terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Shoestrings

Shoestrings | Wishing on Planes | Le Grand Magistery | CD

Shoestrings é um casal do interior de Michigan, EUA. Mario e sua esposa Rose, como podem ser visto na capa do único álbum, “Wishing on Planes”, lançado em 1996 (há mais de dez anos!). Enquanto ela toca os sintetizadores e faz alguns vocais, Mario é responsável por todo o resto. Duos apoiados por uma bateria eletrônica são marca registradas do indiepop, algo bastante comum, o que torna os Shoestrings especiais é o fato de eles serem um dos melhores. Esse disco é um clássico do estilo.

Na contracapa encontramos um pequeno texto escrito pelo Keith do Blueboy, aonde ele cita uma canção da fase Factory do The Wake e o disco-solo do Ben Watt. São algumas das referências que ouvimos - inclusive o próprio Blueboy. Ainda acrescentaria algo de Section 25 e Brighter. Ou seja, o que temos nesse álbum são 13 canções melancólicas, de certa forma climáticas, sempre com ótimas melodias pop. Fora esse disco eles lançaram um ótimo single 7” pela Sunday e algumas faixas em compilações de indiepop da época. E só. Nunca mais ouvi falar deles e na Internet não existe muita coisa.


domingo, 25 de fevereiro de 2007

The Jasmine Minks

The Jasmine Minks | The Revenge Of... | Rev-Ola | CD

Uma das primeiras bandas da Creation, lançaram seis discos e alguns clássicos singles. Esse disco reúne o melhor dos Jasmine Minks, priorizando as belíssimas canções do começo de carreira, que aconteceu lá pelos meados dos anos 80. O som deles esbarra no jangle pop dos Go-Betweens, no paisley underground do Rain Parade, no psicodelismo do Love e levemente no mod revival do The Jam. É difícil eleger algum destaque, já que temos 24 canções, a maioria delas muito boas. Mas muito mesmo! Em nenhum momento elas soam datadas, muito pelo contrário, a medida que envelhecem parecem se tornar ainda melhores, é o tipo de música que cresce com o decorrer de seguidas audições. Gosto cada vez mais dessa banda e olha que já os ouço por algum tempo.

Quem curtir esse álbum, recomendo comprar o CD, que vem com um encarte dobrável imenso (totalmente aberto mede quase duas folhas de sulfite A4) com diversas fotos, flyers e textos de Alistair Flitchett e Kevin Pearce (ambos do e-zine Tangents). O encarte não cabe no meu scanner, por isso não inclui o mesmo no arquivo com as músicas. E mesmo porque esse disco continua em catálogo e recomendo fervorosamente que comprem o mesmo e ajude a Rev-Ola continuar o ótimo trabalho de recuperar essas pérolas do catálogo da Creation. Pensei bastante antes de colocar esse disco aqui, é aquele dilema de estar ou não prejudicando a banda e a gravadora. Mas ainda acredito que aqueles que realmente gostarem e tiverem condições financeiras, vão atrás do original. É o que todos aqueles de bom caráter deveriam fazer.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Eric's Trip


Eric’s Trip | Love Tara | Sub Pop | CD

Lançado em 93, esse é o 1o álbum dessa banda canadense que tirou seu nome de uma música do Sonic Youth, presente em “Daydream Nation”. É uma das influências da banda, outras são o Dinosaur Jr., Sebadoh e Guided By Voices.

Esse disco é um clássico do meu quarto, ouvi ele bastante, muito mesmo. E ouço até hoje. Na época eu até escrevi sobre essa banda no meu fanzine, acho que em 94. É um disco barulhento, lo-fi e muito melódico. As guitarras são super distorcidas e cheia de timbres peculiares, não raramente eles usam pedal de distorção até no baixo, é uma coisa de louco. E os vocais são calminhos e cantados era pelo Christoper, ora pela Julie. O melhor do disco aparece quando eles perdem o controle e chegam perto de um punk rock tosco. As músicas rápidas são arrasadoras, simplesmente sensacionais e muito empolgantes. Eu costumava tocar “Sunlight” na pista do Atari, hehe. Perfeita pro air guitar!

Uma pena que depois esse álbum a banda não fez mais nada de brilhante. Tenho o 2º álbum, “Forever Changes”, e quase nunca ouvi. Também tenho um bom disco ao vivo e uns 7”s que foram lançados antes desse disco. São ótimos, seguem essa linha do “Love Tara“, seria uma boa idéia a Sub Pop compilar tudo num só CD, uma pena que estão preocupados com outras coisas no momento... e convenhamos: não ia vender nada.

(192 kbps com encarte)


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Henry's Dress


Henry’s Dress | Henry’s Dress | CD | Slumberland

Resumindo bastante, o Henry’s Dress misturava My Bloody Valentine com mod rock. Formada em 93, o trio capitaneado por Amy Linton (sim, a mesma do Aislers Set) lançou no ano seguinte um petardo pop arrebatador chamado simplesmente “Henry’s Dress”. Com pouco mais de 20 minutos e com apenas seis canções em 10 polegadas (o CD vem com dois bônus lançados originalmente em singles), esse mini-álbum é sensacional do começo ao fim. Com um som barulhento e sujo até não poder mais, mas com boas melodias e batidas vigorosas, buscando influências que vão de bandas punk 60’s de garagem, passando pela agressividade de um Huggy Bear ou mesmo Jesus and Mary Chain fase “Psychocandy”, esse disquinho é o clássico intocável de toda a carreira do Henry’s Dress e talvez até da própria Amy.

Os destaques aqui ficam por conta de “(You’re My) Radio One”, a melhor, rápida, suja, barulhenta e distorcida, mas altamente pop, com vocais de Amy. “Feathers” começa com microfonia pura apitando, que permanece durante toda a música, com muralhas de guitarra, batidas minimalistas e vigorosas, além de vocais baixinhos e tristes de Paul cantando numa melodia arrepiante. A entrada de “You Killed a Boy For Me” lembra por poucos segundos algo do Beat Happening, mas a impressão dura somente até a entrada do baixo cheio de fuzz e guitarras distorcidas e a melodia, que aí passa a lembrar alguma banda com vocais femininos da Class of 86 inglesa, como os Rosehips ou Shop Assistants.

Flying Saucer Attack


Flying Saucer Attack | Distance | CD | Domino/VHF

Apesar de ser considerado o 2º álbum da banda, na verdade esse CD é uma compilação dos compactos “Soaring High” (1993), “Wish” (1993) e “Crystal Shade” (1994), que foram lançados em tiragens limitadas pela própria banda e tinham capas feitas à mão. Em 94 a hoje famosa Domino Records os contratou e compilou esses singles num só CD, “Distance”. A gravadora também relançou o 1º álbum homônimo, que originalmente tinha sido lançado somente em vinil no mesmo esquema dos 7”s. Curioso é que nesses CDs a banda fez questão de imprimir mensagens como “CDs destroy music” (no caso de “Distance”) e “CDs are a major cause of the breakdown of society” (no caso do álbum homônimo). Mensagens impressas bem visivelmente no encarte, na lombada e no próprio CD.

A música do Flying Saucer Attack é extremamente ruidosa, (ab)usando de distorções e feedback de guitarras inacreditáveis, aliando à vocais serenos quase inaudíveis. “Crystal Shade” e “Soaring High” se encaixam nessa descrição e são minhas prediletas. Mas a banda vai além. “November Mist” é folk psicodélico, já “Oceans” e “Instrumental Wish” são drones, espécies de mantra contínuos atmosféricos e encantadores. Na época eu virava o cara para essas músicas, mas hoje em dia aprecio com a mesma intensidade todo o trabalho do Flying Saucer Attack, banda que indico para fãs de My Bloody Valentine, Neu!, Mogwai, Spiritualized, Animal Collective e Jesus & Mary Chain. Ah sim, um fato curioso é que em 94 e 95 eu tocava baixo na Comespace, uma banda que era bastante influenciada pelo FSA. Tocávamos até cover nos ensaios. Bons tempos!

Caso o Sendspace esteja sobrecarregado, use o link: https://www.hidebehind.net