
Mais uma edição da coluna Meia Palavra Basta, dessa vez começando pelos premiados artistas de história em quadrinhos Fábio Moon e Gabriel Bá. Só recentemente tive contato com o trabalho deles, através da graphic novel "Crítica", que reúne algumas HQs da dupla (que são irmãos gêmeos). Esse trecho acima faz parte da história "Feliz Aniversário Meu Amigo", e o curioso é que eles vão comemorar esse aniversário na Funhouse, olha só que barato!
Uma de minhas casas noturnas prediletas de São Paulo, foi muito legal ver os desenhos dos interiores. Aparece o bar, a pista (a banda Pullovers toca no dia) e a parte de cima, com o jukebox e a "mesa de compactos". Na época da história não tinha o bar de cima ainda, a entrada de deficientes não havia sido criada, podia fumar e aquele cara com o rosto todo tatuado (sempre esqueço o nome dele...) atendia a galera no bar.
Os gêmeos (não confundir com os grafiteiros) começaram a publicar seus desenhos nos anos 90, com o fanzine 10 Pãezinhos, que existe até hoje em formato de blog. Vale a pena conferir. Eles já lançaram diversos livros, alguns ganharam prêmios famosos como Jabuti e Eisner Awards. No blog tem toda a história deles e a relação desses livros. Recomendo bastante.
Festival Brooklyn Bridge no SESC Pompéia.
Muitos links e dicas bacanas ainda o aguardam, prezado leitor. Como os shows do festival Brooklyn Bridge, que acontece essa semana na Choperia do SESC Pompéia. É como se fosse a Invasão Sueca, mas em vez de suecos temos os noiva-iorquinos do Brooklyn. Hoje, uma das mais empolgantes cenas musicais de NY acontece no Brooklyn, como já escrevi a respeito ano passado no blog, quando destaquei Vivian Girls, The Pains of Being Pure At Heart, Crystal Stilts entre outros, lembram? Pois é. O Brooklyn Bridge traz Chairlift, Telepathe e Bear Hands para São Paulo. Bandas muito boas! O blog Dominódromo publicou um ótimo post aonde eles explicam mais detalhadamente sobre cada banda, confiram aqui.
Uma das razões dos artistas de Nova Iorque estarem migrando para o Brooklyn é que o custo de vida na ilha Manhattan está muito alto hoje em dia. Então a galera resolveu cruzar a ponte, a famosa Brooklyn Bridge. Fico pensando que em São Paulo é questão de tempo para acontecer a mesma coisa. Um dos bairros que eu vejo com grande potencial para reunir artistas é o Butantã, que abriga a USP, fica colado à Vila Madalena e a partir de 2010 vai ter metrô, que vai atravesar a ponte (no caso a Ponte Eusébio Matoso, que cruza o Rio Pinheiros). Nasci e cresci no bairro, moro até hoje e não pretendo sair daqui, portanto torço para que isso aconteça mesmo!
Site oficial Brooklyn Bridge.
A volta do Pin Ups, que aconteceu no CB.
Sexta-feira passada fui assistir a volta do Pin Ups, acredito que algum de vocês devem estar curiosos para saber como foi. Bom, já adianto que não foi o que esperava. Pelo que entendi, pensei que fossem tocar o "Time Will Burn", clássico disco de 89, na íntegra. Além disso, estariam presentes os membros da formação original. Nada disso aconteceu. Eu já tinha achado estranho, pois o baterista dessa época é o Marquinhos, que toca no Thee Butchers' Orchestra e em vária outras bandas. Acontece que ele renega esse passado, faz tempo que se converteu as garage bands de forma radical e odeia tudo que é relacionado ao indie rock. Normal, gosto é gosto, respeito muito o Marquinhos, um verdadeiro punk rocker. Quem tocou bateria foi o Flávio, segundo baterista do Pin Ups, hoje toca no Forgotten Boys. No baixo tinha um cara que eu não conhecia, mas a querida Natascha me disse ter visto ele tocando com o André Abujamra.
O local estava muito cheio, impossível assistir o show da frente sem sofrer com o empurra-empurra. Então preferi assistir os shows do fundão, estrategicamente posicionado embaixo de um ar-condicionado e ao lado do bar. Desse local o som estava muito ruim, o vocal alto demais e a guitarra baixa. O som do baixo também estava todo embolado. Mesmo assim o Pin Ups fez um ótimo show, o Luiz Gustavo continua com aqueles mesmos trejeitos de antigamente, ele anda rápido de um lado pro outro, carregando o pedestal e o microfone junto, fazendo uma cara de louco. Muito figura. O grande momento foi quando tocaram "Goin On" e logo em seguida "Bright". A casa veio abaixo nessa hora, tinha até uns doidos sendo carregados pela galera na frente do palco. Excelente show de rock'n'roll.
Podcasts e rádio on-line.

Sempre fui muito fã de rádio e tem certos programas que definitivamente foram muito importantes para minha formação musical, como é o caso do Rock Report, do Fábio Massari (foto). Lá pelos meus 10 anos de idade eu era grande fã de metal e ouvinte atento do Backstage, do Vitão Bonesso (na época passava na rádio rock 97fm, de Santo André). A outra rádio rock da cidade era a 89fm, que existe até hoje. Tinha bons programas e eu era fã do Rock Report, que aos poucos foi me apresentando bandas que até hoje fazem minha cabeça. Uma das bandas que descobri ouvindo o programa foi o Sonic Youth, por exemplo.
Não tenho irmãos mais velhos e na época todos meus amigos ouviam somente metal ou hip hop. Então considero esses iluminados do rádio como meus grandes mestres, meus irmãos mais velhos. Sou um grande sortudo, pois desde pequeno já aprendi as lições com as pessoas certas. Eu ouvia esses programas com uma fita K7 preparada para gravar os bons momentos, além de papel e caneta para anotar os nomes. Era algo bastante didático mesmo. Escrevia cartas para todos eles pedindo mais informações e não raramente eles falavam meu nome no ar. Quando, aos 13 anos, editei meu primeiro fanzine (com Sonic Youth na capa), enviei para todos radialistas, que o divulgaram no ar. Momentos emocionantes.
Portanto devo muito ao Fábio Massari, Kid Vinil, Fernando Naporano, Roberto Maia e Vitão Bonesso. Grandes mestres. O legal é que até hoje podemos ouví-los na rede. O Massari voltou a fazer programa de rádio, ele apresenta o Etc todo domindo as 22 horas, na nova rádio Oifm (em São Paulo, pega na estação 94,1). Todos os programas ficam arquivados aqui. O grande barato do Massari é que ele fala bastante entre as músicas, explica direitinho de onde vem tal banda, gravadoras, artistas similares e o melhor: boas histórias. Nesse último programa, Massari conta uma história sensacional do Superchunk, quando a banda veio tocar no Brasil, ele os levou para almoçar no Canindé, comer a galinhada do Bahia e aproveitou para assistir o clássico Portuguesa vs. São Paulo. A banda amou e quando descobriu que a Portuguesa atendia também como Lusa (de Lusa para loser é um pulo), eles passaram a torcer loucamente pro time hahaha! Mas não deu, o jogo foi 4x2 pro São Paulo, mas mesmo assim foi jogão, com 6 gols, os gringos pagaram pau.
Outro grande nome da rádio é o Roberto Maia, um dos cabeças da Rádio Brasil 2000 (hoje 107,3fm). Hoje em dia ele produz o ótimo podcast Momento Maia. Um fator importante que diferencia esses podcasts dos mestres do pessoal amador que também faz é que, além de conhecerem bastante de música, eles são ótimos locutores, que é o caso do Maia, radialista profissional. É um grande prazer ouvir a voz dele falando sobre as bandas.
Kid Vinil dispensa apresentações. Atualmente apresenta o ótimo podcast Artrock e um atrelado a MTV. Abaixo veja a prévia do Artrock # 36.
Recentemente ele deu uma entrevista ao camarada e antigo colaborador do Esquizofrenia, o Rodney Brocanelli, que hoje em dia escreve esse ótimo blog, o 4 Paredes, aonde certos figuras contam o que gostam de fazer em casa. O do Kid Vinil está engraçado, pois ele diz que não curte cinema, não curte vídeo-game, não curte literatura, não curte nada além de música, inclusive o único hobby dele é o de comprar discos hahaha. Grande especialista! Um figura muito querido e todos somos bastante privilegiados de ter uma pessoa como ele compartilhando tudo o que ouve.
Fábrica de vinis voltou.
Agora é oficial: a Polysom, única fábrica de vinis da América Latina, localizada em Belford Roxo, RJ, está de volta e aceitando pedidos para fabricação de LPs e 7"s. O e-mail de contato é comercial@polysom.com.br e a tiragem mínima é de 300 discos. Uma das pessoas responsáveis por essa volta é Rafael Ramos, que nos anos 90 tocava no Soutien Xiita, que marcava presenta em todos os fanzines da época. Ele também trabalha na Deckdisc e avisa que "Pitty, Nação Zumbi, Fernanda Takai e Cachorro Grande sairão em LPs pela Deckdisc". Também diz que "existe um projeto para relançar em vinil todos os títulos da Legião Urbana" (como se já não tivesse vários deles encalhados pelos sebos do Brasil hehehe).
Isso me lembra de incorporar no blog essa entrevista do Luiz Valente, do selo Vinyland, que lançou diversos compactos em 2009. Ele fabrica todos na Inglaterra, deixa boa parte lá mesmo, nas lojas e distribuidoras, e dá um jeito de trazer para o Brasil algumas cópias para vender por aqui. Mas agora, com a volta da Polysom, acredito que o esquema vai mudar (isso é, se o vinil fabricado na fábrica tiver boa qualidade, pois antigamente não tinha).
Quem produziu essa entrevista foi o pessoal do blog Last Splash, com Lê Almeida de trilha sonora.
É isso, até a proxima edição da coluna Meia Palavra Basta.

8 comentários:
Adorei a MPB#10, alias essa foi bem longa, recheada!
Mas Manhattan nao e' uma ilha, alias e' justamente o Brooklyn que fica numa ilha: Long Island.
:)
Grande abraco e nos vemos logo mais!
Opssss cafundi hehehe. Valeu César!! Se prepara para receber umas perguntas sobre a turnê norte-americana, já q vc não escreveu nada né? Hehehe. Estou preparando aqui, te envio amanhã. Nos veremos, abs!
não sabia q já tinha voltado a fábrica...
Neste link tem uma entrevistq q fizemos com o Gabriel Thomaz falando sobre a volta da polysom... foi gravada no msm dia que a do luiz...
http://fiznamtv.com.br/video/ver/28049
ps. q bom q não torrei minha grana pra ir ver o pin ups rs
abraço!
ótima notícia sobre a polysom! acredito que a qualidade venha legal sim, afinal é essa a justificativa pra tantos meses de reestruturação.
sobre o pin ups, mesmo com todos os poréns eu gostaria muito de ter ido a esse show!
Opa, as perguntas serao respondidas com prazer! Valeu.
Olha, eu ate comecei a escrever sim, mas tem muito mais pra escrever ainda, hehe. Entao nem faco ideia de quando estara pronto...
Ah, ja leu http://amplificasound.blogspot.com ?
o nome do tatuado da funhouse é ALAOR! :)
Aquele baixista que tocou com o Pin Ups toca também no Los Piratas, alem do Abujamra.
Também esperei mais do show.
Ola Gilberto! Obrigado pela citação neste seu excelente blog! Já virei fã!
Grande abraço!
Roberto Maia
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