervorosamente que comprem o mesmo e ajude a Rev-Ola continuar o ótimo trabalho de recuperar essas pérolas do catálogo da Creation. Pensei bastante antes de colocar esse disco aqui, é aquele dilema de estar ou não prejudicando a banda e a gravadora. Mas ainda acredito que aqueles que realmente gostarem e tiverem condições financeiras, vão atrás do original. É o que todos aqueles de bom caráter deveriam fazer.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Eric's Trip


Eric’s Trip | Love Tara | Sub Pop | CD

Lançado em 93, esse é o 1o álbum dessa banda canadense que tirou seu nome de uma música do Sonic Youth, presente em “Daydream Nation”. É uma das influências da banda, outras são o Dinosaur Jr., Sebadoh e Guided By Voices.

Esse disco é um clássico do meu quarto, ouvi ele bastante, muito mesmo. E ouço até hoje. Na época eu até escrevi sobre essa banda no meu fanzine, acho que em 94. É um disco barulhento, lo-fi e muito melódico. As guitarras são super distorcidas e cheia de timbres peculiares, não raramente eles usam pedal de distorção até no baixo, é uma coisa de louco. E os vocais são calminhos e cantados era pelo Christoper, ora pela Julie. O melhor do disco aparece quando eles perdem o controle e chegam perto de um punk rock tosco. As músicas rápidas são arrasadoras, simplesmente sensacionais e muito empolgantes. Eu costumava tocar “Sunlight” na pista do Atari, hehe. Perfeita pro air guitar!

Uma pena que depois esse álbum a banda não fez mais nada de brilhante. Tenho o 2º álbum, “Forever Changes”, e quase nunca ouvi. Também tenho um bom disco ao vivo e uns 7”s que foram lançados antes desse disco. São ótimos, seguem essa linha do “Love Tara“, seria uma boa idéia a Sub Pop compilar tudo num só CD, uma pena que estão preocupados com outras coisas no momento... e convenhamos: não ia vender nada.

(192 kbps com encarte)


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Henry's Dress


Henry’s Dress | Henry’s Dress | CD | Slumberland

Resumindo bastante, o Henry’s Dress misturava My Bloody Valentine com mod rock. Formada em 93, o trio capitaneado por Amy Linton (sim, a mesma do Aislers Set) lançou no ano seguinte um petardo pop arrebatador chamado simplesmente “Henry’s Dress”. Com pouco mais de 20 minutos e com apenas seis canções em 10 polegadas (o CD vem com dois bônus lançados originalmente em singles), esse mini-álbum é sensacional do começo ao fim. Com um som barulhento e sujo até não poder mais, mas com boas melodias e batidas vigorosas, buscando influências que vão de bandas punk 60’s de garagem, passando pela agressividade de um Huggy Bear ou mesmo Jesus and Mary Chain fase “Psychocandy”, esse disquinho é o clássico intocável de toda a carreira do Henry’s Dress e talvez até da própria Amy.

Os destaques aqui ficam por conta de “(You’re My) Radio One”, a melhor, rápida, suja, barulhenta e distorcida, mas altamente pop, com vocais de Amy. “Feathers” começa com microfonia pura apitando, que permanece durante toda a música, com muralhas de guitarra, batidas minimalistas e vigorosas, além de vocais baixinhos e tristes de Paul cantando numa melodia arrepiante. A entrada de “You Killed a Boy For Me” lembra por poucos segundos algo do Beat Happening, mas a impressão dura somente até a entrada do baixo cheio de fuzz e guitarras distorcidas e a melodia, que aí passa a lembrar alguma banda com vocais femininos da Class of 86 inglesa, como os Rosehips ou Shop Assistants.

Flying Saucer Attack


Flying Saucer Attack | Distance | CD | Domino/VHF

Apesar de ser considerado o 2º álbum da banda, na verdade esse CD é uma compilação dos compactos “Soaring High” (1993), “Wish” (1993) e “Crystal Shade” (1994), que foram lançados em tiragens limitadas pela própria banda e tinham capas feitas à mão. Em 94 a hoje famosa Domino Records os contratou e compilou esses singles num só CD, “Distance”. A gravadora também relançou o 1º álbum homônimo, que originalmente tinha sido lançado somente em vinil no mesmo esquema dos 7”s. Curioso é que nesses CDs a banda fez questão de imprimir mensagens como “CDs destroy music” (no caso de “Distance”) e “CDs are a major cause of the breakdown of society” (no caso do álbum homônimo). Mensagens impressas bem visivelmente no encarte, na lombada e no próprio CD.

A música do Flying Saucer Attack é extremamente ruidosa, (ab)usando de distorções e feedback de guitarras inacreditáveis, aliando à vocais serenos quase inaudíveis. “Crystal Shade” e “Soaring High” se encaixam nessa descrição e são minhas prediletas. Mas a banda vai além. “November Mist” é folk psicodélico, já “Oceans” e “Instrumental Wish” são drones, espécies de mantra contínuos atmosféricos e encantadores. Na época eu virava o cara para essas músicas, mas hoje em dia aprecio com a mesma intensidade todo o trabalho do Flying Saucer Attack, banda que indico para fãs de My Bloody Valentine, Neu!, Mogwai, Spiritualized, Animal Collective e Jesus & Mary Chain. Ah sim, um fato curioso é que em 94 e 95 eu tocava baixo na Comespace, uma banda que era bastante influenciada pelo FSA. Tocávamos até cover nos ensaios. Bons tempos!

Caso o Sendspace esteja sobrecarregado, use o link: https://www.hidebehind.net