quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Chapterhouse @ Luminaire.


Amigos, estou em Londres assistindo shows diariamente e pretendo escrever sobre alguns deles aqui no blog. Logo que cheguei, fui surpreendido pela notícia de que o Chapterhouse, um de meus shoegazers prediletos, ia fazer um show secreto na cidade, organizado pelo Robin, do selo Club AC30 (uma espécie de versão inglesa da Clairecords). É dele também as fotos que ilustra esse post. Agradeço-o imensamente! Segue uma resenha do show.

Chapterhouse @ Luminaire | 23/11/2009 | Londres

Chapterhouse foi formado no início dos anos 90, lançaram dois discos, sendo que o primeiro, “Whirpool”, de 1991, é considero o grande clássico, tendo inclusive uma edição brasileira em vinil, lançada na época. Foi relançado pela Cherry Red recentemente em CD, com várias faixas bônus. O álbum emplacou diversos hits nas pistas dos melhores inferninhos de São Paulo da época, como Retrô, Der Tempel e Armageddon. Feliz quem já dançou “Pearl” e “Falling Down” com luz estroboscópica e muita fumaça.

A banda acabou há uns bons anos, mas retornou agora para alguns shows. Eles dizem fazer esses shows para os novos e velhos fãs terem a oportunidade de ver a banda ao vivo. Esse show do Luminaire, uma casa pequena, menor que o CB, era “secreto”, somente para convidados, mais ou menos umas 100 pessoas. Mas quem organizou foi o Robin, do excelente selo Club AC30, que já lançou muita gente legal, dentre os quais os brasileiros do Wry. Robin também promove diversos shows na cidade e é relativamente próximo de meu irmão, que também organiza shows em Londres. Sendo assim, foi fácil meu nome ser incluído na lista de convidados da banda.

Perdi o show de abertura, do alemão Ulrich Schnauss (que recentemente processou o Guns and Roses por plágio e ganhou), mas cheguei a tempo de pedir uma pint de Guinness e me posicionar num bom lugar para ver o tão esperado Chapterhouse. A casa estava cheia e a maioria do público era formada por homens que aparentavam ter entre 30 e 40 anos. “Uns corcundas repelentes de vagina”, disse, citando uma resenha que havia lido recentemente. Meu irmão morreu de rir e a frase já virou piada recorrente. Mas depois de circular pelo local, pude notar que a presença feminina era forte também, sendo que algumas dançavam muito empolgadas em algumas partes do show – e que show!


Logo no começo já nos presentearam com “Falling Down” e foi espetacular, principalmente quando entra o refrão e os três guitarristas acionam os pedais de distorção, formando o famoso “wall of sound” característico dos shoegazers originais. A encorpada massa sonora era de arrepiar qualquer um. Alto e bem definido, o som das guitarras impressionava bastante. Os vocais, harmonizados entre dois principais vocalistas, também merecem destaque. O show seguiu e tocaram todos os hits, incluindo “Breather” e “Pearl”, sendo que os vocais femininos, originalmente gravado pela Rachel, do Slowdive, foram feitos por uma belíssima loira, que infelizmente desconheço quem era (N. do E: o próprio Robin, do Club AC30, me enviou uma mensagem depois de ver a resenha e disse que a garota também toca no Opus 3 e se chama Kirsty Hawkshaw).


Alguns devem saber que o Chapterhouse tem dois lados. A partir do segundo álbum eles relativamente abandonaram o shoegaze e apostaram num som bastante influenciado pelo movimento madchester da época, também conhecido como indie dance. "Precious One" e "Love Forever" são desse periodo e ao vivo a banda as toca com auxílio de uma bateria eletrônica e Ulrich Schnauss nos teclados. Mas esses dois lados da banda, que na época soavam bastante distintas, fez muito mais sentido ao vivo, percebe-se que esse lado mais dançante sempre fez parte da alma da banda e que, no fim, um lado complemente o outro de forma brilhante. Para finalizar o show, tocaram uma maravilhosa versão shoegaze de "Rain" dos Beatles. Fala sério!

Infelizmente a banda não tem intenção de reformar e nem de gravar novas canções, então resta aos fã esses ótimos shows, aonde entramos numa espécie de túnel do tempo e somos transportados para a boa e velha época da cena que celebrava ela mesma. A banda toca novamente na quinta-feira, dia 26/11, no Institute of Contemporary Arts, com abertura do Air Formation.

domingo, 22 de novembro de 2009

Magic Crayon.


Magic Crayon | Complete | Self-Released CDr | 2004

Finalmente aí estão todas as canções que o Magic Crayon lançou até o momento. Eu toco baixo! A banda está parada já vai fazer um tempinho, mas no começo dessa década nós estávamos com a corda toda. Foram ótimos momentos que passamos juntos. Lançamos duas "demos". A primeira como "power trio". Confesso que é a minha predileta até hoje.

(player deletado)

É dessa época também a canção que considero nosso melhor momento: "Love Doesn't Happen That Way". Fabio Barbosa, o baterista, tava muito inspirado nesse dia hehe. Até hoje tento fazer air drums quando ouço essa música e por pouco ainda não destronquei meus braços. Mas o grande destaque mesmo é o solo de guitarra do César, nitidamente mais alto que qualquer outro instrumento na mixagem, serviu para desmitificar que éramos uma simples banda de indiepop.


Depois veio a segunda demo, dessa vez com participação da Megssa nos vocais e do Paulo na segunda guitarra. O som ficou mais sofisticado, mas ainda sim o espírito lo-fi da banda permanece.

(player deletado)

Dessa fase a minha canção predileta é "Start", que inclusive chegou a ser lançada numa compilação no Japão (qualquer dia falo mais sobre isso). Os dedilhados do Paulo são o grande destaque, chegam até a me lembrar Felt.



Nós gravamos mais algumas canções que nunca foram lançadas oficialmente, é provável que muitos fãs vão ouví-las pela primeira vez agora, como é o caso de "Almost Blunder", uma brincadeira que fizemos num churrasco aonde todos da banda participávamos. O resultado ficou excelente, com ums sonoridade lo-fi que me deixa boquiaberto até hoje.

(player deletado)

Esse ano a banda foi convidada a participar do Nebraska Pop Festival, mas infelizmente nem eu e nem Barbosa tivemos condições de viajar até os Estados Unidos no meio do ano, então o César reformulou a banda (atualmente ele vive na Inglaterra). Convidou seu filho de 13 anos, o Lauro Zanin, para participar e regravou todas as canções para se encaixar na nova formação.


Daí surgiu o Zanin's Magic Crayon, que já fez diversos shows (e uma turnê nos EUA). Em breve vou entrevistar o César, aonde ele vai contar mais detalhes dessa turnê. Nesse link você pode fazer o download do disquinho que lançaram.


Esse é o CD do Zanin's Magic Crayon que recebi mês passado. Atualmente o César também toca na ótima banda In Cases. Você pode fazer o download do primeiro lançamento da banda aqui. Recomendo muito! Em breve vou falar mais deles.

Meia Palavra Basta # 12.



Calvin e Haroldo, meus personagens de história em quadrinhos predileto. A Conrad lançou diversos livros e recomendo muito adquirir todos. É um presente de natal perfeito. Em 2009 passei ótimos momentos me divertindo com os dois personagens de Bill Watterson, um verdadeiro gênio. Dias 25, 26 e 27 de novembro vai ter a famosa feira anual de livros da USP, aonde a Editora Conrad (e muitas outras) vende boa parte de seu catálogo pela metade do preço. Fica a dica.

Fanzines (em edição)

Vou passar o dia hoje tentando atualizar essa coluna com dica de alguns bons fanzines. Vamos ver se consigo.

Vídeo da Semana # 52.



The Wild Swans, "Young Manhood".

A melhor banda de 2009, foi também a que mais ouvi esse ano. Depois de mais de uma década inativa, voltaram a lançar belíssimas canções (foram dois singles), fizeram elogiados shows e com enorme prazer resgatei toda a discografia da banda e ouvi mais do que qualquer outra bandinha hype. Encontrei o primeiro álbum no eBay em vinil por um bom preço e considero essa a minha melhor compra do ano também. Uns dias atrás uma santa alma colocou esse vídeo no YouTube, então podemos dizer com segurança que mais do que vídeo da semana, esse é o vídeo do ano. Se tudo der certo vou ver eles ao vivo em Liverpool dia 11 de dezembro. Fiquem com The Wild Swans, não custa repetir, a melhor banda de 2009.

sábado, 21 de novembro de 2009

Moving Pictures.


Moving Pictures | Without Friends | Siesta | 1996

Se tua praia é twee pop, pode pegar esse disco sem medo de ser feliz. Banda espanhola, uma das primeiras contratadas da Siesta Records, esse é o álbum de estreia. Depois a banda lançou mais discos pela norte-americana Shelflife. Curtinho, tem pouco mais de vinte minutos. Curto e inofensivo. No YouTube tem vídeo de "Hummingbird", primeiro single 7" da banda, que não está presente desse álbum. Baixo melódico, guitarra limpa, vocal feminino afetado e bateria eletrônica. A verdadeira visão do inferno para alguns, o céu brilhante e ensolarado para outros. Indiepop fofinho não fica muito melhor que isso.

B'ehl.


B'ehl | Only a Paper Moon | Endearing | 1997

Um tempo atrás disponibilizei o segundo álbum do B'ehl, muitos gostaram, então agora aqui está o primeiro disco, lançado três anos antes, em 1997, período de grande efervescência da cena indiepop norte-americana. O CD vem com um mini-zine aonde encontramos as letras e umas histórias. Muito bacana.

(player deletado)

B'ehl, "Fiver"

Vou mostrar duas músicas que mostram bem os dois lados da banda. Em "Fiver" eles seguem uma linha mais punk, já em "Jammers Like Me" segue a linha mais indiepop convencional, com sensacional harmonia das duas vozes femininas.

(player deletado)

B'ehl, "Jammers Like Me"


Foto do encarte. Para fãs de Go Sailor, Bunnygrunt, Heavenly etc.

Sleepy Township.


Sleepy Township | Deep Water | Library | 2001

Cerca de um mês atrás coloquei a compilação de singles do Sleepy Township, que espero ter conquistado o coração de alguns de vocês como conquistou o meu hehe. Quem ouviu, percebeu que no fim do CD (que está em ordem cronológica) a banda está mais "sofisticada", com inclusão de alguns instrumentos e uma certa preocupação em não parecer muito lo-fi. Pois esse segundo disco da banda capta exatamente essa fase. É muito bom, como vocês vão poder conferir. Infelizmente depois desse álbum a banda acabou...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Kissing Book.


Kissing Book | Lines & Color | Magic Marker | 1999

Considero esse debut do Kissing Book, lançado há dez anos, um dos melhores discos de indiepop de todos os tempos. É ótimo do começo ao fim e a rica sonoridade nos lembra um cruzamento de Lucksmiths com The Apples In Stereo. Ouço com razoável frequência desde que foi lançado, não consigo enjoar. Adoro esse disco.

Tenho certo receio em colocar o álbum no blog, pois a gravadora Magic Marker continua com o álbum em catálogo, inclusive recentemente adquiri a cópia em vinil azul (muito linda, diga-se de passagem). So if you if you own the copyrights to any of these songs and want them removed, please contact me.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Meia Palavra Basta # 11.



Mais uma edição da coluna, dessa vez vou usá-la para levantar alguns assuntos polêmicos, já que sempre quando resolvo expor minha opinião sobre algumas coisas, a audiência do blog chega quase nas 600 visitas diárias. Sem contar que curto um bom debate, infelizmente não faço mais parte de nenhuma lista de discussão via e-mail, tive que sair da que fazia parte há mais de um ano, pois foi dominada por idiotas do tipo "sabetudo", uma patrulha do bom gosto que ninguém merece. Portanto usarei o blog para tratar de alguns assuntos que acho pertinente.

Começo citando Tom Wolfe, que recentemente criticou a "aristocracia do gosto" numa conferência em Porto Alegre. "Ao retratar nossa época, Tom Wolfe também se volta para o campo das artes, identificando o que classifica de "aristocracia do gosto", que leva criadores, críticos e apreciadores a acharem que são mais refinados do que a maioria, por preferirem "coisas que as outras pessoas não entendem". Trecho publicado ontem no O Estado de São Paulo.

Tom Wolfe é um dos fundadores do "new journalism", lançou vários livros bem legais e bla-bla-bla. O cara manja, sabe do que tá falando. Levando isso para o campo da música, hoje em dia não existe exemplo melhor para retratar a tal "aristocracia do gosto" do que o Animal Collective, seus fãs deslumbrados e toda a atual leva de bandas cópias. Eu até gosto, inclusive considero "Brother Sport" uma das grandes músicas dessa década, mas já perceberam como os fãs se acham superiores? Se encontram com alguém que não gosta da banda, a coisa fica feia... o nariz empina, o peito estufa e a atitude de "sou melhor que você" logo fica estampada na cara. Fala sério... dá pena de gente assim.

Outro dia, mestre Sérgio Martins, um dos grandes críticos musicais desse país, atualmente escreve na Veja, disse no Facebook, depois de assistir ao show do Twisted Sister: "Na boa, por que essas bandas de hard rock e metal que muita gente diz estar decadente fazem shows mais animados que 90% das apresentações de bandas de indie rock que assisti?". Depois de muita discussão, da qual eu infelizmente me envolvi, Sérgio publicou em seu perfil: "Vou formular melhor. Não acho que se trata apenas de mau gosto ou bom gosto. Eu acho que se trata de formação musical e referência. Procuro escutar de tudo - de Bruckner a Metallica, de Zezé di Camargo & Luciano a White Stripes, de Smokey Robinson a Ivete Sangalo e por aí vai. Em cada gênero musical, procuro separar o que é talento e o que é pura armação. Mas não suporto música mal feita e artista despreparado. Quando a atitude vale mais do que a música, é sinal que há algo errado." Um monte de gente concordou com ele, mas é óbvio que eu discordo, afinal adoro punk, adoro rock lo-fi, adoro assistir show em lugar pequeno de bandas "amadoras". Eu acredito que isso é outro caso da "aristocracia do gosto", criticada pelo Tom Wolfe. Mas pode ser que esteja errado, vai saber. Estou longe de
"saber tudo", nem tenho essa pretensão.

Continuando com o jornal O Estado de São Paulo em mãos, destaco outro trecho publicado hoje, num artigo de Lauro Lisboa Garcia sobre o Seu Osvaldo, considerado o primeiro DJ do país, que atuou de 1958 a 1968. "Como diz Tony Hits, outro especialista em baile nostalgia, no livro "Todo DJ Já Sambou", de Claudia Assef, DJ é "o cara técnico, que faz perfomance, virada, scratch". Discotecário como ele e Seu Osvaldo é o que se preocupa mais com a qualidade do repertório , sem malabarismos".

Apesar de discotecar com frequência já faz tempo, nunca me senti confortável com esse lance de "DJ". Inclusive de uns tempos para cá, sempre peço para não colocar DJ na frente de meu nome. Nunca tive preocupação em encaixar perfeitamente uma música na outra. Inclusive sempre achei a maior bobeira tentar fazer isso numa discotecagem rock'n'roll. Diferente de música eletrônica, aonde tal característica é obrigatória, numa discotecagem rock o que vale mais é o DJ ter conhecimento musical, do público presente e - olha lá! - bom gosto hehe. A partir de hoje sou discotecário.

E sobre a lista da NME, dos melhores discos da década, divulgada essa semana, vocês viram? Curti a lista, está bem coerente. O semanário é inglês e é natural que puxem a sardinha pro lado deles. Agora uns comentários... Curioso que, como bem disse Dodô (da Pelvs, no Facebook/Twitter), o primeiro da lista, debut dos Strokes, passaria desapercebido se fosse lançado em 94, por exemplo. Prova maior que essa década foi um lixo em termos de lançamentos nessa área que NME cobre. Nota-se também que a lista prioriza a primeira metade dos anos 2000, outra prova de que, se a década inteira foi um lixo, a segunda metade então, chega a ser algo constrangedor, uma total perda de tempo que será lembrada para sempre na história como a pior fase para o rock'n'roll em todos os tempos. E tenho dito!

Lógico que o fã de Animal Collective deve estar pensando "mas como esse cara fala merda!". Esse tipinho odeia tudo que é da NME, mas adora tudo que é indicado pelo Pitchforkmedia. Acha que é uma pessoa autêntica, com gosto musical refinado, que não segue as bandas "modinha da NME", mas vocês percebem que no fundo é tudo a mesma coisa? Todos seguem a mesma onda, seja a modinha Pitchfork ou NME. O final de ano está aí, daqui a pouco começam a aparecer inúmeras listas de melhores do ano. Um tédio. Todas as listas serão iguais, todos citarão os mesmos discos. Apesar de vivermos numa época aonde podemos ouvir de tudo, nunca ouvimos tanto a mesma coisa. Essa é a sensação que fica. Portanto meu amigo, tente sair do rebanho e ser mais autêntico. Esse é o conselho que dou para 2010.


Tinha mais coisa para dizer, mas preciso tirar a bunda da frente do computador, para viver a vida por aí. Até mais.

Continental Combo.


Continental Combo | Nova Manhã EP | Question Mark | 2003

Esse na minha opinião é o melhor disco nacional dessa década, o primeiro EP do Continental Combo, banda de Sandro Garcia, que vinha do Momento 68, mas também já havia tocado no The Charts e Fases & Faces. Já abre com a melhor música da banda, a sensacional "Nova Manhã" e segue impecável até o final, com "Sr. Ninguém", exclusiva desse EP. Gravado no legendário estúdio Quadrophenia, na zona oeste da cidade de São Paulo, lar de tantas outras boas bandas, como a minha, o Magic Crayon hehe. Sem muito o que dizer, só espero que peguem esse raro item da discografia da banda. Para fãs de paisley underground, The Byrds, The Jam e pérolas do power pop.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Damaged Goods 3.


VA | Damaged Goods The Cheap Sampler Volume 3 | Damaged Goods | 2004

Aí está a terceira edição, a última que foi lançada. Tenho uma coleção razoável de discos dessa gravadora. Gosto bastante. Quando começar a digitalizar meus 7"s, postarei alguns títulos. Nesse link você encontra a relação de músicas desse CD.


Essa é a história da gravadora presente no encarte. Como o próprio Ian Damaged diz, caso você curta tudo presente nesses CDs, precisa procurar um médico hehehe. Realmente, tem algumas bombas, mas no geral tudo me agrada bastante, sou fã da Damaged Goods, que acredito ainda não ter o reconhecimento merecido. São ignorados tanto pela NME, quanto pelo Pitchforkmedia, aí fica difícil.


Imagem presente no encarte.

Damaged Goods 2.


VA | The Second Damaged Goods Cheap Sampler | Damaged Goods | 2001

Esses CDs eram vendidos bem baratinhos na época. Era comum as gravadoras independentes lançarem esses "samplers", para mostrarem para o público parte do catálogo de discos lançados. No encarte desses CDs encontramos toda a discografia da gravadora, com capinha e tudo mais. Muito bacana. No verso tem o slogan "all this for the price of a pint and a packet of crisps", frase usada por várias pessoas na Inglaterra para se referir a algo realmente barato. Nessa segunda edição encontramos mais 30 canções, cuja relação pode ser encontrada aqui.


Imagem presente no encarte. Só lançam indiepop, garage e punk rock.

Damaged Goods 1.


VA | It's the Cheap Damaged Goods Sampler | Damaged Goods | 1997

Damaged Goods, além de ser a melhor música do Gang of Four, é também o nome de uma das mais importantes gravadoras independentes de Londres, Inglaterra. Especializada em indiepop, garage e punk rock, já lançaram centenas de discos em todos os formatos (priorizando o compacto em 7") e essa compilação reúne 30 das melhores canções de sua extensa discografia.


Encontramos diversos hits no CD e algumas curiosidades. Dentre essas temos o Television Personalities fazendo cover de Razorcuts e o segundo e clássico single dos Manics Street Preaches, banda que, caso não saibam, tem suas raízes na Class of 86. Dentre os hits fica difícil destacar algum... eu gosto de quase tudo.

Vídeo da Semana # 52.



Helen Love, "We Love You"

Lembro até hoje a sensação que tive ao ouvir essa música pela primeira vez. Era só sorrisos!

Bubblegum, punk pop, disco, don't stop,
Make a record in your home,
You don't need a studio,
Bubblegum, punk pop, disco, don't stop,
Drum machine, Casio,
Get it on the radio

Can't stop Julie and her synthesizer,
She's got more fizz than a bottle of Tizer,
Can't stop Sheena and her Super Kay,
With the fuzzbox on she'll play all day

Pop boy, pop girl, we love you,
Pop boy, pop girl, we love you,
Pop boy, pop girl, we love you,
We love you

Continua...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Brooklyn Bridge no Suppaduppa.


Galera, escrevi um texto aonde conto, de forma pessoal e despretensiosa, minha experência em ter participado dos três dias do festival Brooklyn Bridge, aonde tocaram Chairlift, Telepathe e Bear Hands no SESC Pompéia.

O texto foi publicado no ótimo site Suppaduppa. Vale ressaltar que não é uma resenha profissional, no sentido jornalístico do termo. São apenas minhas impressões, escritas em primeira pessoa. A ilustração acima quem fez foi a querida Bruna Canepa. Boa leitura.

Clique aqui: Festival Brooklyn Bridge - São Paulo, 12, 13 e 14/11/2009 Choperia do SESC Pompéia


Suppaduppa!

Discotecagem no Astronete.



Dia 19/11 é meu aniversário, vai cair numa quinta-feira, véspera de feriado. Ainda não me acostumei com essa ideia de meu aniversário cair em véspera de feriado... passei a vida toda sem essa e agora surge esse grande motivo para fazer uma boa festa. Então vamos lá! Vou comemorar na minha casa noturna predileta, o Astronete. Vou discotecar no dia também, para deixar tudo mais legal.

Não esperem ouvir hits do momento jogados pelo Pitchforkmedia, assim como Animal Collective e nenhuma de suas inúmeras cópias, também não tocarei nada influenciado pelo ritmo da África e muito menos por funk carioca. Deus me livre. Mashups e remixes nem pensar. Já tem casa noturna o suficiente na cidade tocando todas essas merdas. Astronete nunca seguiu esse tipo de tendência babaca e não vai ser eu que vou subverter o espírito da casa.

Portanto podem esperar ouvir os seguintes hits:

1. I'm From Barcelona, "We're From Barcelona"
2. Pains Of Being Pure At Heart, "Higher Than The Stars"
3. The Cribs, "Men's Needs"
4. The Beatles, "And Your Bird Can Sing"
5. The Boy Least Likely To, "Be Gentle With Me"
6. Dexy's Midnight Runners, "Come On Eileen"
7. The Velvet Undergorund, "There She Goes"
8. Pavement, "Range Life"
9. Minisnap, "New Broom"
10. Camera Obscura, "French Navy"

Não necessariamente nessa ordem. Pode ser que eu me esqueça de algo também, vai saber né? Mas deu para sacar o espírito da coisa. Espero que o Claudio Medusa não me dê bronca por excesso de indiepop hehe. Portanto é importante que a pista fique cheia, o que vai acontecer com certeza, afinal vai toda a turma!

No dia também vão discotecar os irmãos Click e o Logan, lembram deles? Então estaremos todos em casa. A banda Glass and Glue, do Rio de Janeiro, vai fazer show. Nunca ouvi ao vivo então nem posso dar opinião, mas pelo MySpace até que parece ser bacana.

Astronete
Rua Matias Aires, 183
Fone: 3151-4568
Preços R$ 15
Com nome na lista R$ 10
LISTA: listatombo@gmail.com
Evento no Facebook

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Bad Dream Fancy Dress.


Bad Dream Fancy Dress | Choirboys Gas | él | 1988

Disco da él de 88, relançado em CD em 93 pela Richmond, subdsiária da Cherry Records. Quem toca todos instrumentos é Simon Turner, também conhecido por The King of Luxembourg, que lançou diversos discos pela él. Ele toca, mas quem canta é Cally e Katz, duas amigas festeiras e inteligentes do interior da Inglaterra. Ouça o divertido hit "The Supremes":

(player deletado)

A música desse ótimo álbum de Bad Dream Fancy Dress já foi descrita como "The joy of sex and the pleasures of subversion are charted on a great album that is Punk wrapped in a chocolate box".


Ótima foto da contra-capa. Fala a verdade, "punk wrapped in a chocolate box" é a melhor descrição para uma banda já feita hein? Melhor de tudo é que cabe direitinho.

Posts relacionados: Belíssimo parte 1 e parte 2, Would-Be-Goods, Louis Phillipe.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sorteio Ingressos Brooklyn Bridge.


Esses aí são o Chairlift. Todos já estão sabendo que começa quinta-feira a primeira edição do festival Brooklyn Bridge? Pois então, o blog mais querido do país, aquele que presenteia os leitores com ótimos discos fora de catálogo quase que diariamente, agora também vai sortear ingressos para o evento. Tenho um ingresso por dia e o sorteio vai ser amanhã, quinta-feira, 12/11, as 18 horas. Mande um e-mail para gcustodiojr@gmail.com com o nome da banda que você quer ver no SESC Pompéia. Opa, saiu os ganhadores:

GANHADORES:

Regina Oliveira (Chairlift)
Carolina Palmeira (Telepathe)
Aloizio Nascimento Neto (Bear Hands)

Serviço:

Brooklyn Bridge – Ponte Brooklyn-Pompeia
Sesc Pompeia - Choperia

R$ 28,00[inteira]
R$ 14,00[usuário matriculado no SESC e estudantes com comprovante]
R$ 7,00[trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC]

Ingressos a venda nas bilheterias da rede SESC.

Rua Clélia, 93
Pompeia
São Paulo - SP
cep 05042-000

Não é permitida a entrada de menores de 18 anos.

Espera que tem mais!


Quinta-feira (12/11), logo após o show do Chairlift, o Brooklyn Bridge emenda para o Sonique, com DJ Set especial das garotas do Telepathe, mais o público do show e o pessoal das bandas. A noite também contará com discotecagens das meninas da Chá com Bolachas, de Carlos Farinha (Bizarre) e do Dominódromo. O Brooklyn vai estar logo ali.

Festa de lançamento Brooklyn Bridge

· Telepathe DJ Set

· Chá com Bolachas

· Carlos Farinha (Bizarre)

· Dominódromo (Fernando Araújo, Karen Kopitar e Rodrigo Maceira)

Quinta-feira, 12 de novembro
Sonique – R. Bela Cintra, 461
H - R$40 de consumação (R$20 na lista - contato@dominodromo.com.br)
M - R$00

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Picture Center.


Picture Center | Dead EP | North American | 1998


Banda formada por, entre outros, Mark Dobson, que era o responsável pelas melódicas linhas de baixo do Field Mice. Esse é o EP de estreia, que foi produzido por ninguém menos que Ian Catt, o meu produtor predileto. A música do Picture Center é levemente etérea, introspectiva e com algumas batidas eletrônicas bastante agradáveis, lembra um pouco Trembling Blue Stars e Cocteau Twins. Adoro. No futuro ainda posto os dois discos que lançaram, que são bastante difíceis de serem encontraodos.

Plaid.


Plaid | Not for Threes | Warp | 1997

Terceiro álbum dessa dupla eletrônica, o primeiro pela renomada gravadora Warp. Mês passado eles tocaram na choperia do SESC Pompéia e fizeram um show excelente, com muito ruído, beats tortos e rápidos, porém sempre dançantes. Coisa fina. Sem contar que show na choperia é sempre uma delícia, considero esse o melhor local para shows ao vivo em São Paulo. Aproveito para lembrar mais uma vez que nessa quinta começa a primeira edição do Brooklyn Bridge, festival que trás para o SESC as bandas nova-iorquinas Chairlift, Telepathe e Bear Hands. Imperdível.

Os 20 anos da Midsummer Madness.


A instituição indie brasileira Midsummer Madness completa 20 anos em 2009 e aos poucos estão surgindo as homenagens. O blog Last Splash produziu um pequeno documentário aonde o Rodrigo Lariú conta um pouco da história toda, além do pessoal do PELVs e o Lê Almeida, representando a nova geração.

Clique aqui para assistir os vídeos, divididos em três partes.


Deixo aqui meus sinceros agradecimentos ao Eduardo, do blog Last Splash, sempre com bons discos, textos informativos e esses vídeos-documentários que são verdadeiras pérolas que serão lembradas para sempre. Parabéns!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sleepless.


Sleepless | Untitled CDr | Self-Released | 2007

Em "Sweeping The Nation" o Spearmint dedica a canção a todas as bandas que nunca tiveram um disco lançado, nunca tocaram no rádio, nunca ninguém ouviu. Pelo fato de editar fanzines desde 93, ver shows ao vivo toda semana há uns 15 anos, frequentar assiduamente lojas de discos, posso afirmar com segurança que conheço uma porção dessas bandas. Uma das melhores é o Sleepless, de Londres.

O som deles é shoegaze. Descobri a banda quando fui ver um show do Ecstasy of Saint Theresa em Londres, em 2007. O Sleepless abriu o show. Dois caras e uma bateria eletrônica. Fiquei estupefato com o som que eles tiravam com tão pouco recursos. O show foi sensacional, teve momentos em que, sem brincadeira, eu quase chorei. Nunca tinha visto uma banda shoegaze tão boa na minha frente.

No fim do show eu cheguei no guitarrista/vocalista e disse o quanto tinha gostado deles. Disse que era do Brasil, todo aquele bla-bla-bla de um típico deslumbrado, fato é que eu estava mesmo, com o queixo no chão. Ele deve ter percebido, em certo momento foi até a mochila, pegou esse CDr e me entregou. Me disse que a banda não havia lançado nada ainda, que só tinha gravado essas músicas.

Ao ouvir a canção Spearmint hoje, fiquei pensando nas bandas que só lançaram uma única demo, distribuíram poucas cópias e sumiram do mapa. Sempre quando penso nessas bandas, lembro desse CDr do Sleepless. Eu devo ter ouvido esse CDr umas trocentas vezes. Ouvi muito, pois é excelente, como vocês vão poder comprovar ao ouví-lo também.

Aproveito para avisar que o camarada Juan, da Espanha, que tem os melhores blogs da Internet (A-Fluor, Outdoor Miner, My Dreams Never End etc), acaba de inaugurar um aonde ele só vai postar sons shoegazers. O nome é Noviembre. Inclusive na edição # 4 das compilações do Club AC30, tem uma canção do Sleepless.


Sleepless, "Lights"

Post relacionado: Mayumi.

Spearmint.


Spearmint | Sweeping The Nation EP | hitBACK | 1999


Olha que curiosa coincidência. Uns dias atrás escrevi sobre o Ooberman: "Aí vocês me perguntam, como fui conhecer essa banda? Numa das newsletters enviadas via correio para quem fazia parte do mailing-list de Matt, da Sarah Records / Shinkansen, ele metia o pau na cena inglesa da época, mas se dizia esperançoso, graças a novas bandas como Spearmint e Ooberman. Aí foi simples: grifei esses dois nomes e fui atrás dos singles. Matt acertou em cheio, como sempre".

Ontem assisti o filme indie da temporada, o ótimo e delicioso "500 Dias Com Ela", aí num certo momento, quando o casal está numa loja de discos, o cara fala "It pains me that we live in a world where nobody’s heard of Spearmint". A menina responde que ela também não conhecia e ele rebate: "Mas é do Spearmint a música que abre a mixtape que gravei para você...". Ah mulheres... enfim hehe, nem precisa dizer que quase cai da cadeira nessa hora, vibrei por terem lembrado do Spearmint!

Na época que esse single "Sweeping The Nation" foi lançado, o grande destaque era a clara influência de northern soul, principalmente pelo fato da canção ter um sample de "Out On The Floor" de Dobie Gray, "probably the single biggest and most acclaimed Northern Soul record of all time". Na época poucas bandas eram influenciadas pelo soul (só me lembro do Comet Gain e os suecos Gentle Tuesday) e essa mistura de indiepop com soul é algo que se encaixa muito bem. Logo depois desse single eles lançaram o álbum "A Week's Away", aonde trabalharam ainda mais essa mistura e o resultado é magnífico.

Desde "Sweeping The Nation" (canção que foi incluída na compilação dupla "Indiepop 1", lançada pela Rough Trade ano retrasado) que sou grande fã do Spearmint. Meu irmão também adora a banda e nós colecionamos tudo deles. Talvez seja um dos grandes segredos do rock inglês dessa década.


Essa é uma imagem do encarte do single. Curioso que logo no começo de "Sweeping The Nation", eles a dedicam para:

"this song's dedicated to
some of the best bands in the country
some of the bands we never got to hear
bands who never got any records out
never got played on the radio
never got written about in the press

this song's dedicated to open up
this song's dedicated to said liquidator
this song's dedicated to supersaurus
this song's dedicated to:
aaga, kicks, the interrogated
seize the infidels, chance
and Laverne & Shirley"


Esse é o card que acompanha o single. Já havia declarado minha paixão pelo Spearmint nesse post, aonde disponibilizei o álbum "My Missing Days", meu predileto da banda. Ouça! Eu também sinto uma certa dor ao saber que vivemos num mundo aonde ninguém nunca ouviu falar do Spearmint. ;-)

domingo, 8 de novembro de 2009

Meia Palavra Basta # 10.


Mais uma edição da coluna Meia Palavra Basta, dessa vez começando pelos premiados artistas de história em quadrinhos Fábio Moon e Gabriel Bá. Só recentemente tive contato com o trabalho deles, através da graphic novel "Crítica", que reúne algumas HQs da dupla (que são irmãos gêmeos). Esse trecho acima faz parte da história "Feliz Aniversário Meu Amigo", e o curioso é que eles vão comemorar esse aniversário na Funhouse, olha só que barato!

Uma de minhas casas noturnas prediletas de São Paulo, foi muito legal ver os desenhos dos interiores. Aparece o bar, a pista (a banda Pullovers toca no dia) e a parte de cima, com o jukebox e a "mesa de compactos". Na época da história não tinha o bar de cima ainda, a entrada de deficientes não havia sido criada, podia fumar e aquele cara com o rosto todo tatuado (sempre esqueço o nome dele...) atendia a galera no bar.

Os gêmeos (não confundir com os grafiteiros) começaram a publicar seus desenhos nos anos 90, com o fanzine 10 Pãezinhos, que existe até hoje em formato de blog. Vale a pena conferir. Eles já lançaram diversos livros, alguns ganharam prêmios famosos como Jabuti e Eisner Awards. No blog tem toda a história deles e a relação desses livros. Recomendo bastante.

Festival Brooklyn Bridge no SESC Pompéia.

Muitos links e dicas bacanas ainda o aguardam, prezado leitor. Como os shows do festival Brooklyn Bridge, que acontece essa semana na Choperia do SESC Pompéia. É como se fosse a Invasão Sueca, mas em vez de suecos temos os noiva-iorquinos do Brooklyn. Hoje, uma das mais empolgantes cenas musicais de NY acontece no Brooklyn, como já escrevi a respeito ano passado no blog, quando destaquei Vivian Girls, The Pains of Being Pure At Heart, Crystal Stilts entre outros, lembram? Pois é. O Brooklyn Bridge traz Chairlift, Telepathe e Bear Hands para São Paulo. Bandas muito boas! O blog Dominódromo publicou um ótimo post aonde eles explicam mais detalhadamente sobre cada banda, confiram aqui.

Uma das razões dos artistas de Nova Iorque estarem migrando para o Brooklyn é que o custo de vida na ilha Manhattan está muito alto hoje em dia. Então a galera resolveu cruzar a ponte, a famosa Brooklyn Bridge. Fico pensando que em São Paulo é questão de tempo para acontecer a mesma coisa. Um dos bairros que eu vejo com grande potencial para reunir artistas é o Butantã, que abriga a USP, fica colado à Vila Madalena e a partir de 2010 vai ter metrô, que vai atravesar a ponte (no caso a Ponte Eusébio Matoso, que cruza o Rio Pinheiros). Nasci e cresci no bairro, moro até hoje e não pretendo sair daqui, portanto torço para que isso aconteça mesmo!

Site oficial Brooklyn Bridge.

A volta do Pin Ups, que aconteceu no CB.

Sexta-feira passada fui assistir a volta do Pin Ups, acredito que algum de vocês devem estar curiosos para saber como foi. Bom, já adianto que não foi o que esperava. Pelo que entendi, pensei que fossem tocar o "Time Will Burn", clássico disco de 89, na íntegra. Além disso, estariam presentes os membros da formação original. Nada disso aconteceu. Eu já tinha achado estranho, pois o baterista dessa época é o Marquinhos, que toca no Thee Butchers' Orchestra e em vária outras bandas. Acontece que ele renega esse passado, faz tempo que se converteu as garage bands de forma radical e odeia tudo que é relacionado ao indie rock. Normal, gosto é gosto, respeito muito o Marquinhos, um verdadeiro punk rocker. Quem tocou bateria foi o Flávio, segundo baterista do Pin Ups, hoje toca no Forgotten Boys. No baixo tinha um cara que eu não conhecia, mas a querida Natascha me disse ter visto ele tocando com o André Abujamra.

O local estava muito cheio, impossível assistir o show da frente sem sofrer com o empurra-empurra. Então preferi assistir os shows do fundão, estrategicamente posicionado embaixo de um ar-condicionado e ao lado do bar. Desse local o som estava muito ruim, o vocal alto demais e a guitarra baixa. O som do baixo também estava todo embolado. Mesmo assim o Pin Ups fez um ótimo show, o Luiz Gustavo continua com aqueles mesmos trejeitos de antigamente, ele anda rápido de um lado pro outro, carregando o pedestal e o microfone junto, fazendo uma cara de louco. Muito figura. O grande momento foi quando tocaram "Goin On" e logo em seguida "Bright". A casa veio abaixo nessa hora, tinha até uns doidos sendo carregados pela galera na frente do palco. Excelente show de rock'n'roll.

Podcasts e rádio on-line.


Sempre fui muito fã de rádio e tem certos programas que definitivamente foram muito importantes para minha formação musical, como é o caso do Rock Report, do Fábio Massari (foto). Lá pelos meus 10 anos de idade eu era grande fã de metal e ouvinte atento do Backstage, do Vitão Bonesso (na época passava na rádio rock 97fm, de Santo André). A outra rádio rock da cidade era a 89fm, que existe até hoje. Tinha bons programas e eu era fã do Rock Report, que aos poucos foi me apresentando bandas que até hoje fazem minha cabeça. Uma das bandas que descobri ouvindo o programa foi o Sonic Youth, por exemplo.

Não tenho irmãos mais velhos e na época todos meus amigos ouviam somente metal ou hip hop. Então considero esses iluminados do rádio como meus grandes mestres, meus irmãos mais velhos. Sou um grande sortudo, pois desde pequeno já aprendi as lições com as pessoas certas. Eu ouvia esses programas com uma fita K7 preparada para gravar os bons momentos, além de papel e caneta para anotar os nomes. Era algo bastante didático mesmo. Escrevia cartas para todos eles pedindo mais informações e não raramente eles falavam meu nome no ar. Quando, aos 13 anos, editei meu primeiro fanzine (com Sonic Youth na capa), enviei para todos radialistas, que o divulgaram no ar. Momentos emocionantes.

Portanto devo muito ao Fábio Massari, Kid Vinil, Fernando Naporano, Roberto Maia e Vitão Bonesso. Grandes mestres. O legal é que até hoje podemos ouví-los na rede. O Massari voltou a fazer programa de rádio, ele apresenta o Etc todo domindo as 22 horas, na nova rádio Oifm (em São Paulo, pega na estação 94,1). Todos os programas ficam arquivados aqui. O grande barato do Massari é que ele fala bastante entre as músicas, explica direitinho de onde vem tal banda, gravadoras, artistas similares e o melhor: boas histórias. Nesse último programa, Massari conta uma história sensacional do Superchunk, quando a banda veio tocar no Brasil, ele os levou para almoçar no Canindé, comer a galinhada do Bahia e aproveitou para assistir o clássico Portuguesa vs. São Paulo. A banda amou e quando descobriu que a Portuguesa atendia também como Lusa (de Lusa para loser é um pulo), eles passaram a torcer loucamente pro time hahaha! Mas não deu, o jogo foi 4x2 pro São Paulo, mas mesmo assim foi jogão, com 6 gols, os gringos pagaram pau.

Outro grande nome da rádio é o Roberto Maia, um dos cabeças da Rádio Brasil 2000 (hoje 107,3fm). Hoje em dia ele produz o ótimo podcast Momento Maia. Um fator importante que diferencia esses podcasts dos mestres do pessoal amador que também faz é que, além de conhecerem bastante de música, eles são ótimos locutores, que é o caso do Maia, radialista profissional. É um grande prazer ouvir a voz dele falando sobre as bandas.

Kid Vinil dispensa apresentações. Atualmente apresenta o ótimo podcast Artrock e um atrelado a MTV. Abaixo veja a prévia do Artrock # 36.



Recentemente ele deu uma entrevista ao camarada e antigo colaborador do Esquizofrenia, o Rodney Brocanelli, que hoje em dia escreve esse ótimo blog, o 4 Paredes, aonde certos figuras contam o que gostam de fazer em casa. O do Kid Vinil está engraçado, pois ele diz que não curte cinema, não curte vídeo-game, não curte literatura, não curte nada além de música, inclusive o único hobby dele é o de comprar discos hahaha. Grande especialista! Um figura muito querido e todos somos bastante privilegiados de ter uma pessoa como ele compartilhando tudo o que ouve.

Fábrica de vinis voltou.

Agora é oficial: a Polysom, única fábrica de vinis da América Latina, localizada em Belford Roxo, RJ, está de volta e aceitando pedidos para fabricação de LPs e 7"s. O e-mail de contato é comercial@polysom.com.br e a tiragem mínima é de 300 discos. Uma das pessoas responsáveis por essa volta é Rafael Ramos, que nos anos 90 tocava no Soutien Xiita, que marcava presenta em todos os fanzines da época. Ele também trabalha na Deckdisc e avisa que "Pitty, Nação Zumbi, Fernanda Takai e Cachorro Grande sairão em LPs pela Deckdisc". Também diz que "existe um projeto para relançar em vinil todos os títulos da Legião Urbana" (como se já não tivesse vários deles encalhados pelos sebos do Brasil hehehe).

Isso me lembra de incorporar no blog essa entrevista do Luiz Valente, do selo Vinyland, que lançou diversos compactos em 2009. Ele fabrica todos na Inglaterra, deixa boa parte lá mesmo, nas lojas e distribuidoras, e dá um jeito de trazer para o Brasil algumas cópias para vender por aqui. Mas agora, com a volta da Polysom, acredito que o esquema vai mudar (isso é, se o vinil fabricado na fábrica tiver boa qualidade, pois antigamente não tinha).



Quem produziu essa entrevista foi o pessoal do blog Last Splash, com Lê Almeida de trilha sonora.

É isso, até a proxima edição da coluna Meia Palavra Basta.

sábado, 7 de novembro de 2009

Ooberman.


Ooberman | Shorley Wall EP | Independiente | 1999

Ao ouvir Seashells lembrei desse clássico e obscuro single do Ooberman, banda inglesa que surgiu na ressaca do britpop e não teve o reconhecimento merecido. Lembrei pois a letra do refrão diz que "Shorley Wall, she's selling seashells up on Shorley Wall, where the ocean swells and leaves you small".



Aí vocês me perguntam, como fui conhecer essa banda? Numa das newsletters enviadas via correio para quem fazia parte do mailing-list de Matt, da Sarah Records / Shinkansen, ele metia o pau na cena inglesa da época, mas se dizia esperançoso, graças a novas bandas como Spearmint e Ooberman. Aí foi simples: grifei esses dois nomes e fui atrás dos singles. Matt acertou em cheio, como sempre.

Esse single foi produzido por Stephen Street, que considero o quinto integrante dos Smiths. Levou o prêmio de melhor single de 1999 pelo jornal The Times, pelo James Dean Bradfield (Manic Street Preachers) e Mark Radcliffe da Radio One.



No arquivo também está incluso o single "Blossoms Falling", lançado logo em seguida. Mas pra mim o ápice da carreira dessa banda (que existe até hoje, olhem só) é mesmo com a espetacular "Shorley Wall", uma das melhores músicas de todos os tempos para abrir uma mixtape. ;-) Eu adoro a parte que a menina canta, depois dos 3 minutos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Seashells.


Seashells | Sunshine Eyes EP | Marsh-Marigold | 1993

Ótima banda sueca que representava muito bem a cena indiepop no começo dos anos 90. O som deles é bem típico do estilo, com guitarras jingle jangle e vocais suaves bastante melódicos. O EP já abre com a excelente "Beatrice":


Seashells, "Beatrice".

Essa música quem me apresentou foi o amigo Marcos, no início dos anos 2000, na época vocalista do Magic Crayon, hoje mora em Toronto, no Canadá. Acho que num dos ensaios ele presentou todos da banda com uma mixtape em CDr e a música que abria era esse petardo. Esse CDr tenho por aqui até hoje, inesquecível.


Foto da banda na contra-capa.

Tamba Trio.


Tamba Trio | Tamba Trio 7" EP | Phillips | 1965

Clássico compacto do Tamba Trio, lançado no ápice da banda, entre o terceiro e quarto disco, somente com faixas inéditas. Item raríssimo. Para quem curte bossa nova, mas com a pegada dançante do samba jazz, é obrigatório. Tem a minha canção predileta do estilo, "Samblues", de César Camargo Mariano, que na época tocava no Sambalanço Trio, que gravou essa música em seu primeiro disco, também de 1965. Apesar de que essa versão de Luiz Eça e seu Tamba Trio é meio... er, estranha. Confiram.

The Fuzztones.


The Fuzztones | Lysergic Emanations | ABC | 1985

Clássico absoluto do garage rock, esse é o primeiro disco dos grandes, mas muito grandes The Fuzztones, banda nova-iorquina adorada por todos que curtem underground 60's. Nos anos 80 comandaram o primeiro dos vários revivais do estilo, que até hoje é muito forte. Em São Paulo muitas excelentes bandas foram diretamente influenciadas por esses doidões, como The Ultimates, Fuzzfaces, Transistors e mais recentemente Os Haxixins. Disco obrigatório para qualquer apreciador do bom e velho rock'n'roll, inclusive esse disco apresenta diversas versões de clássicos 60's do estilo. Anima qualquer festa.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Push Kings.


Push Kings | Push Kings | Sealed Fate | 1997

Um dos integrantes do Black Fantastic também toca no Push Kings. Esse álbum de 97 é o primeiro deles. Estava encostado na estante há uns 10 anos mais ou menos sem ninguém tocá-lo, hoje resolvi pegar ele pra ouvir e foi uma boa surpresa. Na época lembro que não fui muito com a cara e por isso deixei de lado. Fui injusto com a banda, que fica entre a tênue linha entre o indiepop e o power pop. Ouça "Florida", um dos destaques:


Push Kings, "Florida".


Foto do encarte. Tenho uma história curiosa com Push Kings. Em 2000 estava em Los Angeles e fui visitar a famosa college radio KXLU. Quando chego, quem eu vejo tocando nos estúdios? Os Push Kings. Minha namorada na época gostava deles muito mais do que eu, aí eu comentei isso com eles e acreditam que dedicaram uma música pra ela? Foi muito bacana. Tenho isso numa fita K7 em algum lugar até hoje.

Moose.


Moose | Baby It's Over! EP | Saltwater |1999

Nem só de compactos a Saltwater vivia, a gravadora também chegou a lançar esse EP em CD single, que marcou a volta em grande estilo do Moose, ótima banda shoegaze que fazia a felicidade de muito popkid no início dos anos 90. Mas a grande surpresa foi que o Moose voltou com uma sonoridade bastante diferente, mais sofisticada e com uma deliciosa pegada pop, como pode ser conferido no b-side abaixo (sim amigos, esse é o *b-side*, então imagina o que te aguarda no restante das faixas do single):


Moose, "The Only Man In Town"

Esse CD single, lançado em 99, é com certeza um dos melhores lançamentos daquele ano, senão for o melhor. No fim a gravadora Saltwater faliu e o single sumiu do mapa, hoje em dia é raríssimo (e o prometido disco do Black Fantastic também não foi lançado).

No ano seguinte o Moose lançaria o excelente álbum "High Ball Me!" pela Le Grand Magistery (se alguém quiser, posso postar o disco no futuro) e sumiria do mapa... aliás, boa pergunta, né? Por onde anda o Moose? Deixo aqui meu agradecimento ao Eduardo, do blog Last Splash, que me passou a dica do Goear.com para conseguir postar algumas músicas em streaming. Agora o bicho pega, aguardem.