
Amigos, estou em Londres assistindo shows diariamente e pretendo escrever sobre alguns deles aqui no blog. Logo que cheguei, fui surpreendido pela notícia de que o Chapterhouse, um de meus shoegazers prediletos, ia fazer um show secreto na cidade, organizado pelo Robin, do selo Club AC30 (uma espécie de versão inglesa da Clairecords). É dele também as fotos que ilustra esse post. Agradeço-o imensamente! Segue uma resenha do show.
Chapterhouse @ Luminaire | 23/11/2009 | Londres
Chapterhouse foi formado no início dos anos 90, lançaram dois discos, sendo que o primeiro, “Whirpool”, de 1991, é considero o grande clássico, tendo inclusive uma edição brasileira em vinil, lançada na época. Foi relançado pela Cherry Red recentemente em CD, com várias faixas bônus. O álbum emplacou diversos hits nas pistas dos melhores inferninhos de São Paulo da época, como Retrô, Der Tempel e Armageddon. Feliz quem já dançou “Pearl” e “Falling Down” com luz estroboscópica e muita fumaça.
A banda acabou há uns bons anos, mas retornou agora para alguns shows. Eles dizem fazer esses shows para os novos e velhos fãs terem a oportunidade de ver a banda ao vivo. Esse show do Luminaire, uma casa pequena, menor que o CB, era “secreto”, somente para convidados, mais ou menos umas 100 pessoas. Mas quem organizou foi o Robin, do excelente selo Club AC30, que já lançou muita gente legal, dentre os quais os brasileiros do Wry. Robin também promove diversos shows na cidade e é relativamente próximo de meu irmão, que também organiza shows em Londres. Sendo assim, foi fácil meu nome ser incluído na lista de convidados da banda.
Perdi o show de abertura, do alemão Ulrich Schnauss (que recentemente processou o Guns and Roses por plágio e ganhou), mas cheguei a tempo de pedir uma pint de Guinness e me posicionar num bom lugar para ver o tão esperado Chapterhouse. A casa estava cheia e a maioria do público era formada por homens que aparentavam ter entre 30 e 40 anos. “Uns corcundas repelentes de vagina”, disse, citando uma resenha que havia lido recentemente. Meu irmão morreu de rir e a frase já virou piada recorrente. Mas depois de circular pelo local, pude notar que a presença feminina era forte também, sendo que algumas dançavam muito empolgadas em algumas partes do show – e que show!

Logo no começo já nos presentearam com “Falling Down” e foi espetacular, principalmente quando entra o refrão e os três guitarristas acionam os pedais de distorção, formando o famoso “wall of sound” característico dos shoegazers originais. A encorpada massa sonora era de arrepiar qualquer um. Alto e bem definido, o som das guitarras impressionava bastante. Os vocais, harmonizados entre dois principais vocalistas, também merecem destaque. O show seguiu e tocaram todos os hits, incluindo “Breather” e “Pearl”, sendo que os vocais femininos, originalmente gravado pela Rachel, do Slowdive, foram feitos por uma belíssima loira, que infelizmente desconheço quem era (N. do E: o próprio Robin, do Club AC30, me enviou uma mensagem depois de ver a resenha e disse que a garota também toca no Opus 3 e se chama Kirsty Hawkshaw).

Alguns devem saber que o Chapterhouse tem dois lados. A partir do segundo álbum eles relativamente abandonaram o shoegaze e apostaram num som bastante influenciado pelo movimento madchester da época, também conhecido como indie dance. "Precious One" e "Love Forever" são desse periodo e ao vivo a banda as toca com auxílio de uma bateria eletrônica e Ulrich Schnauss nos teclados. Mas esses dois lados da banda, que na época soavam bastante distintas, fez muito mais sentido ao vivo, percebe-se que esse lado mais dançante sempre fez parte da alma da banda e que, no fim, um lado complemente o outro de forma brilhante. Para finalizar o show, tocaram uma maravilhosa versão shoegaze de "Rain" dos Beatles. Fala sério!
Infelizmente a banda não tem intenção de reformar e nem de gravar novas canções, então resta aos fã esses ótimos shows, aonde entramos numa espécie de túnel do tempo e somos transportados para a boa e velha época da cena que celebrava ela mesma. A banda toca novamente na quinta-feira, dia 26/11, no Institute of Contemporary Arts, com abertura do Air Formation.

4 comentários:
puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta que pariu gilberto.....quase chorei!!!
Caralho, Air Formation! O que eu não daria para ouvir Tidal e Cold Morning ao vivo! (sem piadas de cunho sexual, por favor)
Vi o show ontem do ICA. Pelo visto foi bem parecido com esse que vc viu, inclusive as bandas de abertura. Showzaco. Treasure e Falling Down na sequencia foi foda !! Vou ver se subo umas fotos depois. Estarei nas outras noites do reverence, qquer coisa dah um toque: junior242@gmail.com
Putz que sortudo que você é!
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