sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Girls Against Boys.


Girls Against Boys | Venus Luxure no. 1 Baby | Touch & Go | 1993

Esse é clássico de tudo, arrisco a dizer que é o meu disco de música pesada predileto. Todas as músicas são muito boas, eles conseguem fazer um rock de macho, mas claramente muito sexy também. A pegada concisa e barulhenta deixa qualquer um de boca aberta. Ouvir isso alto no carro é um perigo, dá vontade de acelerar cada vez mais. Hiper recomendado. Leia os comentários dos clientes da Amazon americana e veja que não estou exagerando. Primeiro e clássico álbum dos "grandes, mas muito grandes" Girls Against Boys.

Vídeo da semana # 21.



The Waterboys, "The Whole of the Moon"

Lembro quando comprei o LP "This Is The Sea", já faz um bom tempo, conhecia Waterboys só de nome, aí logo na primeira faixa surge "The Whole of the Moon", com todo seu esplendor gigantesco, meu queixo caiu na hora. Já conhecia essa música e nem sabia que era deles. Nesse mesmo dia a ouvi umas dez vezes.

Recentemente descobri esse vídeo, essa versão ao vivo que, fala sério, vai ser perfeito assim lá na Inglaterra! (OK, essa foi péssima haha). Na hora veio em minha cabeça a primeira vez que vi o Echo and the Bunnymen tocando "Killing Moon" ao vivo na Via Funchal, que também foi de uma perfeição sem tamanho. Essas canções tipo hino do rock inglês sempre me impressionam quando são executadas ao vivo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pia Fraus Remixes.


Pia Fraus | Ten Remixes Of Yenissey | Seksound | 2008

Esse disco consiste, como o próprio nome já diz, em dez remixes para a canção "Yenissey", do ótimo álbum "After Summers" que o Pia Fraus lançou ano passado. Apesar de parecer uma coisa chata, afinal remix por si só já é um porre, esse disco consegue se sobressair pela escolha dos artistas e pela interessante releitura que cada um fez da citada canção. Temos remixes de nomes conhecidos como Teenage Fanclub, International Airport e His Name Is Alive, e outros mais desconhecidos, como o do Galaktlan (que fez a minha versão preferida), que pelo que descobri, são conterrâneos da Estônia.

Ensaio do National.



National, "Ensaio".

O amigo Glauco me enviou esse vídeo hoje, um trecho de um ensaio do National, uma de minhas bandas nacionais prediletas. Fiquei fascinado com esse instrumento indiano que gera drones no melhor estilo Stars of the Lid. Perguntei para ele o nome do bichão, mas ele respondeu que não lembra haha. Fiquem aí com essa aula de como fazer drones usando sampler, sintetizador e esse instrumento pouco usual, o que já é marca registrada do National - no último show deles que vi, usaram umas calculadoras que geravam sons de números em diversas línguas. Genial.

Link direto para o vídeo no Vimeo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

ISAN.


ISAN | Trois Gymnopedies 7" | A Number Of Small Things | 2006

Esse compacto do ISAN tem três versões de pérolas do Erik Satie, compositor e pianista francês do começo do século que tem belíssimas e melancólicas canções que são influências básicas para um monte de gente que eu - e provavelmente você - gosta. No lado A tem uma de minhas composições favoritas de Satie, uma beleza. O ISAN é uma ótima banda alemã que geralmente lança seus discos pela Morr Music. Poderiam ser rotulados de indietrônica, caso esse não fosse um rótulo tão infame.

PS.: Para quem estava esperando, a tradução da resenha do Tim Hecker ficou pronta. Recomendo ouvir as faixas 3, 4, 5 e 6 em seguida, são minhas prediletas.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Tim Hecker.


Tim Hecker | Harmony In Ultraviolet | Kranky | 2006

Resolvi traduzir esse texto que descreve como ninguém esse belíssimo disco, o quarto de Tim Hecker, o melhor da carreira dele. NO futuro devo escrever mais alguma coisa, pois eu também sinto vontade de me expressar quando o ouço.

"'Harmony In Ultraviolet' tem a consciência da exploração e tristeza e entendimento da infinidade e incerteza e extensão do mundo. Temas são introduzidos – um arpejo em loop, um riff de guitarra distorcido, notas únicas de teclado – mas nada é inteiramente desenvolvido, nada é completamente exposto a si mesmo. Em vez disso, existe uma sugestão do que é construído e sobreposto, porém nunca completamente resolvido, longas notas que puxam elas mesmas para dentro e fora de foco são favorecidas sobre melodias, deixando um tipo de agitação no ouvinte que lembra o desassossego de uma cidade industrial.

Três notas fazem um acorde, mas de alguma forma as de Hecker não, elas são tão diferentes em textura e escopo; na realidade, elas parecem tranqüilamente em divergência uma com outra, sabendo da existência da outra, mas contentando-se em ignorá-la.

É a música do horizonte urbano cinzento, do tipo de solidão que vem quando se está ao redor de muita gente, de cercas enferrujadas e janelas vazias geladas e a distância, música que incha e vai crescendo e se desenrolando, mas nunca chega no clímax; sua paciência sem fim ávida para progredir. Notas úmidas de baixo e guitarras elétricas emagrecidas, inundadas com distorção, esmagadas juntas com ruídos e drones programados, sons que eclodem e são liberados, cinqüenta minutos de questões e intimações, de resignação e aceites, mas nunca – definitivamente nunca – de respostas. Nós vamos ter que descobrir essas por nós mesmos."


Originalmente em inglês no All Music Guide. Eu que traduzi, sem revisão.

PS.: No começo desse ano, Tim Hecker lançou mais um disco pela Kranky. É muito bom também.

Pan•American.


Pan•American | 360 Business / 360 Bypass | Kranky | 2000

Aqui está um de meus discos prediletos da minha gravadora predileta, o segundo álbum do Pan•American, projeto solo de Mark Nelson, uma das metades do "grande, mas muito grande" Labradford. Esse disco tem vocais do casal Low numa música e trompete cortesia do quase paulista Rob Mazurek em outras duas. É música calma, ambiente, com alguns beats & drones e uma leve influência do dub espacial. Adoro.

PS.: Agora em 2009 a banda lança "White Bird Release" pela própria Kranky.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Valet.


Valet | Naked City | Kranky | 2008

Esse disco tem duas músicas que eu gosto bastante: a psicodelia experimental de "Fuck It" e a calma melancolia de "Fire". Valet é a alcunha de Honey Owens e esse é o segundo disco que ela lança pela Kranky, gravadora que ano passado lançou quase 20 discos, então esse "Naked City" passou meio desapercebido por todos, mas é um discão, pode apostar. Por falar em Kranky, já foram ler a ótima entrevista que os fundadores deram para Pitchforkmedia? Leitura essencial.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Vídeo da semana # 20.



Annemarie, "Apple"

Música que abre o primeiro e único disco dessa banda indiepop da Indonésia. Adoro, principalmente quando entra o vocal feminino depois de um minuto ouvindo o cara cantar meio desafinado. O vídeo em si é uma pérola, com a garota usando uma camiseta aonde se lê "indie" e um carinha usando outra do Echobelly. Nossa, quem lembra dessa banda britpop? Eu curtia bastante na época!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

DAT-Music II - drum'n'bass.


VA | DAT-MUSIC II 2CD | Soul:r | 2008

Quem se lembra da mania drum'n'bass em meados dos anos 90? Quem se lembra quando o estilo era conhecido como jungle? Na época era uma verdadeira mania, muita gente adorava, inclusives os "indies", que foram perdendo preconceitos e migrando em cada vez em maior número para a música eletrônica. Lembro que na indiepop-list rolou uma discussão muito séria na época, sobre os músicos e fãs de indiepop que estavam caindo de cabeça na eletrônica, em especial o drum'n'bass.

Como eu tenho um coração muito grande (gostaram dessa?), fui absorvendo tudo e ouvindo sem muitos preconceitos ambos os estilos. Em minha vida, o ápice do drum'n'bass foi quando o Everything But The Girl, banda que adorava, resolveu lançar um disco bastante influenciado pelo estilo, o "Walking Wounded", de 1996. Aí a casa caiu e me vi comprando CD duplo do LTJ Bukem, o "Logical Progression, Level 1" (acho que até hoje nunca ouvi inteiro), também peguei o "Timeless" do Goldie e pirei com o primeiro CD do Lamb e o single "Cotton Wool", que tinha uns remixes absurdamente bons.

A "moda drum'n'bass" passou (ficou repetitivo e quando domesticaram tudo, tipo a mistura com MPB, esso foi a gota d'água) e vieram outros estilos de música eletrônica que passei a venerar. Mas o meu carinho pelo gênero continua (assim como o de muita gente que curtiu na época, creio) e quando descobri essa compilação "DAT-Music", um CD duplo muito elogiado, que traz o melhor do estilo em 2008, resolvi arriscar para saber o que andam fazendo atualmente em drum'n'bass. A surpresa? Continua a mesma coisa de sempre, acreditam? Quer dizer, tem uma coisinha nova aqui, outra acolá. Mas no geral... aí hoje lendo uma entrevista no Rraurl do Zinc, ele diz "Para mim o d'n'b tem a maior energia de toda a dance music, mas não tem as possibilidades de outros gêneros. No dubstep, por exemplo, eu ouço várias faixas que não soam como dubstep, mas são dubstep, sabe?".

Sim, eu sei.

Skream!


Skream! | Skream! | Tempa | 2006

O artigo "Grávidade Máxima" continua reverberando por aqui. Nele está escrito que os grandes nomes de 2008, para a cena dubstep, foi do "predileto da casa" Benga e do Skream! (clique aqui para ler e ouvir as melhores do rapaz em outro ótimo artigo do Rraurl), ambos da gravadora Tempa. Conhecia Skream! só de faixas soltas, mas ontem mesmo resolvi ir atrás do álbum que ele lançou em 2006. O amigo Fabinho me passou.

Nem precisei terminar de ouvir o disco inteiro e já comecei a fazer upload para disponibilizá-lo no blog. É um som que escancara ainda mais as influências do dub e dancehall, mas ainda assim agressiva no uso do grave psicodélico e batidas quebradas, sempre aliado a muito peso e um clima urbano que, mesmo não sendo tão soturno e industrial como o Benga, pega muito bem como trilha sonora para percorrer os pedaços sinistros da cidade.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

I Love Dubstep.


VA | I Love Dubstep | Rinse | 2008

Hoje eu li essa excelente retrospectiva sobre dubstep que o Bruno Belluomini escreveu para o site Rraurl e entrei em curto-circuito. Na hora já peguei todos os discos que tenho do estilo no meu HD, aumentei o grave do meu som para +11 e foi foda, as janelas tremeram, alguns CDs caíram da estante e eu fiquei como um mongol no meu quarto dançando muito empolgado as batidas mais pulsantes do momento.

Essa compilação apresenta uma pedrada atrás da outra, é uma ótima retrospectiva e introdução para esse estilo musical que em 2009 só tende a crescer mais ainda. Disponibilizo os dois CDs num só arquivo, com as canções numa só faixa e ainda num outro arquivo *.cue aonde é só você jogar no seu player que vai aparecer toda a relação dos artistas bem bonitinha.

Ouça e leia o artigo "Gravidade Máxima", que realmente ficou muito bom. Agradeço ao Fabinho do Fórum Volume I que me deu a dica desse artigo. Em breve todo mundo na festa Tranquera, hein? No mais, fiquem com uma foto minha que tirei na época que o grime surgiu e o Richard D. James lançou essa coleta em vinil triplo pelo selo Rephlex (e que pode ser considerada o marco zero do dubstep em disco). Essa máscara foi distribuída no show do Aphex Twin em São Paulo uns anos atrás.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A Young Person's Guide to Compact.


VA | A Young Person's Guide to Compact | The Compact Organization | 1982

A gravadora inglesa Compact Organization, apesar de pouco conhecida, foi bastante influente ao unir estilo e elegância com um certo mistério envolto em ares blasé, mas ao mesmo tempo kitsch. Pense no Pizzicato Five, na él Records, no Momus, na Le Grand Magistery etc etc.

Essa compilação, lançada originalmente em 82 num vinil duplo embalado numa box-set que imitava uma caixa de chocolate, dá uma idéia geral sobre a Compact e seus artistas. Temos a atriz sueca 'young & hip' Virna Lindt, a cantora influenciada por northern soul Mari Wilson, a new wave a la B52's de Shake/Shake e muitos outros.

Relançado em CD pela primeira vez uns dois anos atrás pela LTM, com encarte generososo, fotos e uma boa remasterização, disponibilizo essa versão no blog. Hoje em dia os discos originais (diversos compactos e alguns LPs) custam uma fortuna. Abaixo a capa de alguns 7"s lançados pela Compact no início dos anos 80.


Capa de um dos melhores singles da Virna Lindt, presente na coleta.


Essa capa do 7" da Mari Wilson é linda, não?

sábado, 17 de janeiro de 2009

From Brussels with Love.


VA | From Brussels with Love | Les Disques du Crépuscule | 1980

Lançado originalmente no formato fita-cassete em 1980, essa é outra das compilações clássicas que todo mundo interessado em boa música deveria ter na coleção. Les Disques du Crépuscule é uma gravadora belga, estabelecida em Bruxelas, que começou lançando discos da Factory no país, mas durante os anos 80 e 90 revelou e lançou diversas pérolas da vertente mais sombria e gelada da música experimental / pós-punk e até algumas coisas mais pop também. Nesse link dá para ler toda a história.

Recentemente a LTM lançou a compilação em CD remasterizado e é essa versão que disponibilizo no blog. O CD tem um encarte que mais parece um livrinho (como todas as reedições da LTM), com fotos, arte e um texto que eu descobri ter on-line aqui. Ouvir algumas músicas de "From Brussels with Love" me deixa com uma vontade irresistível de me perder numa pista de dança escura com bastante fumaça e luz estroboscópica intermitente... ah que saudades.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Pillows & Prayers.


VA | Pillows & Prayers Volumes 1 & 2 | Cherry Red | 1982-1984

Lançada em 1982, "Pillows & Prayers" é uma das compilações mais clássicas do indiepop inglês dos anos 80, ao lado de "Doing It For The Kids", "Air Balloon Road" e "London Pavillion". Representando o crème de la crème da Cherry Red, com faixas escolhidas a dedo por ninguém menos que Mike Alway, o LP ficou 19 semanas em primeiro lugar na parada independente britânica e vendeu em torno de 120.000 cópias na época. Um estouro. Mas o responsável pelo sucesso nem foi tanto a qualidade da compilação (tem umas bombas no meio que eu sempre pulo), mas sim um golpe de marketing: o preço sugerido era de apenas 99 centavos.

Dois anos depois foi lançado o segundo volume, mas apenas no Japão e somente em vinil. Recentemente a Cherry Red lançou um CD duplo que compila os dois volumes e é essa edição que disponibilizo no blog. Veja a relação das faixas aqui. Monochrome Set, Felt, Everything But The Girl... todos prediletos da casa e ainda tem pérolas obscuras como Five Or Six, Jane e o tão comentado Fantastic Something. Existe no mercado uma versão tripla da "Pillows & Prayers", que tem um DVD como terceiro item. Se alguém tiver esse DVD e puder me enviar uma cópia, agradeço!

Fantastic Something


Fantastic Something | If She Doesn't Smile (It'll Rain) 7" | Cherry Red | 1984

Banda formada em Atenas, na Grécia, pelos irmãos Constantin e Alex Veis. Logo no começo foram apadrinhados por Mike Alway, que na época era A&R da renomada Cherry Red e os contratou. Esse single foi o primeiro lançamento, um folk pop que lembra Simon & Garfunkel e Belle and Sebastian. O lado B "The Thousand Guitars Of St Dominiques" é uma verão instrumental e um pouco modificada do lado A. Belíssima!

Em 1985 lançaram um álbum, mas numa espécie de auto-sabotagem, deixaram esse impressionante single de fora, tornando-o ainda mais raro e valioso. No mesmo ano a banda finaliza suas atividades, voltando em 2001 com um EP em vinil 10" lançado pela gravadora espanhola Siesta. Mas nada superou "If She Doesn't Smile (It'll Rain)", que é uma de minhas músicas prediletas de todos os tempos. Deixa qualquer um de queixo caído.

Em seguida os irmãos saíram em carreira solo. Constantin Veis tem um ótimo álbum, lançado em 2002 pela Siesta, e Alex Veis formou o The Waving Tree, que também debutou em 2002 com o álbum "A Sunday Afternoon". Em seguida retornaram à quietude, que dura até os dias de hoje.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Vídeo da semana # 19.



Fantastic Something, "If She Doesn't Smile (It'll Rain)"

Estou ensaiando o que escrever já vai fazer uns três minutos... realmente essa música me deixa sem palavras. Não tem o que dizer, é simplesmente espetacular, uma das melhores músicas de todos os tempos e nem sou eu quem acha isso, o cara que colocou o clip escreveu "Indie band from the early 80's, I think this was their only single. This song is one of my all time favourites and i still have the vinyl single". Nesse link dá para ouvir o áudio em melhor qualidade e sem o barulho dos carros. Amanhã vou colocar o single para download, assim como escrever tudo que sei sobre o Fantastic Something.

The Sky-Blue Smiles Above The Roof.


VA | The Sky-Blue Smiles Above The Roof EP | Cloudberry | 2008

Essa é a mais nova compilação da Cloudberry, que veio encartada no fanzine # 4. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que esse cara aí da capa é o Garrincha? Achei o máximo! O Roque da Cloudberry já morou em São Paulo durante um bom tempo, inclusive entende português e lê esse blog hehe. Ele me disse que costumava ir bastante com o pai nos estádios do Morumbi e Pacaembu. Estou programando uma entrevista com ele, boas histórias é o que não vai faltar. Essa compilação tem 5 bandas, de Astrolab a The Sunny Street, tudo coisa fina.

Japan Air.


Japan Air | Claire EP | Cloudberry | 2008

Ah esses suecos! Como se já não bastasse o maravilhoso Air France, eis que surge o Japan Air! O mais inacreditável é que não dá pra saber quem é melhor... Japan Air surge com um indiepop sueco clássico remanescente do Acid House Kings ou Club 8, mas com o acréscimo de um forte apelo melódico nas linhas de baixo, que lembram o Ride em "Going Blank Again" (!). Ouça "Claire" e "Stars" no MySpace, dá até vontade de chorar de tão bom. Esse EP fecha com "September", faixa instrumental que você também pode ouvir no MySpace. Não vou colocar o disco para download pois ele ainda não está esgotado. Ouça em streaming mesmo! Muito recomendado para os popkids que acompanham esse blog. ;-)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Postal Blue.


Postal Blue | Laughing And Crying EP | Cloudberry | 2008

Ano passado o Postal Blue, de Brasília, ressurgiu com um EP na respeitada Cloudberry depois de um hiato, com uma sonoridade mais voltada ao guitar pop e uma mudança radical na formação: agora a banda é só Adriano Ribeiro, que toca todos instrumentos acompanhado de uma bateria eletrônica. As novidades não ficam por aí, em 2009 o Postal Blue deverá lançar um disco e um single em vinil. Confira mais detalhes na entrevista que fiz com Adriano uns dias atrás:

No site da Plastilina Records está anunciado que vocês vão lançar um disco pelo selo e que a banda tomou novos rumos na sonoridade. Você poderia nos explicar mais sobre tudo isso? Será um álbum cheio? Qual o rumo que a banda tomou?

É um álbum cheio. Estou planejando colocar o máximo número de músicas que eu puder, desde que não exceda 40 minutos. O rumo que a banda tomou foi virar uma banda de um homem só. Mas basicamente o som está menos twee, com mais guitarras, alguns sintetizadores, como no último EP pela Cloudberry.

Anos atrás, na compilação “Hey! Where'd The Summer Go?” do selo Humblebee, foi lançado a faixa “Still Blue” do Adelie, que era um projeto solo seu. Depois disso nunca mais ouvimos nada sobre o Adelie. Que fim levou? Lembro que você tinha mais algumas músicas gravadas... elas serão lançadas?

Não. Esse projeto não vai sair do papel. As músicas que eu gravei nesse período vão ser regravadas e lançadas como Postal Blue.

Vocês pretendem tocar ao vivo em São Paulo algum dia?

Não.

O que precisa para que tal raro acontecimento se concretize?

Preciso de uma banda.

O Postal Blue nunca lançou nada em vinil, que é um formato que nos últimos anos ganhou uma força renovada. Existe alguma razão?

Na verdade há um 7" planejado para este ano pela Plastilina.

Novos selos como a Cloudberry, WeePOP!, Plastilina e mesmo a volta de já consagrados como Slumberland, Shelflife e Magic Marker marcaram um renascimento do indiepop nos últimos dois anos. Você vê da mesma forma? O que acha disso tudo? Quais suas novas bandas prediletas?

Não acho que o indiepop renasceu. Mesmo porque não tinha morrido. A impressão que eu tenho é de que as coisas estão na mesma. Há selos novos, mas outros selos fecharam. Há bandas novas (muitas ruins, como antes), mas outras bandas mais velhas acabaram.
Não tenho ouvido muita coisa nova. Gosto de algumas coisas, como Annemarie, mas os selos estão enfatizando muito o lado mais radicalmente twee do indiepop e eu não suporto essa vertente.

Discografia:

Postal Blue (K7) Slag 1998
Postal Blue (CDr EP) Demo Self-Released 1998
Postal Blue (CD EP) Drive-In 1999
Weather Sensitive (CD EP) Shelflife 2001
International Breeze (CD) Shelflife 2004
Road to Happiness (CD EP) Humblebee 2004
Laughing And Crying (CDr EP) Cloudberry 2008

The Parallelograms


The Parallelograms | 1 2 3 Go! EP | Cloudberry | 2008

A melhor banda twee punk da atualidade, como já disse aqui e aqui. Nesse EP eles regravaram algumas músicas e acrescentaram um vigor juvenil, guitarras distorcidas e um certo humor que só quem aprecia o bom indiepop deve sacar. Na última edição do fanzine da Cloudberry tem uma entrevista com a vocalista, aonde ela revela que a banda surgiu como um tributo aos Rosehips. Fico na esperança que em 2009 eles lancem mais alguma coisa. One, two, three, go!!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Flavor Crystals.


Flavor Crystals | Ambergris | Second Shimmy | 2008

Se você gosta da fase mais calminha do Yo La Tengo e dos momentos mais hipnóticos do Neu!, essa banda foi feita para você, pois eles conseguiram misturar isso e ainda acrescentar a melancolia onipresente do Galaxie 500 e a psicodelia paisley-underground do Rain Parade. Duvida? Parece muito bom pra ser verdade? Então ouça-os no MySpace, meu amigo. Esse disco só saiu em vinil e foi produzido pelo Kramer (não aquele do Seinfeld, mas esse gênio aqui).

Auburn Lull.


Auburn Lull | Begin Civil Twilight | Darla | 2008

Peguei esse disco no meio do ano passado e desde então ouço ele aos poucos. A princício houve uma pequena decepção, pois em comparação com os discos anteriores, esse é inferior. Mas depois de conviver alguns meses e com audições mais atentas, essa primeira impressão passou e hoje afirmo que esse é um dos grandes discos de 2008 e no mesmo nível dos dois discos que Auburn Lull já lançou.

Tem duas músicas em particular que eu gosto bastante e ando ouvindo direto: "Axis Nears", com seu clima Factory na linha de Section 25 com doses de Cocteau Twins, e "November's Long Shadows", que soa como o encontro de Flying Saucer Attack com Slowdive. Fantásticas! Esse disco foi uma das grandes dúvidas quando fiz meu top 15 de 2008.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Trecho # 3.


Ainda se mata e bate bastante por motivos cornológicos no Brasil, mas a verdade é que se trata de prática cada vez mais démodé, politicamente incorreta e inconcebível para uma pessoa realmente moderna. (...) Tanto assim que até mesmo no Nordeste, onde, quando eu era menino, chamar alguém de corno rendia invariavelmente peixeirada e provável absolvição do peixerador por um júri popular, a maneira de encarar o tema mudou muito, tanto assim que há notícias de acalorados concursos de cornos em Pernambuco, além de clubes de outras entidades da categoria. Na praia do Forte, na Bahia, onde estive faz alguns anos, me informaram, garantindo absoluta veracidade, sobre o disputadíssimo troféu Corno do Ano. Estavam até estudando uma reformulação do regulamento, para evitar problemas como o ocorrido no ano anterior, em que o irresignado segundo colocado fez um discurso de protesto, devolveu o diploma (o troféu principal é um chapéu com dois vistosos chifres de zebi a ornamentá-lo) e quase quebra tudo.

- Ele de fato era e ainda é um grande corno - me disse meu informante - Não se pode negar o valor a ele, é corno há muitos anos, tem uma grande tradição. Mas deu azar dde pegar um concorrente imbatível, um coroa viúvo, pai de três filhos grandes, que casou com uma moça uns quarenta anos mais nova, que não só começou a dar corno nele com toda a vizinhança em menos de um mês como não poupou nem os três enteados, passou os três nas armas! Aí você tem de admitir que não tinha competidor à altura, é caso de Guinness. Este ano eu acho que vão criar um troféu especial pelo conjunto de obra, para ver se ele se consola, ele merece.

(...)

Outro dia mesmo, no boteco, um dos companheiros de mesa, vítima de memorável corneamento que, apesar de longínquo no tempo, ainda hoje é lembrado, lamentou que não se pode mais contar piada de português, piada de japonês, piada de negro, piada de homossexual, piada de anão, piada de médico, piada de nada. Mas piada de corno podde, queixou-se ele ressentido, todo mundo curte com a cara do corno. Por que tão injustiça? Isso o entristecia.

- Não fique assim - consolou-o uma das senhoras presentes.
- É simples, é porque não é minoria.



***

Trechos das páginas 60, 61e 62 de "O Rei da Noite", novo livro de crônicas do João Ubaldo Ribeiro. Recomendo bastante para quem tem bom humor e curte uma boemia. "Água morro abaixo, fogo morro acima e mulher quando quer dar ninguém segura".

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Claudine Longet.


Claudine Longet | The Look of Love | A&M | 1967

Clássico do sunshine pop! E sabe o melhor de tudo? Esse disco foi lançado em vinil no Brasil, na época, junto com outros mais dois discos e alguns compactos! Essa é uma cantora fantástica e muito elegante, uma pena que pouco conhecida. Esse é o segundo disco e, assim como os outros, são relativamente fáceis de serem encontrados nos sebos por um preço decente. Para fãs de Burt Bacharach, Free Design, Astrud Gilberto, Françoise Hardy e afins.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Vídeo da semana # 18.



Broadcast, "The Book Lovers"

E quem teve o privilégio de dançar essa música numa pista junto com um grande amor levanta a mão! Delícia. Na época a gente se sentia super moderno hahaha. Esse clip nem é oficial, mas é muito bom, captou bonito o clima da música, essa coisa meio retrô-futurista fantasmagórica que o Broadcast sabia fazer como ninguém. Esse é o primeiro single da banda que saiu pelo Duophonic, selo do Stereolab, em 1996. Clássico.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

B'ehl.


B'ehl | Bright Eyes | Endearing | 2000

Paraíso indiepop com vocais femininos, imagine um encontro de Go Sailor ou mesmo Bunnygrunt (ou qualquer banda do que costumava ser chamado de cuddlecore) com o college rock de Belly ou Juliana Hatfield. Esse segundo álbum do B'ehl supera todas expectativas, você vai ouvir já sabendo que é coisa boa, mas quando começa bate aquelas exclamações do tipo "nossa, que coisa foda!". Esse é o segundo disco, o primeiro tem uns bons hits (e vem com um fanzine no encarte), mas é em "Bright Eyes" que essa banda canadense atingiu seu ápice. Recomendo para as pessoas com bom gosto musical, que curtam o bom e velho clássico indiepop. ;-)

domingo, 4 de janeiro de 2009

The Braindance Coincidence.


VA | The Braindance Coincidence | Rephlex | 2001

Uma das melhores compilações de música eletrônica que já ouvi na vida. É incrível, todas as músicas são muito boas, dá vontade de sair atrás do discos e/ou singles de todos os 16 nomes que encontramos nesse CD - a maioria, pelo menos pra mim, totalmente desconhecidos. Encontramos vários estilos de música eletrônica e apesar de ter sido lançado em 2001 continua tudo MUITO atual.

Se teu cérebro não sair dançando ao ouvir esse disco, pode ter certeza que ele vai entrar em curto-circuito e fritar totalmente. O que mais eu preciso dizer? Que essa compilação entra no top 5 dos melhores discos que coloquei nesse blog até hoje? Que Rephlex é a gravadora de Richard D. James do Aphex Twin? Que ouvir isso numa estrada muda a vida de qualquer um? Tá bom, pode ser na Marginal Pinheiros, ali na região da Berrini, aonde tem aqueles edifícios que parecem umas naves espaciais. Sensação única e deliciosa.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Blog recomendado # 1.


O Mundo Estranho de PB

Meu primeiro contato com Paulo Beto foi quando meu parceiro de banda Glauco, da Comespace, me emprestou, lá pelos idos de 94 ou 95, o CD "Imperfection" do Silverblood (foto). Lembro que esse disco causou um certo frisson entre os fãs de etéreo / shoegaze / eletrônica na época. No meu círculo de amizades todo mundo adorava esse disco e não é por menos, fui ouvir ele hoje depois de muito tempo e realmente é muito bom. A faixa "Squeamish" é um espetáculo (apesar de não representar o disco) e é minha predileta, sempre colocava ela em mixtapes, principalmente pros gringos hehe.

Mas então, recentemente o Paulo produziu um documentário sobre a finada loja de discos Nuvem Nove, já citado nesse blog. Mas a cereja do bolo é o blog "Mundo Estranho de PB", que ele anda atualizando diariamente com diversas pérolas inusitadas, raríssimas e com uma certa caída pro mundo bizarro da música. Algumas coisas que eu recomendo são os compactos da new wave paulista, como os do Azul 29, Agentss e Gang 90 e as Absurdetes. Além disso, tem um bootleg do Kraftwerk que é de chorar.

Para completar, uma obscuridade paulista da qual eu nunca tinha ouvido falar! Uma cantora do final dos anos 50 chamada Jocy de Oliveira, que ao invés de falar dos temas bossa(is) como banquinhos, barquinhos, praias, sol e todo aquele clichê cansativo que tava na moda na época, nos presenteia com letras que só pelo título já assustam e chamam a atenção: "Sofia Suicidou-se", "Um Assalto no Morumbi" e "Incêndio" são alguns. O próprio Paulo tem certo prazer em nadar contra a correnteza, como pode se observar em alguns textos do blog, do qual destaco "Esse blog também está na moda. Agora aqui também tem disco de folk. Calma... eu não virei viado...".


Mas o que eu mais curti mesmo foi o espaço que ele dedica para divulgar as boas lojas de vinil de São Paulo. No momento ele está centrado na Galeria Nova Barão, que tem umas 15 ótimas lojas e está crescendo cada vez mais. É um dos espaços que eu mais gosto da cidade. Passear nessa galeria é o que eu considero um programão hehe. E depois tomar uma cervejinha no bar que fica por ali, conversar sobre as aquisições, trocar idéias, é uma delícia. O guia ainda está no começo, mas já dá pra conhecer um pouco mais das lojas Silver Machine, Big Papa (que de sexta faz happy hour, drinks por conta da casa, isso o Paulo não contou hehe), Blue Sonic e Engenharia do Vinil.

O Paulo Beto também já tocou do Anvil FX e atualmente toca no LCD e Zeroum. Grande figura da qual sempre tenho o maior prazer em cumprimentar quando o encontro por aí.