
Florbela Espanca, "Horas Rubras".
Horas profundas, lentas e caladas,
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...
Ouço as olaias rindo desgrenhadas...
Tombam as astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata pelas estradas...
Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos...
Vestiu-os o luar de sedas puras...
Sou chama e neve branca e misteriosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!
***
Poetisa portuguesa, Florbela Espanca foi quem mais estudamos no workshop de literatura erótica, além de ser a predileta da Natascha. Então nada mais certo que publicar a poesia dela por aqui. A vida de Florbela também é fantástica, se algum dia fizerem um filme com certeza vai ser bem melhor que o da Sylvia Plath.

Nenhum comentário:
Postar um comentário