quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Soirée Cocktail.


VA | Soirée Cocktail | Les Disques Aquatic | 1999

Compilação lançada por um selo francês que homenageia a bossa nova. Bandas de diversas partes do mundo que misturam o estilo brasileiro com eletrônica, indiepop e folk. No site tem a ótima descrição: "Beautifully packaged and produced much like hyper-cool labels Tricatel, L’Appareil-Photo and Bungalow... Soirée Cocktail literally oozes a unique style that mixes French chic, English wit and Japanese cute". A seguir você encontra a contra-capa, para ver a relação dos artistas presentes.

Montt Mardié.


Montt Mardié | Highschool Drama EP | Hybris | 2005

Primeiro lançamento do sueco Montt Mardié e de longe o mais clássico de toda sua breve carreira. Esse EPzinho tem duas músicas, a conhecida faixa título, que também tem um ótimo vídeo e foi inclusa no álbum de estreia. Mas o destaque é mesmo o exclusivo lado B, chamado "Phonecall Drama", que narra uma conversa telefônica entre o vocalista David e o vizinho da frente, aonde ele começa se desculpando por ter ligado tarde, quando se declara pela filha do cara e aí só ouvindo mesmo. Genial haha!

Montt Mardié, "Phonecall Drama".

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Louis Phillipe.


Louis Philippe | Jackie Girl | Siesta | 1997

Esse é o oitavo álbum da carreira de Louis Phillipe e um dos melhores do músico francês. Contém colaborações de Dave Gregory do XTC e de Bertrand Burgalat. Recheado com diversos hits e orquestrações maravilhosas, além de ter Jackie de Shannon na belíssima capa, certamente o disco vai agradar aqueles com um gosto musical mais refinado.

Louis Phillipe, "She Means Everything To Me".

Lembrei que jah tinha colocado esse disco no blog uns anos atras... :-P

Aqui.

Summers Daydream.


VA | Summers Daydream | Sea Indie | 2009

A Marisa Lourenço, de Portugal, publicou em seu mural do Facebook a canção "Everything's Fine", do Pop At Summer. Eu não conhecia e foi tipo paixão instantânea. Perguntei aonde tinha encontrado tamanho indiepop nugget e ela indicou essa compilação lançada ano passado, cheia de bandas do sudoeste asiático. Fantástica!

Pop At Summer, "Everything's Fine".

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Foggy Glasses # 4.


Galera, sexta-feira agora tem mais uma edição da Foggy Glases na Livraria da Esquina, em São Paulo. Essa edição está especial, pois...

FOGGY GLASSES apresenta:

LÊ ALMEIDA

Em junho o carioca Lê Almeida fez o primeiro show na cidade e foi tão histórico que naquele mesmo dia já foi acertada uma segunda data. Canções despretensiosas, curtas e barulhentas, que lembram o melhor do indie rock norte-americano dos anos 90, como Eric’s Trip, Guided By Voices e Pavement. A banda já tem uma legião de adoradores que prometem fazer do show uma verdadeira festa. Imperdível!


PALE SUNDAY

A grande banda do indiepop brasileiro em raro show na capital. Show que ocorre num momento que o gênero tem ganhado cada vez mais fãs, devido ao sucesso de nomes como The Pains of Being Pure at Heart, que inclusive faz um som parecido com o dessa banda do interior paulista, na ativa desde o final dos anos 90 e com toda discografia lançada pela renomada gravadora Matinée, sediada nos Estados Unidos.

STEPHANIE TOTH

Revelada alguns anos atrás pela festa Folk This Town, a cantora-compositora Stephanie Toth finaliza o álbum de estréia, que deverá ser lançado até o final do ano. Nesse show ela irá apresentar algumas canções desse álbum, assim como velhas conhecidas de seu MySpace. Com uma sonoridade mais intimista, sem muitos enfeites ou ornamentos, é perfeita para abrir a noite.

DJs: Gilberto Custódio Jr., Fabiane Trindade e Junior Asobi prometem tocar o melhor do indiepop de todos os tempos.

Vai ter a famosa banquinha da Transfusão Noise Records, o Lê Almeida disse que vai lançar 3 novos álbuns/EPs na festa!

Chegue cedo!

Dia 27/08 - sexta-feira - 22 h - R$ 10.

Livraria da Esquina
Rua do Bosque, 1254 - Barra Funda

Flyer: Dani Hasse.

Notre-Dame.


Notre-Dame | Sur Ton Repondeur and Other French Love Songs | Quince | 1999

Considero esse um dos melhores singles de todos os tempos. Sou completamente viciado nessa música, há mais de dez anos que ouço com uma frequência acima do normal e não consigo enjoar. Nesse single encontramos uma nova versão de "Sur Ton Repondeur" e um remix feito por Lazy Cyril dos Radiostatics. Também tem mais duas canções, uma que está no álbum e outra inédita. Caso curta esse single (e tem como não gostar?), não deixe de pegar o ótimo álbum "Chansons Francaises".

Notre-Dame, "Sur Ton Repondeur (New Version)".

O Notre-Dame acabou há alguns anos e o vocalista saiu em carreira solo, no começo do ano lançou o segundo álbum, intitulado "La Reproduction". Ainda não tive oportunidade de ouvir.

Hacia Dos Veranos.


Hacia Dos Veranos | Hacia Dos Veranos | Self-Released | 2010

A melhor banda da Argentina lançou recentemene o segundo álbum e disponibilizou para download gratuito no Bandcamp. Abre com o hit instrumental "Yo La Tenía" (já conhecida por todos por causa do belíssimo vídeo lançado ano passado) e contém duas covers: The Byrds, "Draft Morning", com voz de Alasdair MacLean do Clientele e "Instrumental # 1", do Brittle Stars.

O álbum foi gravado em 2008, poucos antes de Ignacio Aguiló ter ido estudar em Londres. Restou a mixagem e masterização, finalizada pelos outros integrantes. Não terá lançamento em CD, ficará somente no mundo virtual. Segundo a própria banda, dois dias depois de lançado já tinha sido feitos quase 2000 downloads. Ajudou também a notinha publicada no Pitchforkmedia.

Com a mudança de Ignacio para Londres, a banda ganhou um novo tentáculo, uma versão acústica e mais intimista, da qual fiz parte tocando baixo durante alguns meses e alguns shows. Essa versão inglesa da banda continua tocando e acaba de lançar a canção "The Cat and the Cucumber" na compilação em vinil 10" do projeto Hangover Lounge, que agora também é um selo.

The Soundscapes.


The Soundscapes | Freestyle Family | BNS Sessions | 2008

The Soundscapes foi formado em Nova Iorque, há 4 anos atrás, por dois irmãos brasileiros, o Raphael & Rodrigo Carvalho. Ano passado a dupla se reestabeleceu em São Paulo. Rodrigo explica melhor tudo isso: "Queríamos passar um tempo de nossas vidas morando em New York, aprender com a experiência toda, o Raphael já estava vivendo fora há um ano, Colorado e Londres, e depois de assistir ao Reading Festival, ele me ligou e disse para nos encontrarmos em New York. Era o momento certo de fazermos isso. Depois o tempo passa e as oportunidades também. Acabou virando uma temporada de sete anos. Voltar para o Brasil já era esperado por nós. Adoramos aqui".

The Soundscapes, "(We're All Made Of) Star Stuff".

Uma das características mais gritantes que percebemos quando uma banda passa um período no exterior é que durante esse período ela cresce bastante em níveis técnicos. Temos casos como Wry, The Tamborines e agora The Soundscapes, que ao entrar em contato com estúdios do primeiro mundo, produtores experientes e equipamentos de primeira linha, passam a ter um outro nível de qualidade de gravação e também ao vivo.

The Soundscapes, "Son of the Future".

The Soundscapes tocou para Foggy Glasses na Livraria da Esquina cerca de um mês atrás e foi impressionante, um show que emocionou todos os fãs de guitar pop presentes, deixou todos boquiabertos e com uma ponta de interrogação do tipo "como é que esses dois tiram um som tão perfeito e encorpado? Parece que tem uns cinco no palco". Ao chegar em casa, fui ouvir o "Freestyle Family", álbum de estreia, e a mesma impressão continou. São dez faixas perfeitas produzidas por John Davis, do Superdrag, que é uma referência para a sonoridade da banda, que lembra também outra banda que adoro, o Versus.

The Soundscapes, "Here's When".

O Rodrigo liberou essas três canções para download. O álbum pode ser adquirido com o próprio por 15 reais, através do e-mail . Recomendo bastante! Vem numa embalagem digipack, o CD é importado, coisa fina. "Freestlyle Family foi lançado ano passado e a repercursão e distribuição têm fluído naturalmente desde então. Já estamos pensando nas próximas gravações e lançamentos", finaliza Rodrigo.

domingo, 22 de agosto de 2010

They Go Boom!!


They Go Boom!! | Grand Vitesse | Siesta | 1996

Segundo álbum dos ótimos They Go Boom!!, banda que mistura indiepop com technopop como ninguém. Entrevistei a banda na época do lançamento desse disco, mas não acho... ela foi publicada no extinto e-zine The Popular Tune. Quando fica só no virtual, acaba sumindo. Essa "Candy" é minha predileta, mas o disco é cheio de hits, confiram!

They Go Boom!!, "Candy".

Recomendo também o primeiro álbum, "Atlantic".

sábado, 21 de agosto de 2010

The Steinbecks.


The Steinbecks | At Home And Abroad With The Steinbecks | Summershine | 1994

Essa banda é uma espécia de projeto pararelo do grande The Sugargliders (aquele mesmo da Sarah Records). Aqui temos canções mais rápidas e diretas, conforme pode ser conferida no hit indiepop "Apollo" (canção que costumava frequentar quase todas minhas mixtapes dos anos 90). Esse é o primeiro álbum. Já lançaram mais dois. Acredito que esses australianos ainda continuam na ativa.

The Steinbecks, "Apollo".



Foto da banda no encarte.


Outra foto.


O single 7" de "Apollo".

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ampersand.


Ampersand | Ampersand | Fantastic | 2000

Essa é outra banda de São Francisco que lançou apenas essas oito canções presentes no mini-álbum e sumiu do mapa. Pouco sei a respeito deles. O que temos é um "upbeat catchy jangle guitar pop" (conforme descrito numa resenha) que lembra bandas da Flying Nun com o típico indiepop enrolarado feito em São Francisco (The Fairways, Poundsign, Go Sailor). A fantástica "I'm Still Waiting" é muito empolgante, conforme pode ser conferido abaixo.

Ampersand, "I'm Still Waiting".

Skypark.


Skypark | Summer Days Are Forever | Shelflife | 1998

Não tenho muita informação dessa banda, apenas sei que Skypark é um quinteto de São Francisco e lançaram apenas essas seis canções presentes nesse mini-álbum. É puro indiepop, daqueles que a Shelflife costuma lançar. É muito bom.

Skypark, "Morse Code".

Bossanova.


Bossanova | Bossanova | Teenbeat | 1997

Resolvi pegar três mini-álbuns que foram lançados mais ou menos na mesma época e tem uma sonoridade meio parecida. Outra coisa em comum é o fato das bandas serem bastante obscuras. Começando por esse do Bossanova, que lançou em 97 essas cinco faixas pelo ótimo selo Teenbeat, de Mark Robinson do Unrest. Apesar do nome, de bossa nova essa banda canadense não tem nada, o que ouvimos são faixas que estão entre o indiepop e shoegaze. Essa "My First Luau" é muito boa, ouçam abaixo!

Bossanova, "My First Luau".

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Discotecagem no Hopbazar.


Para quem estiver em São Paulo e curte um bazar com marca de roupas underground (hehehe), vai ter esse aí amanhã que eu recomendo. Vou tocar uns sons a partir das 18 horas até o final. Vai ser bacana! Apareçam!

Wry.


Wry | National Indie Hits | Monstro | 2010

Como alguns já sabem, o Wry acabou. Devo entrevistar o Mario qualquer dia, para ele contar detalhadamente as razões e relembrar algumas boas histórias da banda, mas no momento tem a declaração que foi postada no MySpace: "Foram lindos os anos com o Wry, mas temos que chegar ao fim. Por inúmeros fatores, alguns deles já relatados na internet: o lado financeiro que não nos suporta mais, como muitos sabem temos uma estrutura de palco grande para nossa atual relevância e também pelo sucesso que do que abrimos em Sorocaba, chamado Asteroid, nos deixando com o tempo bem reduzido."

Com o fim a banda resolveu disponibilizar toda a discografia da banda para download em mp3 com boa qualidade, incluindo algumas raridades, como discos inéditos e remixes. A cereja do bolo certamente é o "National Indie Hits", disco que era para ter sido lançado pela Monstro Discos ano passado, mas por alguma razão acabou não saindo. Eu mesmo escrevi um texto que era para ter sido publicado no encarte, texto esse que posto a seguir.

"Era meados de 1995. Estava enfurnado num inferninho paulista chamado Urbânia, perto do Vale do Anhangabaú, para ver o show do Low Dream. A banda de abertura era o Wry. Vi o show deles na primeira fila, de frente para o palco. Fiquei bastante impressionado, lembro que comentei: “caceta, o baterista é tão insano que bate até nos pedestais do prato!”. No final me aproximei da banda e entreguei meu fanzine Esquizofrenia para o Mario. Conversamos um pouco e foi só. Dias depois recebo um pacote via correio, dentro encontrei a primeira fita-demo da banda, a “Morangoland”, que tinha uma capa toda colorida em papel couché vazado. Um luxo para época. Na fitinha um monte de canções em inglês, guitarras e mais guitarras, aquela coisa que até hoje gosto bastante. Logo depois publiquei a resenha da fita no meu zine. Ao mesmo tempo outros fanzines faziam o mesmo. No meio dos anos 90 era comum ter um fanzine ou uma fita-demo e usar como moeda de troca para conseguir outros zines e outras demos. Eu fiz bastantes trocas e aposto que o Mario também fez. Ele deve ter uma boa coleção devido a esse intercâmbio existente na época, penso que daí surge a vontade de homenagear as bandas independente dos anos 90 com um disco de covers. Tem muita coisa boa que ficou para trás.

A cena brasileira de guitar bands da década de 90 é algo importante para muita gente, mas que anda meio esquecida. Na época andava lado a lado com a cena hardcore, que hoje em dia nos brindou com o emocore, ou a cena das bandas inclassificáveis, que faziam uma mistureba danada e atualmente é base de praticamente tudo. Cito alguns exemplos que chegaram até a lançar disco: os guitar do Second Come, o pré-emo Hateen e os doidos do Gangrena Gasosa. Na época ninguém se importava com sucesso nas rádios, não estava nem aí com o que estava na moda ou com a música nacional, que explodia com o – urgh! – sertanejo. Essas pessoas se importavam com outras coisas, anteninhas voltadas para outros continentes - com o rock inglês de sempre, com o grunge norte-americano, com a melhor banda do mundo vinda da Nova Zelândia e por aí vai. São essas bandas que construíram a base para que outras se tornassem mais bem sucedidas. A banda brasileira de maior sucesso no mundo atualmente, o Cansei de ser Sexy, foi formada pelo Adriano, que tocava no Thee Butchers’ Orchestra com Marquinhos, que por sua vez tocava nos Pin Ups na virada dos anos 80 para os 90. Tudo segue uma linha evolutiva que se cruza diversas vezes e não raramente se forme um nó difícil de desatar, mas não impossível. Esse CD é um resgate dessas velhas bandas que, de certa forma, construíram a cena independente que temos nos dia de hoje. Dizem que o brasileiro tem memória curta. É verdade. Mas não são todos."

Lista das faixas:

01 Evisceration (Killing Chainsaw)
02 Canção do Adolescente (Astromato)
03 Precious Love (Low Dream)
04 I Feel You (Snooze)
05 Burn Baby Burn (MQN)
06 Angel's Wheels (Sonic Disruptor)
07 Loveles (Pelvs)
08 Inside My Mind (again) (Vellocet)
09 Christmas Falls on a Sunday (brincando de deus)
10 Novos Adultos (Walverdes)
11 Kill Summertime (Space Rave)
12 Guts (Pin Ups)
13 Not the Same (Biggs)

Eric's Trip @ Esquizofrenia # 5.


Eric’s Trip | Love Tara | Sub Pop | CD

Lê Almeida empolgadão com Eric's Trip... aí falei pra ele que ia botar essa página do Esquizo # 5, de 94. Acontece que ouvi muito "Love Tara", eu ouvi muito esse disco em K7 na época durante bom um tempo, até que comprei o CD na galeria. Fui procurar aqui no quarto e não achei... Ouçam "Sunlight", leia o começo desse blog. Amanhã eu acho o CD por aqui. Mas só vou postar se o álbum estiver fora de catálogo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

East River Pipe.


East River Pipe | Shining Hours In a Can | Ajax | 1994

Quando postei o álbum "Mel" no blog, comentei sobre uma entrevista que tinha feito com F.M. Cornog na época, mas nunca havia publicado no Esquizofrenia, por razões que nem lembro hoje em dia. Provavelmente foi numa época em que estava trabalhando e estudando muito e deixei o fanzine de lado por um tempo.

Posto agora o primeiro disco, na verdade uma compilação dos singles que haviam sido lançados de forma independente pelo próprio F.M. Cornog. Eu sou muito fã, adoro muito mesmo e acompanho a carreira dele desde o começo dos anos 90. Eu consegui essa entrevista muito por acaso. Escrevi uma carta para ele, pois queria comprar os compactos. O próprio respondeu. Aí continuamos o papo por e-mail. Ele me enviou diversos singles, poster autografado e umas 3 fotos grandes que infelizmente não achei na bagunça. É super simpático. Uma pena que ele anda meio sumido hoje em dia.

Recomendo muito a leitura dessa entrevista. Ficou muito bacana, modéstia a parte. Abaixo temos fotos que estão no encarte desse CD. São fotos que, na minha opinião, capturam muito bem o clima melancólico e desolado do East River Pipe. Espero que gostem.













terça-feira, 10 de agosto de 2010

Loomer.


Loomer | Mind Drops EP | Midsummer Madness | 2009

Para continuar no clima Midsummer Madness, segue um EP do selo que foi lançado ano passado, mas que passou batido, pelo menos por mim. Essa guitar band gaúcha no MySpace cita como principais influências Second Come, Killing Chainsaw, Low Dream e Sonic Disruptor. Fala sério! Simplesmente o crème de la crème das guitar bands nacionais. Vocais abafados, ótimas melodias, guitarra distorcida no talo, baixo melódico, algo entre Swervedriver e Dinosaur Jr, é isso o que você ouve nas cinco ótimas canções presentes no EP "Mind Drops".


Baita pedaleira, hein?

The Cigarettes @ Esquizofrenia # 5.


Para comemorar a volta dessa grande banda que é The Cigarettes, mais uma página do fanzine Esquizofrenia resgatada. Essa foi publicada em 1994, na edição # 5 do zine.

Essas novas canções estão ótimas, não consigo parar de ouvir. Estão entre as melhores da banda, sem dúvida nenhuma. Agora nos resta torcer para a banda fazer um show em São Paulo e o novo álbum sair o mais breve possível.


Essas são as três K7s que The Cigarettes lançou.

PS.: Note que o revisor (no caso eu mesmo haha) não percebeu o nome da banda escrito errado bem grande, pra todo mundo ver. :-P

PS2: Aproveita e leia também um artigo sobre o Pelvs publicado no Esquizofrenia quase na mesma época. Clique aqui.

domingo, 8 de agosto de 2010

The Cigarettes.


The Cigarettes | Happiness, Glory and Calmness EP | Midsummer Madness | 2010

Já faz mais cinco anos que The Cigarettes lançou o último disco, pela Slag Records. Agora Marcelo Colares, o homem por trás das cortinas, volta com um aperitivo para o novo álbum, que deverá ser lançado ainda esse ano pela Midsummer Madness. Esse EP contém quatro canções que mostram que a guitar band não perdeu nem um pouco o dom de compor as mais belas, amargas e desencanadas popsongs do Brasil. Sensacional, altamente recomendado!

Onward Chariots.


Onward Chariots | Fondness Makes The Heart Grow Distant EP | February | 2010

Essa banda de Nova Iorque me contactou uns meses atrás, para ver se eu tinha interesse em marcar algum show em Londres pela Goo Nite durante final de julho, época que estariam na Inglaterra para tocar no festival Indie Tracks. Ouvi, adorei e respondi que sim, topava marcar o show, que aconteceu dia 28 de julho no Buffalo Bar. Infelizmente já tinha voltado para o Brasil, então foi meu irmão quem cuidou de tudo.

Eles tocaram, deu tudo certo e foram bastante simpáticos, ao ponto de me enviarem de presente esse CD que compila os dois primeiros singles que lançaram pela February Records. O som deles me lembra tanto Tullycraft como Super Furry Animals. Muito legal. Aliás, por falar nessa gravadora, vá a página deles e pegue também o EP do Brilliant At Breakfast, outra ótima nova banda que lançou um dos melhores disquinhos indiepop desse ano.

Marthas & Arthurs.


Marthas & Arthurs | Apes in Aeroplanes EP | Self-Released | 2010

Essa banda eu vi tocando ao vivo no Buffalo Bar em Londres e adorei, no mesmo dia os convidei para abrir o show da Rose Melberg que estava organizando com meu irmão. A Taís Toti, que na época trabalhava no finado Jornal do Brasil (hoje ela está na Billboard), ouviu Marthas & Arthurs e adorou também, tanto que entrevistou eles e publicou quase uma página inteira no jornal, veja abaixo. Bom, o fato é que acabam de lançar virtualmente o primeiro EP, com quatro doces canções. Eles são totalmente acústicos e os quatro integrantes cantam em perfeita harmonia.


Na época do show, escrevi: "Two guys and two girls singing lovely harmonies and playing accordion, flute, ukulele and some soft percussion for our pleasure. Please, don't confuse with electronic duo Arthur & Martha!"

Pet Milk.


Pet Milk | Demo | Self-Released | 2010

Ótima nova banda de noise pop norte-americana. Canções simples, bastante melódicas, despretensiosas, com guitarras distorcidas e vocais abafados. Contém uma ótima cover de "Paint a Rainbow" do My Bloody Valentine.

Astrobotnia.


Astrobotnia | Part 1 | Rephlex | 2002

Um ótimo disco de música eletrônica lançado pela Rephlex, gravadora de Richard D. James. Algo entre o ambient e o IDM, lembra bastante até o próprio Aphex Twin, mas tem uma caidinha pro som que o Boards of Canada faz. Essa é a primeira parte de uma trilogia lançada em 2002. Esse é considerado o mini álbum, depois saiu um EP em 12" e mais tarde um álbum cheio.


As fotos da capa e encarte foram cedidas pela NASA.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Foggy Glasses # 4: é oficial!


Aí está o flyer oficial e todas informações sobre a próxima Foggy Glasses. Em breve posto mais detalhes.

Foggy Glasses apresenta:

LÊ ALMEIDA

PALE SUNDAY

STEPHANIE TOTH

DJs: Gilberto Custódio Jr., Fabiane Trindade e Junior Asobi.

Dia 27/08 - sexta-feira - 22 h - R$ 10.

Livraria da Esquina
Rua do Bosque, 1254 - Barra Funda

Flyer: Dani Hasse.

Evento Facebook.

sábado, 31 de julho de 2010

Hierofante Púrpura @ Serralheria.


Avisando de última hora: hoje vou discotecar nessa festa bacana na Serralheria, lugar novo em São Paulo. Apareçam!

E vamos ver se essa semana animo para atualizar com mais freqüência o blog! :-)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fireworks @ Café Elétrico.


Galera, o blog anda sem muitas atualizações, pois esses últimos dias tem sido uma correria. Semana que vem prometo atualizar todo dia, com discos e boas dicas. Mas por enquanto fique com essa dica para um bom programa no final de semana. Nesse sábado agora vou colocar um som lá no ótimo Café Elétrico. Sem compromisso com pista, só mesmo com a boa música! A festa é a Fireworks, da Bárbara e do Klaus, mestres nas novas tendências e novidades sonoras. Eu devo tocar cedo, a partir das 20 horas, depois quem comanda a festinha são eles. Apareçam!

domingo, 11 de julho de 2010

The Blue Aeroplanes.


The Blue Aeroplanes | Swagger | Ensign | 1989

Esse é o quinto álbum do Blue Aeroplanes, banda que sempre ouvi falar muito bem, mas nunca tinha dado a devida atenção até semana passada. Desde então iniciei uma verdadeira obsessão por esses ingleses, que fazem um som remanescente do movimento norte-americano paisley underground, mas com fortes influências oitentistas inglesas. Portanto se você gosta de bandas como Rain Parade, The Church, The Might Lemon Drops, The Wild Swans, pode cair de cabeça nesse disco.

Esse quinto álbum me pareceu o melhor, ao menos a princípio é o mais acessível, sendo o primeiro por uma grande gravadora (Ensign é uma subdisiária da Chrysalis) e que gerou alguns hits, como a excelente "Jacket Hangs", um primoroso guitar pop com o característico vocal "falado". O vídeo também é ótimo, as danças são empolgantes e os óculos escuros estilosos. Tem também a "And Stones", que tem um dedilhado de guitarra em delay que arrepia qualquer um. Fala sério, que coisa linda. O disco ainda tem muito mais, altamente recomendado!

Agradeço ao amigo espanhol que disponibilizou esse disco num de seus antigos blogs. Hoje em dia ele está fazendo o ótimo At The Indie Disco. The Blue Aeroplanes realmente bateu em meu coração, essa semana só deu eles em meu Last.fm. É bem o tipo de som que eu gosto. Esse disco ganhou uma edição dupla deluxe em 2006. Para esse ano é aguardado um novo álbum, o que pelas minhas pesquisas deve ser o 13o ou 14o da banda.

Foggy Glasses # 4.


Aí está o flyer da próxima Foggy Glasses. Vai acontecer somente no final de agosto, mas será uma sexta-feira muito especial! O Pale Sunday vai tocar ao vivo depois de uma temporada na Inglaterra, aonde vão tocar no festival Indie Tracks. E o Lê Almeida vai fazer o segundo show em São Paulo, aonde deverá comemorar lançamento de um EP pela WeePOP! Records. Na mesma noite quem vai abrir tudo será a Stephanie Toth e os DJs serão Fabiane e Junior, que atualmente comendam um projeto indiepop no Café Elétrico. Mais informações em breve! Aguardem também um texto sobre as duas últimas festas Foggy Glasses. Até.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Vídeo da Semana # 69.


The Pains of Being Pure at Heart, "Contender"

Sim galera, mais um vídeo do Pains! Fala sério, quase toda semana tem um vídeo novo deles, mas que delícia! Que fez o vídeo foi a menina do blog Ringo, Have a Banana! e ficou muito bacana. Mais informaçõe, clique aqui (tem fotos e o vídeo em alta resolução).

Lembrando que o vídeo do ano é esse aqui.

Foggy Glasses # 77 - é hoje!!


FOGGY GLASSES apresenta:

THE SOUNDSCAPES
Formada há alguns anos, já lançaram um excelente álbum de estreia, intitulado "Freestyle Family". Também já passaram uma temporada em Nova Iorque, aonde esculpiram uma sonoridade indie rock que em nada fica a dever para clássicas bandas da região, como Yo La Tengo, Versus e até mesmo os momentos mais facilmente digeríveis do Sonic Youth. Uma banda altamente recomendada!

JAIR NAVES
Com o final do Ludovic, Jair Naves saiu em carreira solo e agora acaba de lançar "Araguari", o EP de estreia, que estará sendo lançado no show. As letras, num português sempre à flor da pele, continuam sendo o destaque, mas a sonoridade, um pouco mais calma que no Ludovic, também impressiona. Espere belíssimas paisagens melódicas, sonoridades oitentistas e uma atitude dilacerante.

DJs: Gilberto Custódio Jr., Rafael Faria e Fernando Kaida.

Dia 08/07 - quinta-feira - 22 h - R$ 10.

Livraria da Esquina
Rua do Bosque, 1254 - Barra Funda

Flyer por Gilberto Custódio Jr.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Anton Tchékhov: "A Corista".


Acabei de ler esse conto pela primeira vez e adorei, gostaria de dividir com vocês. Um verdadeiro clássico que provavelmente muito de vocês já conhecem. Se esse for o caso, saberão que vale a pena ler de novo.

TCHEKCOV, Anton.

A corista

Certo dia, quando ela ainda era mais jovem e mais bonita, e sua voz era melhor, Nikolai Petróvitch Kolpakov, seu adorador, estava sentado na sala de sua datcha. O calor era abafado e insuportável. Kolpakov acabara de almoçar e de tomar uma garrafa inteira de mau vinho do Porto, e sentia-se indisposto e mal-humorado. Ambos se aborreciam e esperavam que o calor amainasse, para poderem sair a passear.

Súbito, inesperadamente, soou a campainha do vestíbulo. Kolpakov, que estava sem paletó e de chinelos, pôs-se de pé num salto e lançou a Pacha um olhar interrogador.

- Deve ser o carteiro ou, quem sabe, uma amiga - disse a cantora.

Kolpakov não se acanhava nem diante das amigas de Pacha, nem diante dos carteiros, mas, em todo caso, agarrou sua roupa e entrou no aposento vizinho, enquanto Pacha correu para abrir a porta. Para seu grande espanto, na soleira estava, não o carteiro e não uma amiga, mas uma senhora desconhecida, jovem, bonita, trajada com distinção e, por todos os indícios, uma mulher das decentes.

A desconhecida estava pálida e tinha a respiração ofegante, como quem acabasse de galgar uma escada alta.

- O que deseja a senhora? - perguntou Pacha.

A senhora não respondeu logo. Ela deu um passo para diante, examinou o aposento lentamente e sentou-se com um ar tal como se não pudesse ficar de pé, de cansaço ou doença. Depois, ficou longamente movendo os lábios exangues, tentando articular alguma coisa.

- Meu marido está aqui? - perguntou ela, afinal, erguendo para Pacha seus grandes olhos de pálpebras inchadas de chorar.

- Que marido? - balbuciou Pa- cha, e súbito sentiu um susto tão gran- de, que lhe gelou as mãos e os pés.

- O meu marido... Nikolai Petróvitch Kolpakov.

- Não... não, minha senhora... Eu... eu não conheço nenhum marido.

Um minuto transcorreu em silêncio. A desconhecida passou o lenço algumas vezes pelos lábios pálidos e, para vencer o tremor inter- no, prendeu a respiração, enquanto Pacha permanecia diante dela, imóvel, como petrificada, e fitava-a, cheia de perplexidade e medo.

- A senhora diz, então, que ele não está aqui? - perguntou a senhora com voz firme, e sorriu de um modo estranho.

- Eu... eu não sei por quem a senhora pergunta.

- Nojenta que a senhora é, baixa, ignóbil... - balbuciou a desconhecida, envolvendo Pacha num olhar de ódio e repugnância. - Sim, sim, a senhora é nojenta. Estou muito, muito contente por poder, finalmente, dizer-lhe isso!

Pacha sentiu que, àquela senhora distinta, vestida de negro, de olhos irados e longos dedos alvos, ela causava a impressão de algo asquero- so, disforme, e sentiu vergonha de suas faces vermelhas e rechonchudas, das sardas no nariz e da franjinha na testa, que não se deixava pentear para cima de jeito nenhum. E parecia-lhe que, se fosse magra, estivesse sem pó e não usasse franjinha, seria possível esconder que não era séria, e não seria tão terrível e vergonhoso estar diante daquela senhora misteriosa e desconhecida.

- Onde está meu marido? - continuou a senhora. Entretanto, se ele está aqui ou não, é-me indiferente, mas devo dizer-lhe que foi descoberto um desfalque e Nikolai Petróvitch está sendo procurando... Querem prendê-lo. Eis aí o que a senhora fez!

A senhora levantou-se e come- çou a andar pela sala, presa de grande agitação. Pacha olhava para ela e, de terror, não compreendia nada.

- Hoje mesmo ele será encontrado e detido - disse a senhora, e soluçou, e nesse som ouvia-se insulto e desgosto.

- Eu sei o que o levou até este terror! Nojenta, asquerosa! Criatura vendida, repugnante! - Os lábios da senhora se torceram e o nariz se contraiu de nojo. - Eu estou impotente... Ouça aqui, mulher baixa! Eu estou impotente, a senhora é mais forte do que eu, mas existe quem me defenda, a mim e aos meus filhos! Deus vê tudo! Ele é justo! Ele lhe pedirá contas por cada lágrima pequenina, por todas as noites insones! Chegará o dia, a senhora se lembrará de mim!

Novamente fez-se um silêncio. A senhora andava pela sala e torcia as mãos, e Pacha continuava a fitá-la estupidamente, perplexa; não compreendia e esperava dela alguma coisa terrível.

- Eu, senhora, não sei de nada! - articulou ela, e de repente desatou a chorar.

- Mente! - gritou a senhora, e lançou-lhe um olhar faiscante de raiva.

- Eu sei de tudo! Há muito tempo que eu sei de tudo! Eu a conheço de longa data! Eu sei que, neste último mês, ele passa aqui na sua casa todos os dias!

- Sim. E então? Que é que tem isso? Recebo muitas visitas, mas não obrigo ninguém. Aos livres a liberdade.

- Eu lhe digo: foi descoberto um desfalque! Ele gastou dinheiro alheio, na repartição! Por uma... uma como a senhora, por sua causa, ele cometeu um crime. Escute - disse a senhora em tom decidido, parando diante de Pacha -, a senhora não pode ter princípios, a senhora só vive para causar mal, esse é o seu escopo, mas não é possível pensar que tenha caído tão baixo que não lhe sobre nem um resquício de sentimento humano! Ele tem esposa, filhos... Se for condenado e deportado, eu e meus filhos morreremos de fome... Compreenda isso! E no entanto existe um meio de salvá-lo, e a nós, da miséria e da desonra. Se eu depositar hoje novecentos rublos, deixá-lo-ão em paz. Apenas novecentos rublos!

- Que novecentos rublos? - perguntou Pacha baixinho. - Eu... eu não sei... Eu não tomei...

- Eu não lhe peço novecentos rublos... A senhora não tem dinheiro, nem eu quereria do seu. Peço outra coisa... Os homens costumam dar a essas... a mulheres como a senhora, presentes de objetos de valor. Devolva-me apenas aquelas coisas com que meu marido a presenteou!

- Madame, ele não me deu presente algum! - guinchou Pacha, começando a compreender.

- Onde está então o dinheiro? Ele esbanjou tudo, o meu e o alheio... Onde foi parar tudo isso? Escute, eu lhe peço! Eu estava indignada e disse-lhe coisas desagradáveis, mas peço desculpas. A senhora deve odiar-me, eu sei, mas, se é capaz de compaixão, procure colocar-se no meu lugar! Imploro-lhe, devolva-me os objetos!

- Hum - disse Pacha, e encolheu os ombros. - Eu teria muito prazer, mas, que Deus me castigue, ele nunca me deu nada. Creia na minha consiên- cia. Entretanto a senhora tem razão - encabulou a cantora -, uma vez ele me trouxe duas coisinhas. Pois não, eu devolvo, se a senhora deseja...

Pacha abriu uma gaveta e tirou uma pulseira de ouro chapeado e um anelzinho ralo com um rubi.

- Aqui tem! - disse ela, estendendo essas coisas a visitante.

A senhora enrubesceu, seu rosto começou a tremer. Ela sentiu-se insultada.

- Que é que a senhora está me dando? - disse ela. Não lhe peço esmola, e sim aquilo que não pertence à senhora... aquilo que a senhora, aproveitando-se da situação, extorquiu do meu marido... desse homem fraco e infeliz... Quinta-feira, quando eu a vi com o meu marido no cais, a senhora usava pulseiras e broches caros. Portanto, não adianta representar diante de mim o cordeirinho inocente! É pela última vez que lhe peço: vai dar-me as jóias ou não?

- Como a senhora é esquisita, palavra - disse Pacha, começando a ficar ofendida. - Asseguro-lhe que do seu Nikolai Petróvitch, além desta pul- seira e do anelzinho, eu nunca vi nada. Ele só me trazia pasteizinhos doces.

- Pasteizinhos doces... - sorriu a desconhecida com ironia. - Em casa as crianças não têm o que comer, mas, aqui, pasteizinhos doces. A senhora recusa definitivamente devolver as jóias?

Não tendo recebido resposta, a senhora sentou-se e, pondo-se a pensar, fixou os olhos num ponto qualquer.

- Que fazer agora? - articulou ela. - Se eu não conseguir novecentos rublos, ele está perdido, e eu com os meus filhos também estamos perdidos. Matar esta canalha ou cair de joelhos diante dela, quem sabe?

A senhora apertou o lenço contra o rosto e desatou a soluçar.

- Eu lhe peço! - ouvia-se através dos soluços. - Foi a senhora que arruinou e destruiu meu marido, salve-o... A senhora não tem compaixão dele, mas as crianças... as crianças... que culpa têm as crianças?

Pacha imaginou criancinhas pequenas, jogadas na rua e chorando de fome, e ela mesma debulhou-se em lágrimas.

- Que é que eu posso fazer, madame? - disse ela. - A senhora diz que eu sou uma canalha e arruinei Nikolai Petróvitch, mas eu lhe digo, como diante do próprio Deus... Asseguro-lhe que nunca tirei proveito nenhum do seu, marido... No nosso coro só a Mótia tem um amante rico, mas todas nós, as outras, vivemos da mão para a boca. Nikolai Petróvitch é um senhor instruído e delicado, está aí, e eu o recebia. Nós não podemos deixar de receber.

- Eu peço as jóias! Dê-me as jóias! Estou chorando... me rebaixando... Se quiser, eu ficarei de joelhos! Pronto!

Pacha deu um grito e começou a agitar as mãos, de susto. Ela sentia que aquela senhora pálida e bonita, que se exprimia com tanta nobreza, como no teatro, podia de fato cair de joelhos diante dela, justamente por orgulho, por nobreza, para se elevar ainda mais e para humilhar a corista.

- Está bem, eu lhe darei as jóias! - afligia-se Pacha, enxugando os olhos. - Pois não. Só que elas não são de Nikolai Petróvitch... Eu as ganhei de outros visitantes. Como quiser, senhora...

Pacha abriu a gaveta de cima da cômoda, tirou dela um broche com uma esmeralda, um fio de coral, alguns anéis, uma pulseira, e estendeu tudo à senhora.

- Leve, se deseja, só que de seu marido eu nunca tive proveito nenhum. Tome, fique rica - continuava Pacha, insultada pela ameaça de cair de joelhos. - Mas se a senhora é tão distinta... sua esposa legítima, devia segurá-lo junto de si. Está aí! Eu não o chamei para a minha casa, ele veio sozinho...

Através das lágrimas, a senhora examinou as jóias recebidas e disse:

- Isto não é tudo... Aqui não há nem para quinhentos rublos.

Impulsivamente, Pacha arrancou da cômoda mais um relógio de ouro, uma cigarreira e abotoaduras e disse, abrindo os braços:

- Além disso não me ficou mais nada... Pode dar busca!

A visitante suspirou, embrulhou as jóias, com mãos trêmulas, no seu lencinho e, sem dizer uma palavra, sem mesmo acenar com a cabeça, saiu.

Abriu-se a porta do aposento vizinho e entrou Kolpakov. Ele estava pálido e sacudia nervosamente a cabeça, como se acabasse de engolir algo muito amargo; nos seus olhos brilhavam lágrimas.

- Que coisas o senhor já me trouxe? - atirou-se Pacha sobre ele. - Quanto, permita-me que lhe pergunte?

- Coisas... Ninharias, isso - coisas! - articulou Kolpakov, e sacudiu a cabeça. - Deus meu! Ela chorou diante de ti, ela se humilhou...

- Eu lhe pergunto: que jóias o senhor me trouxe? - gritou Pacha.

- Deus meu, ela, decente, altiva, pura... quis até cair de joelhos diante... desta rameira! E fui eu que a levei a isso! Fui eu que o permiti!

Ele apertou a cabeça com as mãos e gemeu:

- Não, jamais me perdoarei por isso! Não perdoarei! Afasta-te de mim... vagabunda! - bradou ele com repugnância, recuando diante de Pacha e afastando-a de si com mãos trêmulas. - Ela quis cair de joelhos e... diante de quem? Diante de ti! Oh, meu Deus!

Ele vestiu-se depressa e, desviando-se de Pacha com nojo, dirigiu-se para a porta e saiu.

Pacha deitou-se e começou a chorar alto. Ela já estava com pena das suas jóias, que entregara num impulso, e estava ofendida. Lembrou-se de como três anos atrás, sem motivo algum, um comerciante lhe dera uma surra, e chorou mais alto ainda.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Caminhadas # 8.


Fazia tempo que não postava fotos de minhas caminhadas. Tem algumas razões. Uma que a máquina fotográfica que costumava usar quebrou. Outra que meu iPod está com uma mania irritante de travar sem maiores explicações (e quando isso acontece eu tenho que esperar a bateria acabar para ele funcionar novamente, o que significa ficar sem música na metade de uma caminhada). Sem trilha sonora, fica difícil encontrar motivação para caminhar por aí. É a triste realidade. Mas hoje resolvi sair. Peguei uma máquina fotográfica emprestada e tirei algumas fotos do subúrbio paulista aonde moro, no caso o Butantã, bairro da zona oeste da cidade.


A trilha sonora foi "Tolerance", segundo álbum dos grandes, mas muito grandes The Blue Aeroplanes. Muito bom esse disco de 1986. Ainda não tinha ouvido direito e gostei bastante. Na foto você encontra um pedaço da Rodovia Raposo Tavares, que cruza o bairro.


O final de tarde estava lindo, apesar de que eu desconfio que esse amarelado do céu seja poluição. Será?


Piada que encontrei numa revista Mad recentemente e dei risada. Hoje o iPod travou depois de uns 50 minutos. Que ódio.