
They Go Boom!! | Woody Allen 7" | Sunday | 1992
O último single do Pains of Being Pure at Heart (a maravilhosa "Higher Than The Stars") é praticamente um tributo ao They Go Boom!!, então não custa relembrar deles um pouquinho. Abaixo segue um artigo que escrevi há uns dez anos atrás, publicado aqui (no The Popular Tune, um dos primeiros fanzines eletrônicos em português da Internet, feito pelo meu irmão com textos de minha autoria basicamente). O single "Woody Allen" é o terceiro da banda e meu predileto.
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Seja bem vindo ao maravilhoso mundo do They Go Boom!!, uma banda de Margate, uma cidade do interior da Inglaterra. Formada por Daryl e Mike há dez anos atrás (já lançaram dois CDs, vários single, flexis e cassetes), a banda ainda continua obscura no mundo todo. Quando os contatei para uma entrevista, Daryl não escondeu a surpresa e alegria ao saber que sou brasileiro: "Estamos super satisfeitos em saber que nossas canções estão sendo ouvidas na América do Sul e ainda curiosos em saber como foi que elas chegaram até aí... foi via mail order? Você poderia nos explicar como você faz para comprar discos?", e a partir daí a entrevista se transformou num delicioso bate papo via e-mail.
"Acho que eu e Mike começamos a tocar juntos no começo de 89, portanto nós já estamos por aí há um bom tempo, se comparado com a maioria das bandas", conta Daryl. É verdade. Banda 'indie-de-verdade' dura pouco, difícil ver dinossauros indie. Nessa época a banda ensaiava e gravava suas canções num porta-estúdio, geralmente numa quarta-feira à noite ou aos sábados, "a não ser que tivesse algum futebol na TV ou qualquer outra distração", complementa Daryl. Pergunto se eles trabalham: "Sim, nós dois trabalhamos - nós nunca ganhamos dinheiro através da banda", Mike responde prontamente, "Nós não queremos fazer carreira como músicos. Nós já estamos juntos há tanto tempo que nem pensamos nisso como uma possibilidade. Eu acho que para fazer sucesso numa grande gravadora, precisa ter um nível de profissionalismo que nós simplesmente não temos, e nem queremos", complementa Mike, principal compositor da banda (de óculos na foto).
No começo da década a banda lançou duas cassetes intituladas "Myopia" e "We Touch the Lives of Ordinary Folk", que serviram para chamar a atenção de Stephen Maughan, editor do fanzine This Almighty Pop, o mais celebrado fanzine indie inglês da época. Seu entusiasmo com a banda foi tanto que não bastou apenas fazer um artigo, mas ele também lançou um flexi, que foi intitulado de "The Summer's On It's Way" e distribuído gratuitamente com a quarta edição de seu fanzine.
O b-side do single 7"A partir daí, surgiu interesse de duas micro-gravadoras, a primeira é alemã, chamada Blam-a-Bit Records, que lançou "Europop", o primeiro single 7" da banda, datado de 1991. A segunda gravadora é americana, chamada Sunday Records, que lançou o single "The Ruby Louge". Nessa época era notável a incrível capacidade melódica, harmônica e criativa desses dois rapazes, que criavam belíssimas pop songs usando apenas sintetizadores, o que as deixavam super peculiares e interessantes, que a própria banda fez questão de rotular, colocando na contra-capa do single "Europop" um carimbo onde lia-se 'this is bedroom pop': "'Bedroom pop' tem vários significados, mas pode-se dizer que isso expresse uma atitude do DIY (do-it-yourself) Pop feito com sintetizadores. Nós sempre compusemos nossas canções em nossos próprios quartos, sentados em nossas camas, bem confortável, diferente de guitar bands que fazem música numa garagem", explica Mike. Em seguida é lançado o single "Woody Allen" e o EP 12" "Beyond Tomorrow", ambos pela Sunday Records.
Estamos em 1992, quando a banda começa a gravar o primeiro CD que é lançado somente em 1995 (lembre-se: ensaios geralmente numa quarta-feira à noite ou sábados). Nesse meio tempo houve apenas participações em algumas compilações lançadas por micro-gravadoras do mundo todo e o primeiro show da banda, feito na França em 94, junto com as bandas espanholas La Buena Vida e Moving Pictures. Parece que tocar ao vivo não é uma das prioridades pro TGB!!: "Os shows que fizemos aconteceram porque as pessoas gostariam que nós tocássemos - nós nunca tentamos nos 'promover' nesse sentido. A idéia básica da banda não é aquela que inclui fazer bastante shows", explica Mike, "Mas às vezes é gostoso tocar nossas canções mais rápidas e agitadas ao vivo", confessa.
Em meados de 95 sai pela Sunday Records "Atlantic", o debut com 11 canções, onde não há um único acorde guitarra, o que passa despercebido durante toda a audição do álbum. A maioria das canções são dançantes, com letras que lembram o Field Mice e instrumental que fica entre o New Order e Saint Etienne. Vale dizer que todas as canções são inéditas, revelando que a banda também é adepta duma espécie de filosofia presentes em várias bandas 'indie-de-verdade' (e eu gosto bastante disso), que é a de não vender o mesmo produto duas vezes. Todas as canções do TGB!! só foram lançadas uma única vez.
Quando eles tocaram junto com o La Buena Vida e Moving Pictures na França, Mateo (dono da Siesta Records, gravadora das duas bandas), gostou tanto do TGB!! que ofereceu um contrato e a oportunidade deles tocarem dois shows em Madrid, Espanha, que aconteceu em 95. Em 96 é lançado o segundo CD intitulado "Grande Vitesse", com 8 canções que seguem a mesma linha do álbum anterior.
Pela mesmo gravadora saiu o single "Island Nation" em 97, contando com 3 canções que mostram um TGB!! mais versátil. O lado A é dance eurodisco bate-estaca, contando com um refrão daqueles "uma vez ouvido, nunca esquecido", enquanto o lado B é totalmente diferente, com "Sunnyday-A-Go-Go", um pop-synth-punk barulhento e bem melódico e "She's Leaving", mais lenta. O single precede o novo álbum, que já está pronto, mas sem gravadora para lança-lo: "O novo CD está diferente do material mais antigo. Depois que lançamos "Grande Vitesse", nós decidimos que era hora de mudar. Nossos gostos estão mudando toda hora, então eu acho natural querer fazer novos tipos de música. As últimas canções são uma verdadeira mistura, pois nós tentamos fazer um tipo de CD aonde o ouvinte não sabe o que vai acontecer na medida em que for ouvindo", explica Mike. "Ultimamente, na cena indie eu tenho ouvido algumas coisas da Bungalow Records, como Spring e Laila France. Ouço também Saint Etienne e algumas faixas do Momus, algumas coisas da Readymade Records de Tóquio como Pizzicato Five e Fantastic Plastic Machine e bastante techno japonês", Mike complementa nos dando uma idéia do que será o novo álbum, enquanto Daryl se desculpa dizendo que anda ouvindo Eels e Gene, "terrivelmente mainstream, seu sei...".

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