quinta-feira, 1 de maio de 2008

Hurtmold.


Aí está a resenha que eu fiz do último disco do Hurtmold e publiquei na nova edição da revista Coquetel Molotov. Que aliás, eu tenho algumas sobrando aqui, caso tenha interesse deixe comentário com e-mail.

Hurtmold | Hurtmold | Submarine | CD | 2007

São Paulo, desde os anos 60, alimenta certa tradição em apresentar ótimos grupos instrumentais que misturam o jazz com a música brasileira. Temos Sambalanço Trio e Som / 3 como exemplos. Já na virada dos 70 para os 80 a cidade viu surgir sensacionais grupos que radicalizavam ainda mais essa mistura, adicionando elementos de improvisação e eletrônica, como é o caso do Grupo Um, Divina Increnca, Pau Brasil e Pé Ante Pé. Todos levando ao limite a música instrumental brasileira de vanguarda. Hurtmold segue essa linha evolutiva, que fica ainda mais clara com o lançamento do álbum homônimo, o quinto da carreira.

Obviamente o Hurtmold é diferente de todas essas bandas citadas. O que os une é a música instrumental brasileira e o apreço pelo jazz, mas o pós-rock e o groove jamaicano são elementos que elevam o Hurtmold a patamares até então inéditos e os fazem atingir uma originalidade que muitos buscam, mas poucos conseguem. Até mesmo em relação aos discos anteriores da banda, é perceptível a evolução musical e a busca por novas sonoridades. Cada disco surge com algo novo. Nesse encontramos um Hurtmold ainda mais mergulhado em pesquisas percussivas e batuques variados.

Composto por sete faixas, a grande maioria acima dos cinco minutos de duração, o disco passa voando. Em nenhum momento soa tedioso ou banal, sempre surgem novas surpresas aqui ou acolá, normalmente uma canção apresenta diversos movimentos aonde ocorrem mudanças notáveis de ritmos e climas gerais – qualquer semelhança com o rock progressivo é mera coincidência. A melhor é “Sabo”, que vai do jazz rock ao guitar noise tipo Sonic Youth, com direito a um solo de palmas no meio. Pode ter certeza que no disco – e principalmente ao vivo – ela soa melhor que a descrição.

Por falar em banda ao vivo, se tem alguma coisa melhor que esse disco é ver o Hurtmold ao vivo. De preferência sentado num teatro. Os seis integrantes parecem que estão num parque de diversões, sempre trocando de instrumentos, um mais inusitado que o outro. Principalmente na turnê desse disco homônimo, aonde a banda chega ao ápice da variedade de instrumentos (a maioria percussivos) e ritmos. Depois dessa experiência, é difícil deixar de pensar que o Hurtmold é uma das melhores bandas do Brasil atualmente. Porque é.

A seguir o excelente vídeo da citada "Sabo":



Quarta que vem, dia 07/05, tem show deles na Bleecker St., em Pinheiros. Vou mais uma vez.

Um comentário:

Anônimo disse...

Se ainda tiver algum exemplar da revista, eu quero!