terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Tim Hecker.


Tim Hecker | Harmony In Ultraviolet | Kranky | 2006

Resolvi traduzir esse texto que descreve como ninguém esse belíssimo disco, o quarto de Tim Hecker, o melhor da carreira dele. NO futuro devo escrever mais alguma coisa, pois eu também sinto vontade de me expressar quando o ouço.

"'Harmony In Ultraviolet' tem a consciência da exploração e tristeza e entendimento da infinidade e incerteza e extensão do mundo. Temas são introduzidos – um arpejo em loop, um riff de guitarra distorcido, notas únicas de teclado – mas nada é inteiramente desenvolvido, nada é completamente exposto a si mesmo. Em vez disso, existe uma sugestão do que é construído e sobreposto, porém nunca completamente resolvido, longas notas que puxam elas mesmas para dentro e fora de foco são favorecidas sobre melodias, deixando um tipo de agitação no ouvinte que lembra o desassossego de uma cidade industrial.

Três notas fazem um acorde, mas de alguma forma as de Hecker não, elas são tão diferentes em textura e escopo; na realidade, elas parecem tranqüilamente em divergência uma com outra, sabendo da existência da outra, mas contentando-se em ignorá-la.

É a música do horizonte urbano cinzento, do tipo de solidão que vem quando se está ao redor de muita gente, de cercas enferrujadas e janelas vazias geladas e a distância, música que incha e vai crescendo e se desenrolando, mas nunca chega no clímax; sua paciência sem fim ávida para progredir. Notas úmidas de baixo e guitarras elétricas emagrecidas, inundadas com distorção, esmagadas juntas com ruídos e drones programados, sons que eclodem e são liberados, cinqüenta minutos de questões e intimações, de resignação e aceites, mas nunca – definitivamente nunca – de respostas. Nós vamos ter que descobrir essas por nós mesmos."


Originalmente em inglês no All Music Guide. Eu que traduzi, sem revisão.

PS.: No começo desse ano, Tim Hecker lançou mais um disco pela Kranky. É muito bom também.

4 comentários:

Anônimo disse...

Esse disco é FABULOSO!!!!! Estava para escrever a respeito no Dominódromo.

Mudando de assunto: tenho algumas cópias do Club impresso! Posso entregar quando - finalmente - entregar os discos ;o)

Abraço!

G.H. disse...

Adoro esse disco, é muito, muito foda.

Gilberto Custódio Junior disse...

Ah q pena q ainda não tive tempo de traduzir esse texto... tô na metade!

Rodrigo, que bom q gosta de Tim Hacker! Isso só prova que tem um ótimo gosto pra música hehe! Vamos marcar uma cerveja e eu pego com vc as coisas, que acha?

Legal q você tbm gostou GH! Eu postei achando q ninguém ia curtir muito um disco tão experimental, sem beats, quase sem tempo, basicamente só drones ruidosos, mas vejo que os leitores desse blog estão longe de passar pela mediocridade reinante entre a galera que curte indie comercial.

Gilberto Custódio Junior disse...

Ops, confundi o cara com um hacker hahaha! É Tim Hecker caraio!