sexta-feira, 23 de março de 2007

Lô Borges

Lô Borges | Lô Borges | EMI Odeon | CD

Uma das coisas que mais gosto na música brasileira de antigamente são os diversos movimentos musicais que, além de facilitar a vida dos críticos, serviam de aglutinadores de grandes talentos. Temos a Tropicália, Bossa Nova, Jovem Guarda, Black Rio e diversos outros. Mas o melhor movimento é indiscutivelmente o Clube da Esquina, formado por músicos de Minas Gerais. É impressionante a quantidade de bons discos que são associados ao movimento. E de todos esses discos, meu predileto é o primeiro do Lô Borges, lançado em 1972.

O mundo tomou conhecimento desse então garoto, na época com apenas 20 anos de idade, ao ver o nome dele em destaque na contracapa do clássico “Clube da Esquina” de Milton Nascimento. O nome em destaque indicava uma parceria com o mestre. Mas o mais impressionante é que no mesmo ano ele lança um disco solo com as “sobras”, com as canções que não entraram no “Clube da Esquina” (que já é um álbum extenso, na época lançado em vinil duplo). Fala sério, vai ter talento assim lá pras bandas de Belo Horizonte. Esse disco solo, com 15 faixas, algumas instrumentais (como a minha predileta, “Toda Essa Água”, que fecha o disco), todas muito boas, é facilmente um dos meus 5 discos nacionais predileto de todos os tempos.

Poderia ficar tecendo elogios para cada uma das canções presentes nesse álbum, mas prefiro apenas dizer que se você tem algum apreço por folk inglês dos anos 60 tipo Fairport Convention, a fase psicodélica dos Beatles, o pós-rock de Chicago como Sea and Cake, mestres hippongas tipo Fleetwood Mac e o coletivo Elephant 6, não deixe de ouvir essa obra-prima, que ao meu ver é subestimada até hoje (no Brasil, porque fora do país é bastante conceituado). Para quem quiser se aprofundar sobre o movimento mineiro, indico o livro “Os Sonhos Não Envelhecem” do Márcio Borges e o site Museu Clube da Esquina.

(192 kbps com contracapa)

quinta-feira, 22 de março de 2007

The Sea and Cake

The Sea and Cake | The Biz | Thrill Jockey | CD

No meio dos anos 90 toda pessoa com o mínimo de bom gosto musical virou as anteninhas para a cidade de Chicago, nos EUA. Eram de lá as bandas mais inventivas e legais da época. O epicentro do que se convencionou rotular de pós-rock. A melhor dessas bandas era obviamente o Tortoise, que eu adorava e ainda ouço direto. O mais interessante era que os integrantes do Tortoise tinham várias outras bandas. Todas sensacionais, como é o caso do Sea and Cake, que contava com o mestre John McEntire na bateria. Mas o grande triunfo era a dupla de guitarristas Sam Prekop e Archer Prewitt, do Shrimp Boat e Coctails, respectivamente.

Esse “The Biz” é o 3º disco da banda, lançado em 1995. É o melhor. Nos dois primeiros a banda tinha uma pegada matemática, meio que calculada, o que não deixava de ser deliciosa – tem até o rótulo math rock, adoro. Mas foi em “The Biz” que eles se soltaram mais e o que se ouve é uma bela e sossegada mistura de indie rock, jazz e psicodelia. Destaco “The Kiss”, canção maravilhosa responsável pelo meu fascínio por essa banda. Costumava botar ela em quase toda mix-tape da época. Outra predileta é “Escort”, que lembra bastante o patrimônio local Slint. Enfim, é um disco e tanto. Prediletos da casa. No Brasil foi lançado o 5º disco da banda, “Oui”. É um bom disco, mas não tanto quanto “The Biz”, que cresce a cada audição – até hoje!

(192 kbps com encarte e contracapa)


terça-feira, 20 de março de 2007

Tobin Sprout

Tobin Sprout | Moonflower Plastic | Matador | CD

Todo mundo sabe que só foi o Tobin Sprout sair do Guided By Voices que a banda entrou num declínio vergonhoso. Ou não sabe? Isso foi em 96, quando o GBV lançou o último de uma série de grandes álbuns, o ótimo “Under the Bushes Under the Stars”. O sucesso subiu à cabeça do Robert Pollard e ele demitiu toda a banda para contratar músicos mais competentes. Desfeita uma amizade de anos, o guitarrista Tobin Sprout resolveu sair em carreira solo, e no mesmo ano já lançou o bom álbum de estréia “Carnival Boy”. Mas foi no ano seguinte, em 1997, que surgiu o que, em minha opinião, é o grande clássico de Tobin (até mesmo entre os discos do GBV): “Moonflower Plastic (Welcome to My Wigwam)”.

Deixando um pouco de lado as tosquices extremas de sua ex-banda, assumindo todos os instrumentos e com ajuda de uma bateria eletrônica, Tobin Sprout provou muitas coisas com esse álbum. Uma que ele era muito mais que uma mera sombra de Robert Pollard. Outra que ele tem uma bela e doce voz, perfeita para suas canções melancólicas e cheia de melodias brilhantes. Ouça a upbeat “Beast of Souls” ou mesmo “Exit Planes” e entenda o que estou falando. Na verdade o disco inteiro é excelente, não tem nenhum momento fraco. Minha predileta é “Angels Hang Their Socks on the Moon” e seu maravilhoso piano.

Indico para fãs de East River Pipe, os momentos mais melódicos do Sebadoh, Neutral Milk Hotel e, óbvio, o grande Guided By Voices, que como ficou claro, tem bastante a mão de Tobin. Vale dizer que ele também é um pintor de renome nos EUA. A capa, encarte e contracapa são obras do próprio (versão digipack, todas devidamente escaneadas e incluídas no arquivo). Aliás, essas pinturas são tão ou mais brilhantes que a própria música, veja mais no site dele.

(192 kbps com encarte e contracapa)

segunda-feira, 19 de março de 2007

The Pooh Sticks


The Pooh Sticks | Million Seller | Zoo | CD

Essa divertida e bem humorada banda gaulesa surgiu já no final da Class of 86 (em meados de 87) se auto-intitulando como a pior banda indiepop de todos os tempos. A gravadora Fierce se empolgou com a idéia de lançar o pior single de indiepop de todos os tempos e chamou a banda para gravar algo para o selo. Em 1993 conseguiram um contrato com a gravadora norte-americana Zoo, um dos tentáculos da BMG, para o lançamento do 3º disco, ironicamente intitulado de “Million Seller” e com o figurassa vocalista Hue Willians na capa, em cima de um disco de ouro.

Eu (e a maioria dos críticos norte-americanos) acho esse o melhor álbum da banda. Já os antigos fãs os acusaram de vendidos. Em todo caso, “Million Seller” foi totalmente ofuscado pela onda grunge que ainda reinava entre a garotada. Uma injustiça das grandes. O pop puro e viciante presente em todas as canções é certeza de provocar um sorriso de felicidade em qualquer fã do bom guitar pop. É um álbum alegre, com gosto de verão e vento no rosto, levanta o ânimo de qualquer um! Esse álbum fez com que eles fossem inclusos numa cena “power pop” criada pela imprensa norte-americana da época, que reunia bandas como Redd Kross, Posies, Jellyfish, Material Issue, Teenage Fanclub, Velvet Crush... realmente, é por aí.

“Million Seller” ainda contém uma das canções mais perfeitas de todos os tempos, com apenas 1:48 de duração, “The World Is Turning On” tem refrão grudendo, um dos melhores solos de guitarra que já ouvi, dedilhados de violão, tudo se encaixando perfeitamente, é o que eu costumo chamar de canção pop perfeita, e poucas bandas conseguem fazer esse tipo de coisa tão bem! Como se não bastasse, o álbum conta com vários outros destaques, como “Sugar Baby”, “Rainbow Rider”, “That Was The Greatest Song” etc etc etc e ave!, como eu gosto desse disco. Depois de ouvi-lo inúmeras vezes decidi comprar tudo que encontrasse da banda. Quando completei a coleção escrevi um super artigo para meu fanzine, o Esquizofrenia, publicado na edição # 10, uns 6 anos atrás.

(192 kbps com scan do encarte e suas ótimas fotos)


sexta-feira, 16 de março de 2007

Quarteto Bossamba

Quarteto Bossamba | Quarteto Bossamba | Discos Som/Maior | CD

“A música instrumental, seja de que categoria for, tem o dom de prender mais a atenção de quem a ouve, “catalisando” sensações mais vividas e realçando melhor contornos melódicos.” – texto extraído da contracapa.

A Discos Som/Maior foi um selo que existiu nos anos 60 especializado em música instrumental brasileira. Recentemente a Som Livre relançou boa parte do catálogo desse selo em CD pela primeira vez, com as capas e contracapas originais restauradas e um som remasterizado. São ao todo 7 CDs, dos quais esse Quarteto Bossamba foi o que mais me agradou.

Essa é a 1ª banda do famoso tecladista Walter Wanderley. Mas quem o acompanha nesse quarteto é um mistério até hoje não resolvido. Na contracapa está escrito: “E quem são os músicos? Não podemos responder, pois cada qual pertence a um selo diferente, e por razões óbvias de contrato não nos é dado divulgar seus nomes. São, todos eles, artistas de grande prestígio, a quem somente o anonimato, conservado neste LP, conseguiu reunir”.

O grande destaque do disco, lançado em 1965, é a versão do quarteto para “Canto de Ossanha”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Uma que considero essa uma das grandes canções da nossa música, outra que a versão, com o acréscimo de um órgão delicioso do Walter Wanderley, ficou irresistível, simplesmente arrasadora. E o disco ainda guarda outras grandes surpresas, confira. Todo esse mistério, sofisticação e bom gosto me lembram bastante a él Records.

quinta-feira, 15 de março de 2007

BMX Bandits

BMX Bandits | Life Goes On | Creation | CD

Em 1993 o Reino Unido nos brindava com tantos discos bons, boa parte deles inclusive da própria Creation, que esse clássico do BMX Bandits passou despercebido. E mesmo até hoje, só os mais atentos tiveram a sorte de descobrir esse verdadeiro tesouro. Oriundos de Glasgow, Escócia, os BMX Bandits surgiram em meados dos anos 80, ao mesmo tempo que o Teenage Fanclub, inclusive compartilhando membros entre si. Esse é o 4º disco da banda e disparado o melhor. Cheio de canções calmas, aveludadas e influenciadas pelo soft rock e folk dos anos 60, o álbum transcende épocas e soa tão bem hoje quanto na época. Violões, instrumentos de sopro, melodias perfeitas e letras fofinhas. O povo do Belle and Sebastian deve ter ouvido bastante esse disco. Inclusive lembro até hoje o meu comentário quando ouvi o B&S pela primeira vez: “nossa, parece o BMX Bandits com o Nick Drake cantando”.

O encarte é uma curtição a parte: várias fotos das duas meninas da capa esfregando bolo uma na outra. Ah sim, já ia esquecendo: quando o Francis MacDonald fez os shows do Nice Man em São Paulo, ele tocou “Serious Drugs”, presente nesse disco do BMX, atendendo pedidos ensandecidos de um doido da platéia: eu mesmo. Hehe!

quarta-feira, 14 de março de 2007

Always

Always | Thames Valley Leather Club and Other Stories | él / Cherry Red | CD

“It's a classic él Records release from the late '80s - art-pop-influenced, incredibly English, and darn good” – All Music Guide.

Always é uma “banda-de-um-homem-só” – o Kevin Wright - e esse CD é o relançamento do debut álbum de 88 com os dois EPs 12”s do período de bônus, todos (re)lançados pela legendária él Records. Esse é o meu álbum predileto da gravadora e ao ouvir fica fácil descobrir o porquê. Tem momentos de puro esplendor pop, assim como tímidos experimentalismos sonoros, mas o que mais cativa é o clima que predomina tudo: uma coisa cinemática, mais especificamente do gênero policial europeu. É trilha sonora perfeita para livros de literatura noir norte-americana dos anos 50. Dirigir a noite por bairros industriais meio abandonados com Always tocando causa frios na espinha de qualquer um. Acho que deu pra sacar o clima. Não é pop ensolarado, apesar de ter alguns momentos que chega perto. Indico para fãs de Felt, The Monochrome Set, Momus e The Railway Children.

A él Records sempre foi famosa por caprichar nas capas e encartes e com esse CD não poderia deixar de ser diferente. Mike Alway é o homem por trás da gravadora e da él Graphic. No arquivo você encontra o belíssimo encarte desse disco em alta resolução. Deleite-se. E numa coincidência típica de casais com gosto musical parecidos, a Ms. Tambourine colocou ontem os raríssimos singles do James Dean Driving Experience, que são difíceis de achar até em mp3. Está tudo organizado cronologicamente em pastinhas e tudo mais. Um achado!

(192 kbps com encarte)



terça-feira, 13 de março de 2007

The Hummingbirds.

The Hummingbirds | Love BUZZ | rooArt | CD

Oriundos da longínqua Austrália, os Hummingbirds são uma das melhores bandas de jangle guitar pop do final dos anos 80. Inclusive acredito que “Love BUZZ” é o álbum definitivo do estilo, já que o forte dessas bandas eram os singles, levando em conta o ano de lançamento: 1989 – aqui eles acertaram um álbum inteiro! Seja como for, é um disco e tanto. As harmonias vocais, divididas entre um garoto e uma garota, são de arrepiar, assim como os diversos hits de P!O!P! upbeat presentes no disco. Quase toda música é um acerto que deverá agradar em cheio fãs do The Chills, Close Lobsters e The Replacements. Depois a banda lançou mais um álbum que não chega a sombra do debut e acabou logo em seguida. Mas esse disco é um clássico, um dos definitivos do jingle jangle.


quarta-feira, 7 de março de 2007

Milkyway

Milkyway | In Love EP | Annika | CD-EP

Essa é uma continuação do post de ontem, portanto se você ainda não pegou o disco do Fine!, faça isso já, pois está correndo o risco de perder um dos clássicos recentes do indiepop. No disco tem uma música que é meio atípica do restante do álbum, pois é um dance europop que, em minha opinião, marca o ponto baixo num disco cheio de pontos altos. O produtor dessa faixa mais dançante é Guille Milkyway, o homem por trás do La Casa Azul, uma banda formada por membros imaginários que, como o Fine!, vem da fantástica Barcelona, Espanha. Em 2003 ele lançou esse EPzinho solo por uma micro gravadora local, a Annika. É um disquinho e tanto! Soa bastante como La Casa Azul, talvez um pouco mais dançante, mais ensolarado, perfeito para fãs de 60’s bubblegum, shibuya-kei e eurodisco. Um mini-clássico! Quem sabe no futuro coloco algum disco no La Casa Azul aqui. ;-)

(192 kbps com capa e contracapa em alta resolução)


terça-feira, 6 de março de 2007

Fine!

Fine! | Now That we’re Alone | Strange Ones | CD

Imagine uma banda que junte os melhores momentos do álbum “Life” dos Cardigans com o apelo cool do Style Council. Junte a isso referências ao indiepop suecos dos anos 90, de Eggstone e Acid House Kings, e pronto, você está perto do que é o som do Fine!, uma banda de Barcelona, Espanha, que em 2000 lançou um dos melhores debuts do indiepop de todos os tempos, mas que infelizmente permanece como uma das maiores obscuridades do estilo.

Lançado por uma pequena gravadora de Barcelona e distribuído somente para o mercado local, a música do Fine! ficou restrita a poucos sortudos, já que quase não existe informação sobre eles na Internet, muito menos locais aonde o disco é vendido. Aliado a isso, tem o nome comum, que dificulta a busca dos mp3s. O que é uma pena, já que eles certamente mereciam reconhecimento maior. A banda hoje em dia nem existe mais.

Esse disco é cheio de hits e um dos mais brilhantes é justamente a penúltima música, a única cantada em espanhol. Essa música se junta à última para criar um dos momentos mais sublimes de tempos recentes. Um final em grande estilo. Outros prediletos da casa são “He Smiles Sometimes”, “Philippe” e “Summer Revisited” (essa quase um tributo aos Cardigans). Não gosto de duas ou três músicas do disco, mas isso eu deixo para vocês decidirem. Por último, já viram o filme “Albergue Espanhol”, filmado em Barcelona? A música do Fine! tem tudo a ver com o filme, na minha opinião.

Ah sim, a banda lançou mais um 2º álbum, que nunca ouvi, apesar da vontade! Deles eu tenho mais um EP, caso alguém curta mesmo a banda, posso disponibilizar aqui no futuro.

(192 kbps com encarte)

segunda-feira, 5 de março de 2007

The Rain Parade

The Rain Parade | Emergency Third Rail Power Trip/Explosions in the Glass Palace | Restless | CD

A música pop é cheia dos movimentos que juntam bandas de uma mesma época, de um mesmo espaço geográfico e com um estilo de som parecido. O Paisley Underground aconteceu em Los Angeles no começo da década de 80 e reunia bandas que tocavam um psychedelic pop altamente influenciado por The Byrds, Velvet Underground e Big Star. Talvez o Rain Parade era a mais revivalista de todas as bandas do Paisley Undeground, que também incluía Dream Syndicate, The Bangles, Three O'Clock e Plasticland (que, pasme!, teve um LP lançado no Brasil na época).

Esse CD reúne o 1º e 2º álbuns da banda, os únicos que lançaram, respectivamente em 83 e 84. É um disquinho excelente. Dizem as más línguas que Alan McGee ficou tão abismado com o som do Rain Parade que sua banda Biff Bang Pow! nada mais é que uma tentativa de tributo aos mestres. Realmente, a semelhança entre as duas bandas é óbvia, assim como a superioridade dos norte-americanos. A influência do Rain Parade pode ser notada em diversos estandartes do indiepop inglês dos anos 80, como no The Loft e até mesmo no Television Personalities.

Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o Paisley Underground, no Wikipedia tem um ótimo artigo: http://en.wikipedia.org/wiki/Paisley_Underground. Quem quiser ir mais a fundo, a edição # 50 da ótima revista norte-americana Magnet dedica diversas páginas sobre o assunto (incluindo diversas fotos). Você pode adquiri-la no próprio site da revista. Uma última coisa: em São Paulo encontramos o Continental Combo, uma banda declaradamente influenciada pelo movimento.

(192 kbps com encarte)



sexta-feira, 2 de março de 2007

The Boo Radleys

The Boo Radleys | Giant Steps | Creation | CD

Estou ensaiando alguns dias para colocar esse disco aqui, pois ele me deixa sem palavras. É um álbum espetacular. Acredito que ele seja meio subestimado, apesar de que já o vi em várias listas dos melhores dez álbuns da Creation. Penso que deveriam falar mais dele por aí.

Lançado em 1993, é o terceiro disco da banda e marca uma melhora significativa em relação aos anteriores. Antes os Boo Radleys eram considerados uma banda do 2º escalão do movimento shoegazer, mas com “Giant Steps”, como a próprio nome já diz, eles conseguiram evoluir para além do shoegazer, incorporando diversas influências que vão do psicodelismo ao dub, com direito a deliciosos flertes com o mais puro esplendor pop.

Depois desse álbum a banda se rendeu definitivamente ao pop, com “Wake Up!”, de 1995, em minha opinião o último grande álbum da banda. Depois disso lançaram mais dois discos insignificantes e debandaram-se. Não conheço a carreira solo dos integrantes. Enfim, recomendo bastante esse álbum, que é um dos que mais ouvi na vida.

(192 kbps com encarte)


terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Shoestrings

Shoestrings | Wishing on Planes | Le Grand Magistery | CD

Shoestrings é um casal do interior de Michigan, EUA. Mario e sua esposa Rose, como podem ser visto na capa do único álbum, “Wishing on Planes”, lançado em 1996 (há mais de dez anos!). Enquanto ela toca os sintetizadores e faz alguns vocais, Mario é responsável por todo o resto. Duos apoiados por uma bateria eletrônica são marca registradas do indiepop, algo bastante comum, o que torna os Shoestrings especiais é o fato de eles serem um dos melhores. Esse disco é um clássico do estilo.

Na contracapa encontramos um pequeno texto escrito pelo Keith do Blueboy, aonde ele cita uma canção da fase Factory do The Wake e o disco-solo do Ben Watt. São algumas das referências que ouvimos - inclusive o próprio Blueboy. Ainda acrescentaria algo de Section 25 e Brighter. Ou seja, o que temos nesse álbum são 13 canções melancólicas, de certa forma climáticas, sempre com ótimas melodias pop. Fora esse disco eles lançaram um ótimo single 7” pela Sunday e algumas faixas em compilações de indiepop da época. E só. Nunca mais ouvi falar deles e na Internet não existe muita coisa.


domingo, 25 de fevereiro de 2007

The Jasmine Minks

The Jasmine Minks | The Revenge Of... | Rev-Ola | CD

Uma das primeiras bandas da Creation, lançaram seis discos e alguns clássicos singles. Esse disco reúne o melhor dos Jasmine Minks, priorizando as belíssimas canções do começo de carreira, que aconteceu lá pelos meados dos anos 80. O som deles esbarra no jangle pop dos Go-Betweens, no paisley underground do Rain Parade, no psicodelismo do Love e levemente no mod revival do The Jam. É difícil eleger algum destaque, já que temos 24 canções, a maioria delas muito boas. Mas muito mesmo! Em nenhum momento elas soam datadas, muito pelo contrário, a medida que envelhecem parecem se tornar ainda melhores, é o tipo de música que cresce com o decorrer de seguidas audições. Gosto cada vez mais dessa banda e olha que já os ouço por algum tempo.

Quem curtir esse álbum, recomendo comprar o CD, que vem com um encarte dobrável imenso (totalmente aberto mede quase duas folhas de sulfite A4) com diversas fotos, flyers e textos de Alistair Flitchett e Kevin Pearce (ambos do e-zine Tangents). O encarte não cabe no meu scanner, por isso não inclui o mesmo no arquivo com as músicas. E mesmo porque esse disco continua em catálogo e recomendo fervorosamente que comprem o mesmo e ajude a Rev-Ola continuar o ótimo trabalho de recuperar essas pérolas do catálogo da Creation. Pensei bastante antes de colocar esse disco aqui, é aquele dilema de estar ou não prejudicando a banda e a gravadora. Mas ainda acredito que aqueles que realmente gostarem e tiverem condições financeiras, vão atrás do original. É o que todos aqueles de bom caráter deveriam fazer.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Eric's Trip


Eric’s Trip | Love Tara | Sub Pop | CD

Lançado em 93, esse é o 1o álbum dessa banda canadense que tirou seu nome de uma música do Sonic Youth, presente em “Daydream Nation”. É uma das influências da banda, outras são o Dinosaur Jr., Sebadoh e Guided By Voices.

Esse disco é um clássico do meu quarto, ouvi ele bastante, muito mesmo. E ouço até hoje. Na época eu até escrevi sobre essa banda no meu fanzine, acho que em 94. É um disco barulhento, lo-fi e muito melódico. As guitarras são super distorcidas e cheia de timbres peculiares, não raramente eles usam pedal de distorção até no baixo, é uma coisa de louco. E os vocais são calminhos e cantados era pelo Christoper, ora pela Julie. O melhor do disco aparece quando eles perdem o controle e chegam perto de um punk rock tosco. As músicas rápidas são arrasadoras, simplesmente sensacionais e muito empolgantes. Eu costumava tocar “Sunlight” na pista do Atari, hehe. Perfeita pro air guitar!

Uma pena que depois esse álbum a banda não fez mais nada de brilhante. Tenho o 2º álbum, “Forever Changes”, e quase nunca ouvi. Também tenho um bom disco ao vivo e uns 7”s que foram lançados antes desse disco. São ótimos, seguem essa linha do “Love Tara“, seria uma boa idéia a Sub Pop compilar tudo num só CD, uma pena que estão preocupados com outras coisas no momento... e convenhamos: não ia vender nada.

(192 kbps com encarte)


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Henry's Dress


Henry’s Dress | Henry’s Dress | CD | Slumberland

Resumindo bastante, o Henry’s Dress misturava My Bloody Valentine com mod rock. Formada em 93, o trio capitaneado por Amy Linton (sim, a mesma do Aislers Set) lançou no ano seguinte um petardo pop arrebatador chamado simplesmente “Henry’s Dress”. Com pouco mais de 20 minutos e com apenas seis canções em 10 polegadas (o CD vem com dois bônus lançados originalmente em singles), esse mini-álbum é sensacional do começo ao fim. Com um som barulhento e sujo até não poder mais, mas com boas melodias e batidas vigorosas, buscando influências que vão de bandas punk 60’s de garagem, passando pela agressividade de um Huggy Bear ou mesmo Jesus and Mary Chain fase “Psychocandy”, esse disquinho é o clássico intocável de toda a carreira do Henry’s Dress e talvez até da própria Amy.

Os destaques aqui ficam por conta de “(You’re My) Radio One”, a melhor, rápida, suja, barulhenta e distorcida, mas altamente pop, com vocais de Amy. “Feathers” começa com microfonia pura apitando, que permanece durante toda a música, com muralhas de guitarra, batidas minimalistas e vigorosas, além de vocais baixinhos e tristes de Paul cantando numa melodia arrepiante. A entrada de “You Killed a Boy For Me” lembra por poucos segundos algo do Beat Happening, mas a impressão dura somente até a entrada do baixo cheio de fuzz e guitarras distorcidas e a melodia, que aí passa a lembrar alguma banda com vocais femininos da Class of 86 inglesa, como os Rosehips ou Shop Assistants.

Flying Saucer Attack


Flying Saucer Attack | Distance | CD | Domino/VHF

Apesar de ser considerado o 2º álbum da banda, na verdade esse CD é uma compilação dos compactos “Soaring High” (1993), “Wish” (1993) e “Crystal Shade” (1994), que foram lançados em tiragens limitadas pela própria banda e tinham capas feitas à mão. Em 94 a hoje famosa Domino Records os contratou e compilou esses singles num só CD, “Distance”. A gravadora também relançou o 1º álbum homônimo, que originalmente tinha sido lançado somente em vinil no mesmo esquema dos 7”s. Curioso é que nesses CDs a banda fez questão de imprimir mensagens como “CDs destroy music” (no caso de “Distance”) e “CDs are a major cause of the breakdown of society” (no caso do álbum homônimo). Mensagens impressas bem visivelmente no encarte, na lombada e no próprio CD.

A música do Flying Saucer Attack é extremamente ruidosa, (ab)usando de distorções e feedback de guitarras inacreditáveis, aliando à vocais serenos quase inaudíveis. “Crystal Shade” e “Soaring High” se encaixam nessa descrição e são minhas prediletas. Mas a banda vai além. “November Mist” é folk psicodélico, já “Oceans” e “Instrumental Wish” são drones, espécies de mantra contínuos atmosféricos e encantadores. Na época eu virava o cara para essas músicas, mas hoje em dia aprecio com a mesma intensidade todo o trabalho do Flying Saucer Attack, banda que indico para fãs de My Bloody Valentine, Neu!, Mogwai, Spiritualized, Animal Collective e Jesus & Mary Chain. Ah sim, um fato curioso é que em 94 e 95 eu tocava baixo na Comespace, uma banda que era bastante influenciada pelo FSA. Tocávamos até cover nos ensaios. Bons tempos!

Caso o Sendspace esteja sobrecarregado, use o link: https://www.hidebehind.net